Matheus Dalcim, do Rio de Janeiro
Especial para TenisBrasil
A eliminação na estreia da chave principal do Rio Open foi difícil de digerir para Igor Marcondes. Depois de abrir 6/4 e 4/2 sobre o peruano Ignacio Buse, o paulista sofreu a virada e deixou a quadra lamentando a oportunidade perdida. Ainda assim, o discurso na zona mista foi de maturidade, aprendizado e perspectiva positiva para a sequência da temporada.
“Foi uma passagem muito boa, de muito aprendizado e também, depois desse jogo, muito dolorida. Estava jogando bem, mas acabei sentindo um pouco no segundo set, estando na frente e sacando”, afirmou o canhoto de 28 anos.
Mesmo abatido pela derrota, Marcondes destacou o peso das experiências vividas no Jockey Club Brasileiro. “Essa semana eu tive muitas experiências novas, muitas primeiras vezes. Primeiro quali de ATP 500, primeira vez jogando o Rio Open. É um pouco difícil de falar, ainda estou absorvendo o que aconteceu, mas acho que só tem coisa positiva para tirar da semana.”
O momento decisivo no segundo set
O ponto chave da partida desta segunda-feira veio no segundo set, quando o brasileiro tinha 4/2 no placar. A partir dali, Buse elevou o nível e mudou o rumo do confronto. O brasileiro reconheceu o mérito do adversário, mas também apontou sua própria oscilação.
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“Não acho que tive medo. Foi um pouco de mérito dele também, porque se não tivesse ele não teria me quebrado. Mas eu acho que senti um pouco, deixei de sacar (algo que eu estava fazendo desde o início do jogo), tive bolas novas, mas não consegui usar a favor”, analisou.
Ele também admitiu que o impacto emocional daquele game foi determinante. “Primeira bola titubeei um pouco, então acho que foi aquele game que atrapalhou. Ainda fiquei remoendo uns dois games essa quebra.”
Suspensão, amadurecimento e nova fase
A participação no torneio teve um significado ainda mais especial para Marcondes por conta do histórico recente. O brasileiro passou por uma suspensão de três após problemas relacionados a exame antidoping e voltou ao circuito em busca de reconstrução.
“Eu consegui fazer coisas nesses três anos que eu não conseguiria se estivesse jogando. Não que eu queria ter sido suspenso, mas das coisas ruins que acontecem temos que sempre tirar o lado bom”, refletiu.
Entre os aspectos pessoais, destacou transformações fora das quadras. “Provavelmente eu não teria conhecido a minha esposa, consegui passar mais tempo com meus pais e consegui amadurecer. No meu segundo ano de volta, poder jogar o Rio Open é uma grande oportunidade.”
Motivação e pés no chão para 2026
Apesar da frustração pela derrota, Marcondes demonstrou confiança no trabalho que vem sendo realizado. Para ele, a atuação competitiva contra um top 100 mostra que o caminho é promissor, ainda que distante do ideal.
“Acabou de começar o ano e deu para ver que dá para chegar. Não vou falar que estou nível, porque tem muitos fatores envolvidos, jogando em casa, torneio muito grande e torcida a favor, mas acho que a gente pode chegar lá. Não chegamos ainda, de jeito nenhum, mas estamos no caminho.”
O discurso reforça uma postura de evolução gradual. “É continuar fazendo o que estou fazendo, com pés no chão, absorver e sentir um pouco a derrota, porque eu acho que tem que sentir também, e amanhã já voltar a trabalhar. Não tem outro jeito.”
O caldeirão do Rio e a força da torcida
Um dos pontos mais marcantes da semana foi o apoio da torcida brasileira, que empurrou Marcondes desde o qualificatório. O jogador fez questão de valorizar o ambiente no Jockey Club.
“Com certeza vai ficar marcado, principalmente eu que não estou nesse circuito da ATP sempre. Tiveram momentos, desde a primeira rodada do quali, que eu dei caída, mas o caldeirão ferveu e acho que isso dá um gás a mais.”











