A nova rainha e a incrível queda de Stefani

Não foi lá uma partida de qualidade, mas a tensão era justificável. Elena Rybakina conseguiu mostrar a frieza que lhe vale a alcunha de “Rainha do Gelo” no momento mais importante do equilibrado duelo diante de Qinwen Zheng, avançou à semifinal do US Open e finalmente garantiu a condição de número 1 do mundo, encerrando a sequência de 99 semanas de Aryna Sabalenka.

Aos 27 anos, é a segunda tenista de maior idade a atingir pela primeira vez a liderança, superada apenas pelos 28 anos de Angelique Kerber, e concretiza uma autêntica volta por cima. Em janeiro do ano passado, viu o treinador Alexander Vukov ser afastado pela WTA por suspeita de assédio moral e só voltou a jogar um tênis de primeira grandeza quando ele foi liberado, em agosto. Pouco depois, faturou o Finals e o Australian Open, dando início a caça a seu maior sonho.

Russa de nascimento, Rybakina mudou para o Cazaquistão aos 19 anos, quando foi lhe oferecida ajuda financeira, o que evitou sua ida ao circuito universitário norte-americano. Sua ascensão foi contínua, mas ainda assim ganhou de forma inesperada o título de Wimbledon em 2022 graças ao tênis agressivo e valente que a caracteriza. Não fossem os problemas no ombro e na lombar e uma tendência à insônia, que afetou seu físico tantas vezes, provavelmente Elena teria chegado ao topo bem antes.

Já uma das 10 atletas mais bem pagas do mundo, Rybakina buscará sua quarta final de Slam na noite desta quinta-feira contra Coco Gauff, que repetiu a vitória de virada em Roma sobre Mirra Andreeva, desta vez salvando dois match-points diante de uma russa que jogou de forma incrivelmente passiva no momento em que deveria tentar se impor.

A campeã do US Open de 2023 mostrou o espírito de luta tão conhecido, mudou de postura tática, se aventurou nos voleios para fugir ao ataque a seu forehand e acabou recompensada, mantendo a “freguesia” sobre uma frustradíssima Mirra, agora de 6 a 0. Coco contou ter se inspirado na espetacular reação da véspera de Frances Tiafoe e não se mostrou abalada por um serviço tão vacilante, que a levou a cometer 12 duplas faltas.

Com esses dois resultados, a semifinal do US Open terá as quatro líderes do ranking, algo que não acontecia desde Wimbledon de 2009 e ocorreu pela última vez no torneio em 1975. Sabalenka e Jessica Pegula abrem a rodada desta quinta-feira repetindo a final de 2024 e a semi do ano passado, as duas favoráveis à bielorrussa.

A incrível derrota de Stefani

Naquelas viradas épicas que só mesmo o tênis pode proporcionar, Luísa Stefani e a canadense Gabriela Dabrowski deixaram escapar a chance de decidirem juntas um segundo Slam consecutivo e o primeiro US Open. Depois de se mostrarem mais eficientes no primeiro set, elas viram as norte-americanas Robin Montgomery e Ashley Krueger evoluir tanto no saque como na devolução e a partida ficou dura.

A dupla da brasileira abriu 3/1 no terceiro set, levou virada para 3/4, e teve dois match-points no 10º game. A definição acabou no super-tiebreak. E aí aconteceu o improvável. Stefani e Dabrowski começaram muito firmes, aproveitando cada oportunidade, para abrir 8-2. Parecia liquidado, já que elas teriam o saque a favor pelo menos mais três vezes. As adversárias voltaram a devolver e passar com enorme qualidade e ganharam todos os oito pontos seguintes, marcando mais um resultado incrível neste US Open.

Enquanto elas decidem o título contra as favoritas Katerina Siniakova e Taylor Townsend, Luísa e Gabi serão o destaque do SP Open do Parque Villa-Lobos, que começa no sábado. Agora como número 3 do mundo, Stefani defende o título do ano passado ao lado de Timea Babos.

Já os juvenis Guto Miguel e Naná Silva tiveram mais um dia positivo e estão nas quartas de final de simples. O goiano ainda foi mais longe e está também nas quartas de duplas com o mesmo parceiro que ganhou Wimbledon.

