O milagre que Rod Laver considerava pouco provável e que Carlos Alcaraz tanto acreditou que poderia obter acabou mesmo concretizado pelo tênis ofensivo, compacto e eficiente de Jannik Sinner. O italiano venceu Novak Djokovic pela terceira vez no curto espaço de dois meses e encerrou um dos mais notáveis domínios da história dos Grand Slam, impondo a primeira derrota do sérvio numa semifinal do torneio em suas 10 presenças de sucesso em Melbourne. Também foi a primeira derrota de Nole no Australian Open desde 2018, uma série incrível de 33 triunfos.
Na verdade, faltou muito pouco para Sinner mandar o número 1 para casa ainda mais cedo. Fez dois primeiros sets impecáveis, com grande aproveitamento do saque para comandar os pontos com golpes pesadíssimos e precisos lá da base, defendendo-se muito bem e principalmente sempre bem ajustado para desferir forehands e backhands magníficos. Faltava é claro o primeiro saque para Djokovic – apenas 43% de acerto no set inicial – e isso o colocava o tempo todo em posição defensiva. Estava completamente perdido e forrado de erros. O serviço até subiu para 75% no segundo set, mas Sinner não dava espaço, a ponto de o maior devolvedor da história somar apenas quatro pontos quando o adversário sacou.
Mesmo enfim subindo de nível no terceiro set, Djokovic ainda teve alguma sorte para escapar de um incomum 3 a 0 em Slam. Antes mesmo do tiebreak, Sinner desperdiçou grande chance de colocar o adversário em apuros definitivos no 11º game, um momento raro em que se viu indecisão do número 4 do ranking. O tiebreak foi evidentemente tenso dos dois lados. Nole deixou escapar 4-2 e viu Sinner sacar com 5-4. Fez então um lob espetacular, mas não evitou o match-point, em que Sinner devolveu bem mas errou feio um forehand. Foi a deixa para o sérvio reagir e sonhar com mais uma de tantas viradas heróicas, como aquela que havia feito dois anos atrás sobre o mesmo oponente nas quartas de Wimbledon.
Este Sinner no entanto é muito diferente daquele então inexperiente jogador. Continuou sendo o tenista mais preciso em quadra e a cabeça se comprovou mais forte quando Nole fez 40-0 antes de ser quebrado e em seguida o italiano sobreviveu a um game longo e nervoso, que permitiria abrir essenciais 4/1 e mais tarde 5/2. Sinner também voltou a mostrar frieza na hora de fechar o jogo. Saiu 0-15 e 15-30 e ainda achou o caminho do tênis preciso e ofensivo. Saiu de quadra com quase metade dos erros (28 a 54) e sem encarar um único break-point, algo que jamais havia acontecido a Djoko em suas 415 partidas de Slam.
Medvedev vai tentar outra vez
Tenista que deve dar enorme dor de cabeça aos especialistas em biomecânica, Daniil Medvedev novamente assombrou por sua resiliência, preparo físico e postura emocional. Jogou dois sets abaixo de seu padrão diante de um Alexander Zverev determinado e eclético. Parecia impossível reagir, ainda mais para quem vinha de tantos jogos mentalmente desgastantes neste Australian Open, incluindo uma virada de 0-2 lá na segunda rodada e outra partida de cinco sets diante do peso pesado Hubert Hurkacz nas quartas.
O que não faltam ao russo são visão de jogo e pernas. Como contaria mais tarde, entendeu que teria de ser mais agressivo a partir do terceiro set e isso lhe deu os únicos três break-points antes do primeiro tiebreak, em que o 4-4 testou de vez seus nervos. O quarto set foi muito parecido e com momentos de excelente qualidade. Outra vez Medvedev teve breaks não convertidos antes do desempate e veio o 5-5 em que se salvou com uma grande dose de sorte, ao devolver uma bola inesperadamente curta. Quando fechou o quarto set, já se tornava previsível que Sascha estava em maus lençóis.
Ainda sobrava físico para o russo correr de lado a lado e esperar o momento do contragolpe e foi assim que ele abriu 4/2 diante de um alemão inconformado, que voltaria a perder o serviço e a chance de atingir enfim sua segunda final de Slam. Quando começou o torneio, Daniil tinha histórico ruim de 4 vitórias no quinto set em 13 tentativas e só nestas semanas já ganhou três vezes. Em outra entrevista divertida, reafirmou que em 2024 se determinou a não deixar que fatores extras, como torcida e juiz, interferissem tanto em suas atuações. “Estou ao menos tentando”.
