Oitavas de final masculinas começam nobres

O Australian Open 2026 definiu as quatro primeiras partidas de oitavas de final da chave masculina e a promessa é se ter jogos de grande qualidade no domingo.

O número 1 Carlos Alcaraz passou com firmeza, mas com muita correria, pelo canhoto Corentin Moutet e terá agora pela frente o sólido jogo de base de Tommy Paul. “Nunca corri tanto atrás de curtinhas, chegou um momento em que parecia uma competição de drop shots… e ele venceu”, afirmou o espanhol, que confirmou o irmão Álvaro como segundo treinador de sua nova equipe. Paul teve pouquíssimo trabalho contra o limitado Alejandro Davidovich – sentiu fisgada na coxa e abandonou – e tem retrospecto negativo de 2-5 contra Alcaraz, mas os quatro jogos sobre piso duro foram equilibrados.

Alexander Zverev outra vez começou mais lento antes de dominar o canhoto Cameron Norrie. Enfrentará no domingo o argentino Francisco Cerúndolo, que está jogando muito em Melbourne e novamente passou por Andrey Rublev exibindo saque e forehand como pontos altos. E vale lembrar que Cerúndolo leva 3 a 2 no histórico contra o alemão, embora todas as vitórias tenham sido sobre o saibro e as derrotas, no piso duro. Ele vai contar, é claro, com a ruidosa torcida argentina.

Na edição em que o jejum australiano de títulos masculinos chega a 50 anos, Alex de Minaur é mais do que nunca a esperança. Fez sua melhor partida da primeira semana contra Frances Tiafoe, numa batalha de pesados golpes da base, porém reencontrará o perigosíssimo Alexander Bublik, para quem perdeu os dois confrontos de 2025. Muito concentrado, o cazaque tirou o máximo do primeiro saque e dos toques sutis num jogo de três sets equilibrados contra Tomas Etcheverry. Vai certamente fazer o possível para não dar ritmo ao australiano, que chegou à segunda semana em nove de seus últimos dez Slam.

Talvez o grande jogo de domingo, no entanto, seja entre Daniil Medvedev e Learner Tien. Três vezes finalista, o russo esteve nas cordas contra o húngaro Fabian Marozsan, evitando uma quebra que seria desastrosa no final do terceiro set e aí então partiu para uma espetacular virada, a quinta de sua carreira após perder os dois sets iniciais. “Não gosto de enfrentar o Tien e ele não gosta de jogar contra mim. Perdi duas vezes para ele, mas saquei para a vitória em ambos. Vão ser longos e brutais ralis”, antecipou Medvedev. O garoto norte-americano superou Nuno Borges com direito a lance sensacional.

Trabalho duro para Sabalenka e Gauff

Aryna Sabalenka reconheceu ter feito uma partida emocionalmente instável e isso explica os dois tiebreaks que teve de encarar contra Anastasia Potapova, sem falar nos set-points evitados na segunda parcial. A bicampeã se deu crédito pelo espírito de luta, mas sabe que precisa ser mais consistente para não levar sustos frente à jovem Victoria Mboko nas oitavas de final. A canadense, que era top 300 um ano atrás, repete a compatriota Eugénie Bouchard no torneio de 2015.

Em duelo de amigas de infância, Coco Gauff obteve boa vitória em cima de Hailey Baptiste e se aproxima do esperado confronto diante de Mirra Andreeva. Mas não será tão simples assim, já que as duas encaram tenistas cheias de recursos no domingo: Gauff pega Karolina Muchova, sobre quem tem 4 a 0, e a russa terá pela frente a experiência de Elina Svitoliina, três vezes quadrifinalista no torneio, incluindo o ano passado.

Pequena surpresa na queda de Jasmine Paolini para a ascendente Iva Jovic, que marcou sua primeira vitória sobre uma top 10. A italiana contou ter sofrido com problemas estomacais e assim demorou para reagir no segundo set. Jovic, de 18 anos e já de olho no top 20, enfrentará Yulia Putintseva. A cazaque que tirou Bia Haddad venceu Zeynep Sonmez em jogo duríssimo e reclamou do comportamento da torcida turca: “Tossiam ou gritavam entre os saques ou quando eu ia bater na bola, foi desrespeitoso”. Daí, se vingou com comemoração efusiva

Outra grande vitória dos gaúchos

A expectativa de que o retorno da parceria entre Rafael Matos e Orlando Luz seria uma boa ideia segue se confirmando. Os dois voltaram a derrubar fortes adversários, desta vez os cabeças 5 e campeões do Finals de 2024, os alemães Tim Puetz e Kevin Krawietz, em sets diretos. Podem reencontrar nas oitavas os mesmos Yuki Bhambri e Andre Goransson que venceram há poucos dias.