Zverev e Khachanov: vitórias tranquilas

Houve pouca emoção no complemento das quartas de final masculinas. Alexander Zverev, que tanto sufoco passou nas duas primeiras rodadas, agora engatou três vitórias em sets diretos, dando poucas chances ao holandês Botic van de Zandschulp. Está assim de volta às semifinais do US Open, onde chegou em 2020 e 2021. Na primeira vez, ainda fez final e deixou o título escapar contra Dominic Thiem.

O atual campeão de Roland Garros busca sua sexta final de Slam e, ao mesmo tempo, reduz a distância para Jannik Sinner para apenas 500 pontos no ranking da temporada, ou seja, indica que pode haver luta direta pelo número 1 a partir da fase asiática. Se ele ganhar na sexta-feira, empata com o italiano em 7.950 pontos e, em caso de título, abrirá 700 de vantagem. Motivação portanto não lhe faltará.

Já o russo Karen Khachanov precisou apenas ser consistente por dois sets para minar o que restava de condição física do garoto belga Alexander Blockx. Com problema na coxa, o tenista de 21 anos e maior surpresa da chave masculina desistiu no começo do terceiro set, após 1h38 de esforço, recolocando Khachanov na semifinal de um Slam, rodada que alcançou no US Open de 2022 e na Austrália de 2023. Seu retrospecto é negativo contra Zverev: três vitórias em nove tentativas.

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MARCELO
MARCELO
10/09/2026 08:37

Bom dia, Dalcim, só um pequeno comentário, o Zverev já fez 5 finais, 2 em RG (24 e 26), AUS (25), US(21) e WIM (2026). Se ganhar na sexta-feira, será a sexta final de Slam da carreira

Glauco
Glauco
10/09/2026 08:35

Que coisa essa derrota da Luísa e da Canadense hein!

Ivan
Ivan
10/09/2026 08:17

Fazia muito tempo que eu não ficava triste com o resultado de um jogo. Acho que nem elas entenderam o que aconteceu, mas também não ajudou que a Krueger, que tinha errado tudo até o 8-2, tenha acertado umas bolas bem difíceis no final. Uma pena.

Samuel, o Samuca
Samuel, o Samuca
10/09/2026 07:43

Luísa Stefani e Gabriela Dabrowski:
O que acontece com essa dupla, pois, além da virada de ontem, elas perderam por 6/0 e 6/1 para a dupla Katerina Siniakova e Taylor Towsend em Roland Garros.
Será que elas travam e se paralisam nos momentos mais tensos???

Samuel, o Samuca
Samuel, o Samuca
10/09/2026 06:28

Parece que o podium foi formado:
Madison Keys de 5/0 para 5/7;
Iga Swiatek de 5/0 para 5/7; e
Gabriela Dabrowski/Luísa Stefani de 8/2 para 8/10.
Ouro, prata e bronze não dá para saber a distribuição destas medalhas!!!

PRGF
PRGF
10/09/2026 01:06

O jogo da Luísa foi inacreditável… Nesses 8 pontos seguidos das adversárias, tiveram a bola na mão umas duas vezes…
E as adversárias simplesmente “fechavam os olhos” e soltavam o braço e foi winner na linha atrás de winner… Simplesmente inexplicável.

Rodrigo Juliano
Rodrigo Juliano
10/09/2026 01:04

“O atual campeão de Roland Garros busca sua quinta final de Slam…” não seria a sexta final de Slam? US OPEN 2020 (vice), RG 2024 (vice), AO 2025 (vice), RG 2026 (campeão) e WB 2026 (vice).

Evandro
Evandro
10/09/2026 01:00

A WTA fez um grande bem a Elena Rybakina entre janeiro e agosto de 2025… só que não. Nada de empatia e defesa dos direitos da atleta. Mas a velha e odienta hipocrisia, que Deus abomina! Ela precisou ser muito firme nas posições e forte no emocional para se defender da WTA, e conseguiu vencer. Parabéns, n. 1!

Paulista de 63 anos, é jornalista especializado em esporte há mais de 45 anos, com coberturas em Jogos Olímpicos e Copa do Mundo. Acompanha o circuito do tênis desde 1980, tendo editado a revista Tênis News. É o criador, proprietário e diretor editorial de TenisBrasil. Contato: joni@tenisbrasil.com.br
Paulista de 63 anos, é jornalista especializado em esporte há mais de 45 anos, com coberturas em Jogos Olímpicos e Copa do Mundo. Acompanha o circuito do tênis desde 1980, tendo editado a revista Tênis News. É o criador, proprietário e diretor editorial de TenisBrasil. Contato: joni@tenisbrasil.com.br

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