Num jogo inacreditavelmente equilibrado — superior, no meu entender, ao da final do Australian Open — Elena Rybakina e Aryna Sabalenka deram um verdadeiro show no BNP Paribas Open. Entre saques potentes e winners fulminantes, as duas melhores tenistas da atualidade protagonizaram um espetáculo capaz de encantar até quem ainda não se rendeu aos encantos do tênis feminino.
A final russa de Indian Wells segue mostrando a força do tênis do leste europeu. Nascida na Rússia, mas hoje representante do Cazaquistão, Elena Rybakina é mais um exemplo dessa tradição. O país tem acolhido esportistas oferecendo financiamento e estrutura para o desenvolvimento das carreiras — como ocorre também com Yulia Putintseva, Anna Danilina, Alexander Bublik e outros.
Enfim, na quadra, a diferença foi de apenas dois pontos, que revelaram quem vai surfar na onda dos primeiros lugares do ranking mundial neste novo ano.
Indian Wells é um dos maiores torneios do calendário. Respeitado e querido pela maioria dos tenistas, abriga o segundo maior estádio de tênis do mundo, é campeão em inovações tecnológicas e pioneiro nesse sistema alongado de duas semanas de competição — características que lhe renderam a fama de “quinto Grand Slam”.
Palco também de sérias polêmicas envolvendo o tênis feminino, o torneio amargou a ausência das irmãs Serena e Venus Williams por 14 anos. Vítimas de racismo e vaias, a família foi acusada de manipulação de resultados — assunto que comentei na coluna do ano passado.
Para engrossar o caldo, estive lá no ano que surgiu o inapropriado comentário, em 2016, feito pelo sul-africano Raymond Moore, ex-tenista e grande duplista, que era havia 12 anos diretor do torneio. Ele afirmou em entrevista que as jogadoras da WTA deveriam “agradecer aos jogadores homens”, porque o tênis feminino “se apoiava no sucesso do masculino”.
Desnecessário dizer que as declarações geraram fortes reações no mundo do tênis, resultando em sua “renúncia” ao cargo, hoje ocupado pelo alemão Tommy Haas, ex-número dois do mundo, que trouxe para sua gestão maior exposição ao tênis feminino.
Polêmicas à parte, o circuito segue agora para o Miami Open, com a expectativa de novos e emocionantes duelos.
Indian Wells, por sua vez, reafirma seu lugar na história do tênis mundial — trazendo mais uma revanche dentro e fora das quadras.