Luísa Stefani e a canadense Gabriela Dabrowski justificaram o amplo favoritismo, tiraram Emiliana Arango 🇨🇴 e Elsa Jacquemot sem sustos e agora pegam adversárias de respeito, as cabeças 9 Cristina Bucsa e Nicole Melichar. Não tem jeito, daqui para frente só pintarão pedreiras.

Pouco depois, Stefani e o salvadorenho Marcelo Arevalo estrearam muito bem como cabeças 2 nas mistas. Jogam agora contra Evan King e Asia Muhammad. Bem ganhável.

E mais

– Medvedev deu divertida entrevista a Mats Wilander. Primeiro, interrompeu a pergunta para comer uma barra de proteína, depois contou que viu o sueco pertinho da quadra no final do terceiro set e aí compreendeu que ele estava ali porque o jogo poderia acabar. Por fim, contou que viu no telão a vitória de Tien justamente quando ainda estava bem atrás do placar.
– Jim Courier colocou De Minaur no aperto, ao cobrar dele uma data de casamento com Katie Boulter. O australiano desconversou, mas mandou a mensagem no final.
– A rodada viu lance genial de Marozsan e mas também um tenebroso de Davidovich, digno de domingueiro.
– Alcaraz chegou a 100 partidas de Slam na carreira com 87 vitórias e igualou a marca de Bjorn Borg, ambos superiores a Nadal e McEnroe (86). Com a mesma centenária quantidade, Federer ganhou 80 e Djokovic, 79.
– As outras quatro partidas de oitavas serão definidas entre a noite de sexta e o sábado, com previsão de 37 graus e por isso a programação começará 20h30 (de Brasília).
– Pode dar Musetti-Fritz, Mensik-Djokovic, Shelton-Ruud e Sinner-Khachanov, mas há muita gente correndo por fora, como Tomas Machac, Valentin Vacherot e Marin Cilic.
– No feminino, a expectativa é de Iga Swiatek e Naomi Osaka confirmem duelo direto na quarta rodada. Elena Rybakina, Jessica Pegula e Amanda Anisimova são favoritas contra adversárias não cabeças de chave. A campeã Madison Keys pode ter trabalho se Karolina Pliskova tiver físico.

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eduardo spacca
eduardo spacca
3 meses atrás

Patética a Putintseva

Vinicius
Vinicius
3 meses atrás

quem estava aqui na semifinal de roland garros 2023 e viu o carlos morrendo de caimbra sem tentar mecanismo nenhum pra cima do oponente, sabe quem de fato é o melhor do mundo :)

Paulo Pauli
Paulo Pauli
3 meses atrás

Corrigindo
Os 32 cabeças de chave foi instituído em WB 2001, mas desde lá é a 1° vez que isso acontece, todos os 16 jogadores do masculino estão entre os 32 cabeças de chave, 12 entre os 16 e 4 entre os 32

Guilherme
Guilherme
3 meses atrás

Enormes vaias da multidão quando Elliot Spirrizi, número 85 do ranking mundial, vence o primeiro set por 64 contra o atual campeão Jannik Sinner.

Sinner foi eleito o jogador mais popular do ano pela ATP nos últimos dois anos, mas parece que todo mundo está torcendo para Elliot?

Paulo Pauli
Paulo Pauli
3 meses atrás

Bom dia Dalcin

Uma marca impressionante aconteceu hoje com a vitória de Ruud

Vai ser a 1° vez desde RG 2009 quando foi instituído os 32 cabeças de chave, que todos os tenistas nas oitavas estão entre os 32 cabeças de chave

Bruno
Bruno
3 meses atrás

E o Stan the man ,hein?
E lembrar que tinha um aqui que o chamava de magistral ,(ironicamente)

Rodrigo S. Cruz
Rodrigo S. Cruz
3 meses atrás

Atenção, pessoal:

estou nesse momento embasbacado com a atuação de gala do Stan Wawrinka até aqui.

Parece até aquele Wawrinka dos bons tempos.

Neste exato momento, ele lidera o 2° set por 4 games a 2.

E apesar de ter perdido a 1° parcial, por muito pouco, no tie-break, a atuação dele foi quase impecável:

poucos erros, chega bem em todas as bolas, bate com equilíbrio e sem afobação, e o saque afiadíssimo – 95% de acerto com o 1° serviço!

Acho que se mantiver esse volume de jogo tão alto, deverá sair de quadra com a vitória.

Sério. Faz muito tempo mesmo que eu não via o Stan jogar tão bem!

Tomara que ele não perca esse gás.

Última edição 3 meses atrás by Rodrigo S. Cruz
Sérgio Ribeiro
Sérgio Ribeiro
3 meses atrás

Inacreditável. Jogando muito mal , Jannik perde o primeiro Set . No segundo ainda muito abaixo, consegue uma quebra e vence. No terceiro com 1 x 2, trava tudo . Câimbras até no braço. Temperatura de 35 graus e atendimento, não consegue caminhar e 1 x 3 . As quadras interrompidas devido ao Calor extremo. Teto fechado, jogo em Indoor. Daí até o final, 56 Winners , 51 Enfs , e a vitória improvável. Se não caiu hoje … Abs !