Em sua sexta final de Slam, será a primeira em que Medvedev não terá Djokovic ou Rafael Nadal pela frente. Ele perdeu em Melbourne para o sérvio em 2021 e para o espanhol no ano seguinte. No US Open caiu para Rafa em 2019, evitou o Grand Slam de Nole em 2021 e foi superado pelo sérvio em 2023.
E mais
– Medvedev lidera os duelos diretos por 6 a 3, mas perdeu justamente os três mais recentes, em Turim, Pequim e Viena, tendo vencido em Miami e Roterdã no ano passado. Em finais, empate por 2 a 2.
– Para atingir sua tão aguardada primeira final de Slam, Sinner derrotou já quatro cabeças de chave, incluindo também os também russos Khachanov e Rublev. Pode assim ganhar o título com vitória sobre três dos top 5.
– Ao mesmo tempo, tentará o segundo troféu desse quilate para o tênis masculino italiano em toda Era Profissional, o que remonta a Adriano Panatta, em 1976. Apenas Matteo Berrettini decidiu Wimbledon nesse longo período, em 2021.
– O tênis italiano também está na final de duplas, com Andrea Vavassori e Simone Bolelli. Eles enfrentarão neste sábado Rohan Bopanna e Matthew Ebden.
– Dá para acreditar nisto? Um jornalista observou que Alcaraz venceu Djokovic na final de Wimbledon exatamente 2.195 dias após a última derrota do sérvio no Club. E Sinner superou Nole em Melbourne com idênticos 2.195 dias após a queda de 2018.
– O titulo valerá a volta de Medvedev ao número 2, rebaixando Alcaraz e ficando a apenas 390 pontos de Djokovic. Em caso de vitória de Sinner, os quatro líderes estarão separados por apenas 1.545 pontos.
– Vale sempre lembrar a curiosa estatística de Medvedev, que ganhou seus 20 títulos de ATP em cidades diferentes. Melbourne pode ser a 21ª.
– Sinner avaliou que sentiu Djokovic com movimento e foco menos apurados ao longo da partida. E Nole admitiu estar ‘chocado’ com sua atuação: ‘esta foi uma das piores partidas de Slam’ de sua carreira.
– A final de duplas femininas será entre Hsieh e Mertens, que tiraram Stefani e Schuurs, e Ostapenko/Kichenok. Aos 38 anos, Hsieh faturou nas mistas o seu quinto troféu geral de Slam, ao lado de Zielinski.










Assim como as eras Federer e Nadal chegaram ao fim, a era Djokovic também acabou.
Viva longa aos novos protagonistas do tênis
Acabou.
Basta uma derrota para isso…
Jogaço essa final. Parabéns ao italiano pela persistência.
Essa quebra no quinto set deve ser fatal. Pena pelo urso, porque ele jogou muito no começo.
O “Mentalist” Simon Baker está na arquibancada assistindo seu equivalente Daniil Medvedev hehehhe
Vi umas fotos da Sabalenka com o troféu num parque na Austrália. Ela deitada na grama, ela beijando o troféu, etc.
como pode ser tão linda tão vencedora e ao mesmo tempo tão cafona?
É hétero, por isso é tão brega
Já vimos Medvedev jogar um tênis tão agressivo? Fantástica capacidade de adaptação.
Demonstração tática e mental de Daniil Medvedev no momento. 6-3, 4-1 em 1h05. Jannik Sinner não consegue nem respirar, sem solução.
Continuando, apareceu a solução ? …rs. Abs!
Com o resultado final é fácil vir provocar
Sempre!
Set 2 até o momento idêntico ao primeiro, com domínio do russo e o italiano sem resposta. Além da excepcional performance do cara, Sinner parece perdido, mas essa sensação não me parece causada por estar jogando sua primeira final de GS e sim pq o adversário não o deixa jogar. Ver essa eterna nextgen mimada vencendo é péssimo p o esporte…
E ler o mimado comentarista escrevendo sem nenhuma noção ? . Sempre te superas , mesmo assistindo um cara mostrando o porque impediu Djokovic de levar os 4 SLAM, com uma surra em Nova York, e mostrando uma capacidade incrível de mudar a direção da bolinha . Nada disso é capaz de faze-lo parar com esta babaq***e de ‘ eterna Next Gen ” . Não gostas mesmo do Esporte …Abs!
