Brisbane (Austrália) – Prestes a iniciar a temporada 2026, Nick Kyrgios adotou um discurso cauteloso ao falar sobre seu retorno ao circuito. Em entrevista coletiva na véspera de sua estreia na chave de duplas do ATP 250 de Brisbane, o tenista australiano destacou que não traçou metas esportivas para as próximas semanas e deixou em aberto a possibilidade de disputar o Australian Open, mesmo com a expectativa em torno de um possível convite.
Ausente do circuito por longos períodos nos últimos anos em função de lesões, Kyrgios afirmou que encara este início de temporada com uma mentalidade diferente, mais voltada ao momento e à resposta do próprio corpo. Segundo ele, a experiência recente o fez abandonar planos de longo prazo e tratar cada semana como um teste.
“Depois de todas as lesões que tive nos últimos anos, você entende como tudo pode ser tirado de você muito rapidamente. Então estou levando dia a dia. Não estabeleci metas. Quero sair de quadra feliz com o que eu fizer”, afirmou.
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Campeão em Brisbane em 2018, o anfitrião ressaltou o vínculo especial com o torneio e com o verão australiano, destacando a oportunidade de voltar a competir em casa como algo significativo neste momento da carreira. Ainda assim, evitou associar seu retorno a qualquer tipo de cobrança por resultados ou troféus.
“Não me importo com ranking, não me importo com títulos. Quero ir lá, competir e entregar um bom espetáculo para o público. No fim das contas, é assim que eu acho que vou ser lembrado: como alguém caótico, mas um entretenedor”, disse.
Corpo responde, mas cautela segue como prioridade
Questionado sobre as condições físicas, Kyrgios adotou um tom realista. Embora tenha afirmado que se sente melhor do que há um ano, lembrou que nenhum jogador inicia a temporada em estado ideal.
“Estou me sentindo o melhor possível dentro do contexto. Ninguém aqui está 100%. Todo mundo carrega milhas no corpo. Tenho jogado um bom tênis e, pessoalmente, me sinto melhor do que no ano passado. Acho que muito estresse saiu da minha vida”, avaliou.
O australiano também destacou que o período longe das competições acabou exigindo ainda mais dedicação ao tênis, com foco em reabilitação, preparação física e treinos, o que, segundo ele, torna o processo mentalmente mais desgastante do que a própria rotina de jogos no circuito.
“Acho que você joga mais tênis e se dedica mais quando não está saudável. Quando você está saudável, você literalmente joga uma partida, vai ao fisioterapeuta e volta para o hotel. É bem simples. Mas quando você está gerenciando a carga de trabalho, fazendo reabilitação, malhando, condicionando o corpo e jogando na quadra, você acaba fazendo mais coisas. Sinto que é mais estressante e exige um envolvimento mental maior”, explicou.
Melbourne fica em segundo plano
Um dos principais temas da coletiva foi a possibilidade de Kyrgios receber um convite para o Australian Open, que começa em poucas semanas. O próprio jogador, no entanto, fez questão de relativizar o assunto e afirmou que só pretende disputar o primeiro Grand Slam do ano se sentir que pode competir em alto nível e entregar um bom espetáculo ao público.
“Estou jogando este torneio porque quero competir. Quero provar para mim mesmo que ainda posso jogar nesse nível depois das lesões. Se eu sair desta semana me sentindo bem, achando que posso ir ao Australian Open e realmente aproveitar, ótimo. Mas, se não for capaz de oferecer a experiência Kyrgios, prefiro que a oportunidade vá para alguém que esteja em plena forma”, admitiu.
Kyrgios ainda lembrou episódios do início da carreira para justificar a cautela ao falar sobre convites, citando a importância de wildcards para jovens jogadores em ascensão e dizendo que não gostaria de ocupar um espaço se não estiver plenamente preparado.
“Não quero ser aquele jogador que tira oportunidades de jovens que vêm trabalhando duro para chegar a esse momento de receber um convite. No passado, o [John] Millman abriu mão do convite dele para mim em Roland Garros, quando ele estava lesionado e não se sentia 100%, e foi aí que tudo começou para mim, toda a minha carreira”, recorda.
Mesmo sem esconder o orgulho pelo impacto que ainda gera no circuito, o australiano deixou claro que, neste momento, sua principal motivação é pessoal. “É curioso, porque continuo sendo um dos jogadores mais comentados, mesmo tendo jogado muito pouco. O último mês foi insano, com ginásios lotados em vários lugares. Tenho muito orgulho disso, mas agora quero apenas voltar a competir e ver até onde meu corpo me permite ir”, concluiu.











Parece que Nick está começando a amadurecer. Se estiver em plena forma é jogador top 10!
Se estiver bem ele joga (e muito), se precisar “estressar” com treinos e/ou cuidar de lesões fica chato. Tem um tênis de primeira, mas sempre preferiu ser show man. Não é critica, é fato. Adoro assistir aos jogos dele, mas não o vejo levando o circuito a sério, a opção é outra.
Sempre torci pra ele. Esse cara já poderia ter ganhado 2 Slams tranquilamente. Uma pena.