Evaldo Moreira
Evaldo Moreira
3 meses atrás

Que vergonha hein, porque que não fecharam o teto !? Condições desumanas na quadra e para o público .

Sinner se arrastando em quadra .

Paulo Sérgio
Paulo Sérgio
3 meses atrás

Já vi jogador burro, mas esse Spizziri é demais. Sinner mal fisicamente e o cara só joga a bola no meio da quadra e errando quase tudo.

Paulo Sérgio
Paulo Sérgio
3 meses atrás

Absurdo. Suspenderam o jogo para beneficiar Sinner. Coisa mais ridícula que vi no tênis. O americano riu com a palhaçada armada para beneficiar o número 2.

Paulo Sérgio
Paulo Sérgio
3 meses atrás

Sinner demora uma eternidade para sacar, toda hora vai para o boxe e o juiz não dar penalidades? Absurdo o privilégio do italiano.

Helena
Helena
3 meses atrás

Dalcim,

Essa limitação citada do Fokina seria técnica ou mental? Kkkkkkk

Porque golpes ele tem, agora essa cabecinha…. socorro

Sérgio Ribeiro
Sérgio Ribeiro
3 meses atrás

Então Dalcim. TênisBrasil deu Borg e Alcaraz empatados com 87 Vitórias em 100 partidas de SLAM , e o Post mandou acima, 88 a 87 para Sueco. Qual está valendo? . Abs !

Sérgio Ribeiro
Sérgio Ribeiro
3 meses atrás
Responder para  José Nilton Dalcim

Obrigado. São números impressionantes mesmo . Abs !

Gabriel Potin
Gabriel Potin
3 meses atrás

Learner freguês do Joao. O resto é história. Kkk
Trajetórias de vida e esporte completamente diferentes dos dois. Assim como o jogo dos dois é muito diferente. Comparar mamão com banana funciona melhor.

Ramiro
Ramiro
3 meses atrás

A “ruidosa torcida argentina”… e… falando em torcida ruidosa… saudades da t. brasileira… (cadê? ah sim, deve estar por Itajai).

Ramiro
Ramiro
3 meses atrás

ah sim…. a Putintseva é desagradável mesmo, como já falou a Sakkari na cara dela (no UsOpen/2025) “ninguém gosta de vc no circuito”… e essa “comemoração efusiva” ela já tinha ensaiado contra a torcida brasileira (na vitória contra a Bia, neste torneio)

Paulo A.
Paulo A.
3 meses atrás
Responder para  Ramiro

Foi memorável a Sakkari mandar ela se ferrar, em alto e bom som. Ela de fato é muito antipática e mal educada. Mas sabe jogar com os recursos que possui.

Aurélio Coimbra
Aurélio Coimbra
3 meses atrás

Olá Dalcim
Obrigado pelos comentários sempre precisos
Como curiosidade, o Guga chegou a 100 jogos em GS? Quantas vitórias ele obteve?
Obrigado

Alison Cordeiro
Alison Cordeiro
3 meses atrás

A precocidade de Alcaraz é impressionante.

Existir Sinner faz com que ele precise se aprimorar, e considerando que ele tem um caminho longo de potencial crescimento, as perspectivas do que ele pode alcançar são infinitas.

O maior adversário dele será o físico e a motivação. O Big 3 teve altos e baixos no físico, especialmente Rafa, mas nunca faltou motivação a eles. Estavam sempre buscando se superar. Mas chega um ponto da carreira de um grande campeão que é insano continuar fazendo o mesmo esforço para ganhar quando a vida começa a cobrar a conta da intensidade.

Enquanto isso, vale a pena curtir ele em quadra. O garoto é genial.

Berg
Berg
3 meses atrás

Alcaraz voando e batendo recordes. O espanhol quer muito o Slam que tá faltando no seu currículo. Se o Bublik aparecer na sua frente o confronto tende a ser perigoso. Mas me parece que o Espanhol vai chegar forte na final.

Paulista de 63 anos, é jornalista especializado em esporte há mais de 45 anos, com coberturas em Jogos Olímpicos e Copa do Mundo. Acompanha o circuito do tênis desde 1980, tendo editado a revista Tênis News. É o criador, proprietário e diretor editorial de TenisBrasil. Contato: joni@tenisbrasil.com.br
Paulista de 63 anos, é jornalista especializado em esporte há mais de 45 anos, com coberturas em Jogos Olímpicos e Copa do Mundo. Acompanha o circuito do tênis desde 1980, tendo editado a revista Tênis News. É o criador, proprietário e diretor editorial de TenisBrasil. Contato: joni@tenisbrasil.com.br

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