Eu tenho minha visão e exponho, vc tem a sua e expõe. Quem sabe um dia vc não entende isso?????
Creio q a maioria de nós, incluindo aí o pessoal da TV, esperava uma tônica de jg com Sinner atacando e o russo “- – -dão” se defendendo. Nesse set 1 vimos o contrário, Medvedev sufocou o italiano, com uma potência dos golpes incrível no FH e a regularidade usual do BH excelente q possui.
Além disso, parece que não ver alguém do Big3 do outro lado da quadra numa final de GS fez muito bem ao cara, deu-lhe uma confiança extra, q mudou radicalmente sua forma de atuar vista até agora no torneio.
Mas… não nos esqueçamos de 2022, ele também dominou as ações no set 1 e o resultado todo mundo lembra. Vamos p o set2…
Claro q nesse contexto mencionado hj de este ou aquele ter sido o maior atleta de todos os tempos há vários q poderiam ser mencionados e defendidos com veemência. Sinceramente eu não poria Djoko (que pra mim é o GOAT do tênis sem maior discussão) entre eles, mas Pelé, M Jordan, Ali e outros fariam parte de qualquer lista. Mas na minha visão eu apontaria… Jesse Owens, não apenas pelos 4 ouros em 1936, mas principalmente pelas circunstancias em que eles foram conquistados e pelo significado das suas vitórias…
Olá Dalcim.
Tem uns dados dessa partida do Djokovic x Sinner que são quase que inacreditáveis.
Total de pontos:
Sinner – 128 pontos
Djokovic – 98 pontos
0 – 4 shots:
Djokovic – 43 pontos
Sinner – 80 pontos (quase o dobro)
Não lembro de ter visto um jogador definir os pontos tão rápido contra o Djokovic, e com esse nível de acerto. É verdade que a maioria desses 80 pontos foram no saque do Sinner, e o Djokovic pouco conseguiu fazer com a devolução.
5 – 8 shots:
Djokovic – 34 pontos
Sinner – 32 pontos
9+ shots:
Djokovic – 21 pontos
Sinner – 16 pontos
Outro dado interessante é sobre o percentual de pontos no primeiro saque.
Maior percentual de pontos ganhos no 1º saque vs Djokovic em uma partida completa
de Slam:
Federer – AO 2007 R16 – 75% (60/80)
Sinner – AO 2024 SF – 74,5% (82/110)
Dalcim, a melhor alternativa para o Medvedev seria tentar mesclar entre ser agressivo no saque, e alongar os pontos no serviço do Sinner? Você prevê algum percentual de favoritismo?
Tomara que o Sinner jogue solto e sem sentir a pressão do 1º Slam.
Acho que o russo não vai mudar seu padrão, ao menos nos dois primeiros sets. Vai jogar lá atrás, tentando entrar em todos os pontos, e encarar as longas trocas, já que nenhum dos dois parece muito propenso a variações constantes, ou seja, subidas à rede ou slices. Conforme o andamento, aí ele pode realmente ficar mais agressivo e tentar encurtar os pontos. Vale lembrar que, contra o Hurkacz, começou devolvendo pertinho da linha. Acho isso bem recomendável porque o Sinner está com um saque aberto bem calibrado. Abs!
O tempo passa, o tempo voa, mas como o Bamerindus não continuou numa boa, também o Paulo Almeida é o mesmo de sempre … Agora os usuários deste nobre nicho têm de aturar uma nova ladainha – o number 1 dele é supostamente o “maior esportista da história” kkkkk Meu Pai do Céu.
Vejam só: o sumido desde a final de Wimbledon apareceu. Com certeza, ficou no Finals implorando: “por favor, por favor, esse recorde não!” Kkkkkkkkk!
Tens razão: o tempo passa, o tempo voa e seus comentários “Enfim, o maratênis parece estar chegando ao fim (2017)” e “Vamo Djoko, vamo Djoko, faltam 8 (2018)” viraram clássicos supremos do Blog. Foram lembrados recentemente e nem foi por mim. Rsrsrs.
No tocante a ser o maior esportista da história, a discussão está interessantíssima mais acima. DjokoGOAT vence de fato.
kkkk Que SURRA levou o Novak Farsovic… sensacional Sinner. Chicoteou gostoso o encosto para o desespero da claque idólatra
Dalcim, a mais impressionante estatística foi essa de que pela primeira vez em mais de 400 jogos de Grand Slam que o Djoko não conseguiu sequer um break point.
