O retorno à quadra sintética, um piso em que já provou se sentir bem à vontade, abre perspectivas reais para que João Fonseca dê mais um passo à frente em sua evolução contínua no circuito e atinja o top 20 nas próximas semanas, quando estará competindo como cabeça de chave em dois Masters 1000 e com muita chance de entrar também entre os 32 favoritos no US Open.
Com 1.700 pontos no ranking da próxima segunda-feira, Fonseca defende muito pouca coisa nesses três grandes eventos, já que parou na estreia de Toronto, na terceira rodada de Cincinnati e ainda na segunda partida em Nova York. A soma total dá 110 pontos.
Claro que é preciso jogar bem para ajudar a matemática. O carioca disputou apenas o amistoso todo diferentão do UTS desde a queda em Wimbledon e aproveitou o longo período para apurar o físico e se readaptar ao piso duro. A expectativa segue de calor forte neste meio de verão norte-americano, daí a necessidade de estar muito bem preparado. Cincy e Nova York têm ainda a terrível e desgastante umidade, que em média beira os 70% nesse período do ano. Nada que um carioca da gema não saiba contornar.
A primeira missão de Fonseca será em Montréal, uma cidade praticamente ao nível do mar, onde ele ainda não competiu. Seu primeiro desafio será um qualificado, duelo entre Stefanos Tsitsipas e Martin Damm, que venceram suas partidas neste sábado no esquisito qualificatório de apenas uma rodada. A justificativa foi o baixo número de inscritos e o fato de o torneio já começar neste domingo.
Caso justifique seu favoritismo, Fonseca deve então reencontrar Casper Ruud, a quem venceu com autoridade em Roland Garros. A lógica diz que a disputa por vaga nas oitavas seria diante de Ben Shelton, número 8 do ranking, para quem perdeu há cerca de três meses no saibro veloz de Munique em jogo apertadíssimo. Shelton é um dos mais instáveis top 10 do tênis atual. Na sexta-feira, foi batido pelo canhoto Alejandro Tabilo em Washington e defende o troféu do ano passado, obtido em Toronto.
Pensando de forma otimista, o jovem brasileiro teria como potenciais adversários de quartas um grupo forte, composto por Daniil Medvedev, vencedor em 2021; Jakub Mensik, Karen Khachanov (em mau momento) e o próprio Tabilo. O melhor dos mundos seria fugir de Mensik, para mim o mais perigoso e talentoso desse nobre grupo.
A distância atual de Fonseca para o 20º colocado, o argentino Francisco Cerúndolo, é de 350 pontos. E isso só se obtém com vaga numa semifinal. Me parece exagerado que isso aconteça já em Montréal. Importante mesmo seria manter uma boa média de resultados nos três eventos. Fato curioso e que não pode ser ignorado é que Learner Tien figura há algum tempo entre os 20 mais bem colocados e o espanhol Rafael Jodar acaba de entrar para essa faixa com a espetacular campanha em Washington, que o leva ao 15º posto.
Que isso não seja cobrança nem pressão, mas motivação para Fonseca.
E mais
– Sem Jannik Sinner, o campeão de 2017 Alexander Zverev herdou a cabeça 1 de Montréal e tem uma chave propícia para chegar ao menos nas quartas, onde pode cruzar com três nomes fortes da casa: Tien, Tommy Paul e especialmente Taylor Fritz. É o mesmo lado da chave em que estão Shelton, Medvedev e Fonseca.
– A esperança da casa Félix Aliassime pegou uma sequência que pode ser bem dura, incluindo Brandon Nakashima, Frances Tiafoe e Andrey Rublev. O terceiro cabeça é Alex de Minaur.
– Entre os cinco convidados, estão Gael Monfils e Gabriel Diallo. Já Hubert Hurkacz joga com “ranking protegido”.
– Campeão inesperado em 2024 em Montréal, Alexei Popyrin precisou jogar o quali e garantiu vaga.
– Disputado desde o início da Era Aberta, o maior campeão do Canadá foi Ivan Lendl, com seis troféus.
– Com exceção de Karolina Muchova, todas as 10 primeiras do ranking estão em Toronto.
– É mais uma chance para Elena Rybakina sonhar com o número 1, mas ela precisa do título e ainda torcer para Aryna Sabalenka não chegar nas oitavas.
– Sabalenka tem trajetória teoricamente exigente, com Ostapenko, Alexandrova, Anisimova ou Svitolina no caminho das semifinais. A outra vaga tem favoritismo de Jessica Pegula.
– Rybakina não tem tido boa sequência no circuito e pode ter Andreeva ou Osaka nas quartas. No outro quadrante, Gauff e Noskova são as favoritas.
– Bianca Andreescu e Venus Williams entraram com convite dos organizadores.
– A melhor história da semana é a russinha Kristina Liutova, de apenas 16 anos, que chega à final de Memphis logo em seu primeiro torneio de nível WTA. Ela tenta repetir o feito de Maria Timofeeva, campeã de Budapeste em 2023 em seu debute no circuito.









Se o Jão for a 20, Jodar vai a top 8.
O problema do Fonseca é a falta de ritmo de competição,joga poucos torneios,Tien e Jodar que jogam com normalidade já romperam o top 20, funciona assim, pra subir no ranking tem que pontuar e para pontuar precisa disputar os torneios, simples assim
E esse “esquisito” qualy de Montreal foi mais uma oportunidade q o Heide decidiu rifar.. sinceramente é difícil entender a falta de interesse geral dos BRs de encararem os qualys dos torneios ATP de primeira linha qnd tem oportunidade.. o risco de uma derrota no Q1 n deveria ser o problema, uma vez q eles correm esse risco tbm em basicamente qlqr torneio de nível Challenger..
“Fato curioso e que não pode ser ignorado é que Learner Tien figura há algum tempo entre os 20 mais bem colocados e o espanhol Rafael Jodar acaba de entrar para essa faixa com a espetacular campanha em Washington, que o leva ao 15º posto. Que isso não seja cobrança nem pressão, mas motivação para Fonseca” …
A cobrança/pressão n é para o Joao alcançar uma faixa X do ranking em tal momento e sim do fato desses dois colegas de Next Gen terem praticamente o dobro de partidas disputadas q o Fonseca em 2026 sem q o BR tenha tido algum longo período de lesão q justifique isso.. será q o staff de todo mundo é q está errado e os únicos q entendem de tenis no planeta são os “cariocas da gema” da Yes Tennis?
Achei a chave do João bem exigente. Vou acompanhar sem grandes expectativas. Vamos jogo a jogo. E acredito sim que a ascensão do Jodar coloca pressão no João. Jogador da mesma geração 2006 que apareceu como um foguete esse ano e já o atingiu rankings que o João não conseguiu
Estou positivamente impressionado com a russinha de tenros 16 anos que tem tido uma semana inacreditável, a Liutova. A garota tem um mental absurdo. E penso que será a favorita na final já que vem jogando absurdamente bem e está embalada. Futura top 10, arrisco dizer…