Nova Iorque (EUA) – Embora seja considerado um dos principais nomes da nova geração, Ben Shelton realiza temporada abaixo do esperado nos grandes torneios. Pai do canhoto, Bryan Shelton disse que o filho precisa dosar melhor sua agressividade para evitar momentos de autossabotagem.
Em entrevista ao podcast da ex-tenista Caroline Garcia, o também treinador do número 6 do ranking mundial espera que o atleta de 23 anos amadureça e passe a atuar com mais equilíbrio, principalmente nos grandes eventos.
“Como treinador, esse é o desafio de trabalhar com um jogador como o Ben, que é muito agressivo. Mas há momentos em que ele ultrapassa esse limite e acaba se autossabotando. Aí não consegue passar da segunda ou terceira rodada de um torneio”, explicou Bryan.
Ele acompanha a carreira de Ben Shelton desde a época do tênis universitário. Depois que o filho se profissionalizou, o pai voltou a integrar a equipe em tempo integral a pedido do próprio jogador.
“É difícil equilibrar as duas funções. Ao mesmo tempo em que sou pai de um jovem que ainda está amadurecendo, também sou seu treinador. Tento perceber quando ele quer falar sobre tênis e quando não quer. Respeitar esse limite é o que mantém nossa relação saudável”, confidenciou.
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Bryan Shelton também sabe que não pode colocar muita pressão sobre o filho, especialmente por ele ainda ser muito jovem. “Quero que ele entenda que isso é um jogo e que ele deve aproveitar a experiência. Quando ele percebe que eu continuo aproveitando o processo, ganhando ou perdendo, entende que não se trata apenas do resultado”, assegurou o técnico.
Bryan também falou sobre o valor da confiança. “É algo que vai e volta durante a temporada. Há momentos em que tudo acontece naturalmente e, em outros, começam as dúvidas, mesmo estando entre os melhores do mundo. Todo jogador passa por isso. Somos competitivos, mas existe muito mais do que vencer ou perder. Os resultados devem ser consequência”, ponderou.
Por fim, Bryan analisou a relação de pais que treinam os próprios filhos e deixou um conselho. “Sempre procurem fazer perguntas. Assim, eles aprendem a pensar, resolver problemas e encontrar suas próprias respostas. Se passarmos o tempo todo dizendo o que fazer, as decisões deixam de ser deles e passam a ser nossas”, afirmou.
Shelton conquistou três títulos na atual temporada, no piso sintético de Dallas, no saibro de Munique e na grama de Stuttgart. Ele não joga desde que foi surpreendido na estreia de Wimbledon pelo finlandês Otto Virtanen. O foco agora é estar em forma para a disputa dos eventos do verão norte-americano, com destaque para o US Open, onde ele parou na terceira rodada em 2025.