Pergunto: esse fato (não conseguir sequer um break point em Grand Slam) também já aconteceu com Nadal e Federer?
Não tenho esse comparativo, Guilherme, mas acho bem pouco provável.
O Bopanna sendo alçado ao número 1 de duplas e ainda coroando com um Slam é um feito e tanto.
Muito importante como incentivo pros esportistas + velhos. Não só de meninos-prodígio vive o tênis.
Uma pena que pela quantidade de comentários sobre as duplas (acho que zero…), não é dada a devida atenção e importância.
A polonesa que se cuide. Sabalenka começou o ano com tudo. Número 2 no ranking, mas número 1 no quesito “cacetada”.
E ela pode melhorar ainda mais o saque, porque é alta.
Moço,
Respondi uns ai, mas vou te falar, se o cara não tiver um bom mental pira, kkkkkkkkkkkkkkkkkk, é cada lorota dos kombeiros que dá dó, são parciais, não reconhecem os méritos dos outros, e por ai vai……..só o Dalcim mesmo, kkkkkkkkkkkkkkk, não sei como ele consegue ir nesse ritmo ai, kkkkkkkk, mas como é democracia, então estamos no maior espaço democrático dos blogs, claro que para alguns não uma democracia correta, a conferir pelas colocações de alguns, kkkkkk, não se ofendam kombeiros, aqui há espaço para todos, salve…salve, kkkkkkkkkkkkkkkkkkkk
Se falas das condições de jogo apresentadas por Djokovic em relação ao torneio e ao italiano, deves colocar o nobre Dalcim na Kombi também, ou não?
Então caro Dalcim. Vê se concordas que existe um equívoco na reportagem do TênisBrasil. Federer e Borg venceram 5 WIMBLEDON CONSECUTIVOS e perderam na FINAL seguinte, portanto 41 Vitórias Consecutivas. O Suíço obteve o mesmo feito no USOPEN. Como o Sueco pode aparecer com 41 Vitórias e Suíço com duas sequências de 40 ???. Abs!
Sempre é importante olhar a lista de vitórias e não pensar apenas em somar números nesses casos, Sérgio. Federer tem 40 porque um dos jogos dessa sequência foi w.o., no caso Haas nas oitavas de final de 2007. E, como você certamente sabe, w.o. não conta como vitória para a ATP e WTA. Abs!
Perfeito. No USOPEN 2004 , Andrei Pavel deu wo na quarta rodada . Daí duas sequências de 40 vitórias . Mas o que importa é ter vencido WIMBLEDON e USOPEN, 5 vezes consecutivas , outro recorde. Abs!
Vixe!
Esse jogo de ontem, para mim, dá o exato retrato do tamanho de Djokovic. Numa partida onde não jogou nada (como ele mesmo afirmou), e com Sinner beirando a perfeição, ainda assim quase deu seu jeito, mais uma vez, de achar um caminho. Se nao estivesse tão errático (muito em função do jogo do italiano, claro, mas acho que foi mais um dia ruim mesmo, como aliás foi todo um torneio abaixo) penso que ele venceria. Só ver o 3o set onde ele não fez nada de mais e levou. Enfim, impressionante como o sérvio domina esse esporte. Considero-o, com folga, o tenista mais inteligente que já vi jogar.
Quanto ao Sinner, que legal ver um cara tão esforçado começando a colher os frutos desse trabalho e dedicação. Não sou lá muito fã dele, acho o estilo meio burocrático, mas é sem dúvida um craque de bola e que agora, com confiança, deve se fixar de vez na nata do esporte.
E aos emocionados de sempre, vamos com calma no andor, Alcaraz ainda é O cara dessa novíssima geração. Andou dando umas bolas foras e está muito vidrado no Djoko (como se tivesse que mostrar logo que tem capacidade de superá-lo) que parece que se esqueceu um pouco do próprio jogo. Mas creio que deve por a cabeça no lugar, tão bem assessorado que parece ser, e voltar ao trilho rapidamente. O espanhol do tie-break do 3o set contra Zverev, das jogadas espetaculares e carisma absurdo está aí. Podem acreditar!
Dalcim, qual seu palpite p amanhã? O meu é Sinner 31, com 2 tiebreaks, um vencido por cada um…
Difícil essa, mas eu apostaria Sinner em quatro sets também, muito por conta do desgaste muito maior do Medvedev.