A ótima fase vivida por João Fonseca na elite do circuito profissional inspira os vários juvenis brasileiros na disputa do Roland Garros Junior Series, em São Paulo. Fonseca já venceu a competição em 2022, quando tinha apenas 15 anos, classificando-se para um Grand Slam pela primeira vez. A trajetória do carioca, hoje com 18 anos e ocupando o 59° lugar do ranking da ATP, serve como um modelo a seguir, mas os jovens jogadores estão cientes do quanto o caminho é longo e de que cada jogador tem o seu tempo.
O torneio está sendo disputado nesta semana na Sociedade Harmonia de Tênis, em São Paulo, e vai até próximo domingo, com 32 tenistas com até 17 anos de 10 países da América Latina. Os campões se classificam para o torneio juvenil de Roland Garros, em Paris.
“É muito legal saber que o João já venceu um torneio igual a esse e conseguiu a vaga em Roland Garros. Foi em um desses torneios que o mundo conheceu quem era o João. Então a gente sabe que essa semana abre muitas portas e fico muito feliz de ter essa oportunidade”, disse o mato-grossense Leonardo Strock, de 16 anos e que treina na Rio Tennis Academy, em entrevista a TenisBrasil.
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A admiração pelo atual número 1 do país também foi destacada pelo brasiliense Pedro Chabalgoity, de 17 anos, e pelo mato-grossense Livas Damazio, de apenas 15, atletas do Rede Tênis Brasil. “O João é um cara totalmente de outro mundo. E aqui foi o torneio onde ele começou a estourar. É muito bom ter a chance de poder seguir o caminho que ele fez”, disse Chabalgoity.
Livas acrescentou: “O resultado dele inspira muito e faz acreditar que dá para chegar. Mas o que o João fez, ele fez. Quero trabalhar muito para chegar onde ele chegou. Sei que é duro. O cara ganhou o Next Gen com 18 anos e não é qualquer que fez, mas saber que ele já passou por aqui mostra que a gente não está tão longe”.

Audiência qualificada: Juan Martin del Potro
Outra fonte de inspiração é a presença de Juan Martin Del Potro, que assiste aos jogos de perto. Ex-número 3 do mundo e campeão do US Open em 2009, o argentino é o embaixador do evento e está durante toda a semana em São Paulo. Além de acompanhar as partidas, Delpo também participou de palestras e deu conselhos aos mais jovens. E os jovens tenistas querem fazer bonito na frente do ídolo.
Há duas temporadas, Chabalgoity teve a oportunidade até de bater bola com o argentino. “No começo dá um nervosismo a mais, mas a gente sabe que ele sentiu a mesma coisa quando tinha a nossa idade. Mas é como ele disse, nessa semana a gente tem que aproveitar ao máximo”.
Storck também comentou sobre a sensação de ter um campeão de Grand Slam tão perto da quadra, mas reforça que é preciso manter o foco. “Tem uma tensãozinha a mais… Hoje ele ficou bastante tempo assistindo o meu jogo e comecei um pouco nervoso: ‘Poxa, o Del Potro vendo o meu jogo!’ Mas estava jogando bem, estava solto. E uma hora a gente fica tão focado que esquece quem está fora da quadra”, comentou após sua segunda vitória na fase de grupos da competição.

Del Potro acompanha o torneio na capital paulista pelo terceiro ano consecutivo. Na temporada passada, viu de perto as conquistas de Guto Miguel e Nauhany Silva e destacou as boas atuações dos dois jovens talentos brasileiros. Falando a TenisBrasil, o argentino também falou sobre o ambiente do evento e sua importância para o amadurecimento dos jovens tenistas.
“Gosto muito de vir aqui porque é um evento que vou conhecendo os futuros profissionais, fiquei impressionado com Guto e Naná no ano passado. Este ano também temos um bom nível de jogadores e é uma semana muito especial para eles. Eles vivem como profissionais por toda a organização e pelo nível do torneio e gosto de acompanhá-los”, comentou o argentino de 36 anos, que inaugurou recentemte sua própria academia, em Miami.
Ambiente de torneio profissional
O torneio classificatório para o Grand Slam francês também se diferencia da maioria dos eventos que esses tenistas estão acostumados a disputar por conta das transmissões de TV, da presença de grande público na quadra central, dos compromissos com imprensa e a convivência com grandes nomes do esporte.
“Eu falo que essa é a melhor semana do ano. É uma experiência incrível, entrar na quadra central e ter os jogos transmitidos. Então, a família que está em casa e mora longe pode assistir o jogos. É uma pressão muito boa de sentir. E a gente se sente como profissional aqui dentro, pela estrutura e como somos tratados”, disse Storck.

