Wimbledon: “a grama é para as vacas”… tradição e modernidade

Uma frase emblemática: “a grama (pasto, uma forma usada em espanhol) é para as vacas”. É folclórica, não se sabe o verdadeiro autor, mas para mim foi colocada como do argentino Guillermo Vilas, depois de um título em Roland Garros. Confesso que a primeira vez que ouvi foi com a espanhola Arantxa Sanchez. Ela havia vencido, de forma surpreendente, o troféu do Grand Slam francês diante da alemã Steffi Graf, em uma final que ninguém creditou qualquer possibilidade. Lembro que colegas espanhóis estavam ‘sofrendo’ com a perspectiva de a jovem tenista tomar um 6/0 e 6/0. Não foi o que aconteceu, é claro. Mas para explicar essa situação, seja em que torneio for ao redor do mundo, sempre que existir um repórter britânico, invariavelmente, virá uma pergunta sobre Wimbledon. E, olha só, Arantxa festejando uma vitória histórica e veio a questão sobre como jogar na grama. A resposta soou como um desprezo à tradição do torneio londrino. Afinal, os especialistas no saibro, na época, não tinham muita experiência ou gostavam da superfície de Wimbledon.

Acho que vale sempre lembrar que há um bom tempo dos quatro torneio do Grand Slam três eram disputados em quadras de grama, única exceção para Roland Garros. O US Open foi o que mais se “modernizou” passando por várias superfícies – entre elas o Har-Tru – até chegar ao que é hoje. Com Wimbledon o conservadorismo sempre imperou. Afinal, foi o último torneio a trocar as antigas bolas brancas pela as atuais amarelinhas. Segue até hoje exigindo o branco como cor dominante no uniforme dos tenistas e, é claro, jamais pensou, como os outros dois Slams (US Open e Australian Open) em trocar a superfície.

Peço a permissão para abrir um parêntese sobre as bolas brancas. Há muitos anos, no então Clube Tietê, em São Paulo, existia um torneio muito famoso e concorrido, o “Noturno do Tietê”. O símbolo da competição era uma coruja, que a gente tinha na camiseta e até um chaveiro muito bacana. Eu jogava (???) no clube ao lado, o então Floresta, hoje Espéria. A iluminação do noturno não era assim como luz de led e com a bolinha branca suja de saibro tornou-se o império dos ‘garfadores’. Mas valeu… sempre uma experiência e aprendizado. Uma escola de como participar de competições.

Voltando aos grandes eventos, Wimbledon, apesar de todo conservadorismo, não hesitou, por questões óbvias, em mudar as características do jogo e construir uma quadra coberta. É lógico que fazendo inveja aos rivais franceses, pois Roland Garros, em impasses municipais e de opinião pública, demorou muito para cobrir a PC. Isso mostra que o Grand Slam inglês jamais se opôs as modernidades, mas sem esquecer suas tradições.

Wimbledon é o jardim de tênis mais bonito do mundo. Andar pelas alamedas do All England Club é um privilégio. Digo isso, pois li umas reportagens em que colocavam os ingressos do torneio inglês com preços exorbitantes. Não sei se sofisticar demais o acesso ao público seja bom ao esporte. Mas, enfim, é o que vi na mídia internacional.

Por outro lado, Wimbledon é hoje o torneio que mais abre as portas para a interatividade. Neste ano, o app do torneio vem com novidades excepcionais em que colocam a gente muito próxima do evento. É, na verdade, a tradição ao lado da modernidade.

PS. no meu Instagram @chiquinholmoreira coloquei uma foto do que recebíamos quando chegávamos para retirar a credencial. Tenho algumas pastas destas, bem mais conservadas e bonitas, mas chamou atenção o conteúdo, com dezenas de camisetas de Roland Garros, que logo irei expor.

 

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Mauro
Mauro
1 dia atrás

O chileno Marcelo Rios foi o autor da frase, dita em entrevista após derrota em primeira rodada

Haroldo
Haroldo
3 dias atrás

Sou fã do torneio na grama, vide que AO e USO começaram nelas. Ir para o Hard e ter vários torneios assim é americanizar o tenis , mas acho bom, pois o tenista fora da curva tem que saber jogar nos 3 pisos. Parabéns pelo texto e deixem as vacas pastarem tb…rsrsr

Sérgio Ribeiro
Sérgio Ribeiro
4 dias atrás

Correção: Nastase N 1 73 ; Connors N1 74 . Abs !

Sérgio Ribeiro
Sérgio Ribeiro
4 dias atrás

Então, caro Chiquinho. A lenda que Guillermo Vilas mandou o famoso ” Grama é para vacas ” , juro que nunca engoli . Dos seus 4 SLAM , o grande Saibrista levou a metade na relva , e de quebra um ATP Finals para cima do então N 1 Ilie Nastase, em disputadíssimos 5 Sets, também nesta superfície em 1974 . É fato que jamais levou Wimbledon, mas levou tao somente, 1 RG . Ao contrário, Ivan ” o Terrível” Lendl mandou : ” Trocaria meus Títulos em RG , por apenas um no All England Club” . Ou seja , cada um acredita no que quiser…rs. Abs !

NFdS
NFdS
4 dias atrás

Para mim, essa frase sempre foi do grande Ivan Lendl.

Jornalista especializado em tênis, com larga participação em diversos órgãos de divulgação, como Grupo Bandeirantes de Comunicações, TV Globo, SporTV e o jornal Estado de S. Paulo. Revela sua experiência com histórias de bastidores dos principais torneios mundiais. Já cobriu mais de 70 Grand Slams: 30 em Roland Garros; 22, no US Open; 18 em Wimbledon; e 5 no Australian Open.
Jornalista especializado em tênis, com larga participação em diversos órgãos de divulgação, como Grupo Bandeirantes de Comunicações, TV Globo, SporTV e o jornal Estado de S. Paulo. Revela sua experiência com histórias de bastidores dos principais torneios mundiais. Já cobriu mais de 70 Grand Slams: 30 em Roland Garros; 22, no US Open; 18 em Wimbledon; e 5 no Australian Open.

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