Chabalgoity acrescenta: “E uma semana muito especial. A gente é juvenil e não tem muitas semanas como essa no ano. É um desafio a mais de jogar com muita gente vendo e televisão. Mas essas são situações que todo tenista bom vai enfrentar e quando antes a gente a gente começar a se preparar para essa atmosfera é muito bom”.
Livas destacou a estrutura oferecida, em comparação com os torneios de menor escalação do tênis profissional, que eles acabam participando durante o período de transição. “Acho que esse torneio é melhor do que muitos torneios profissionais que eu fui, como futures aqui no Brasil ou challenger no Paraguai. Esse torneio tem uma baita estrutura, a comida é muito boa, tudo é muito bom. Vai ser duro desacostumar”, comentou.
O jovem mato-grossense já teve uma experiência de estar um Grand Slam, disputando a chave de 14 anos de Wimbledon no ano passado. “É muito perto que você fica dos profissionais. Estava no vestiário junto com o Carlos Alcaraz e o Daniil Medvedev. Claro, a nossa realidade é totalmente diferente. Mas vê-los jogando dá mais vontade de chegar a esse nível e jogar contra eles um dia”.
O torneio ser sediado no Brasil e não ter o Rei de Roland Garros vulgo Gustavo Kuerten como embaixador é inexplicável.
Precisamos imaginar a questão financeira, Paulo. Os cachês do Guga são muito altos.
Poxa se Roland Garros estiver passando necessidade a gente faz uma vakinha pra ajudar. Tô brincando José Nilton. Mas falando sério, talvez vc saiba os valores: é tão exorbitante assim a diferença entre o cachê do Guga que mora no Brasil pro cachê do Del Potro e da Sabatini que vem de outro país ?
Para você ter uma ideia de como é diferente, Del Potro também substituiu Guga na cerimônia de premiação do Rio Open. E o Guga estava no Rio na sexta-feira.
Mário Sérgio,
Como foram escolhidos os participantes do Roland Garros Júnior’s Séries que está sendo disputado em São Paulo.
Muito estranho, pois tem participantes com rankings muito inferiores em relação a outros que estão fora do torneio.
Em cada chave, são 10 vagas com base no ranking da ITF, duas para o ranking de 16 anos da Cosat, um convite para o México e mais três convites entre FFT e Cosat também.
E é bom destacar também que há uma limitação de idade diferente, entre janeiro de 2008 e dezembro de 2011. Então os tenistas de 2007 e que estão no último ano de juvenil já não ficam mais elegíveis.
Ok
Estranho alguns convites, por exemplo do Guilherme do Val, que desistiu esse ano, havia ganho WC ano passado, e esse ano ganhou de novo, mesmo sendo 3.400 do ranking, enquanto temos Felipe Mamede 2009 top 600, não ganhou convite entre outros….
Os convites no Brasil não segue uma lógica…
Se segue deve ser pra quem paga mais
Os WCs tem que ser para jovens promissores, infelizmente não é o que acontece
O que vc acha disso Dalcim?
Nos Challengers é a mesma coisa…
Acho que na maioria das vezes os convites são coerentes. Quando vemos um nome um tanto desconhecido ou destoante, temos que saber que existe acordo entre o promotor e a CBT e muitas vezes com o clube promotor para que essas entidades indiquem seus convidados.