Ele já foi número 3 do mundo, é o segundo mais jovem campeão de um Finals e decidiu dois Grand Slam, Ainda assim, o grego Stefanos Tsitsipas virou novidade neste US Open. Depois de longo período sem produzir resultados significativos, derrotou dois top 10 – a primeira vez desde o título em Monte Carlo de 2024 – e encerrou um penoso jejum em Nova York, onde não ganhava dois jogos seguidos há cinco anos.
Em sua nona participação consecutiva no US Open, esta é a primeira vez que Tsitsipas não figura como cabeça de chave. E, ironia do destino, enfim avança às oitavas de final, a única que lhe faltava nos torneios de Slam. Começou o torneio como 53º do mundo, um alívio para quem beirava o 90º posto há dois meses, e agora se reaproxima do top 40. É pouco para seu jogo.
Em todas as partidas desta semana, perdeu o primeiro set e depois reagiu, o que demonstra que a cabeça parece estar no lugar. Na estreia diante do cabeça 11 Arthur Fils, era dominado até metade do segundo set. Hoje, contra Jiri Lehecka, teve paciência para achar o tempo de devolução. Seu backhand, é claro, continua sendo um ponto vulnerável, mas o grego claramente está bem de pernas e com isso consegue novamente proteger bem o lado esquerdo, fugindo para bater seu belo forehand. O saque voltou a ser uma arma. O que mudou? Segundo ele próprio, mentalizou uma filosofia grega: sempre ficar preparado para o pior.
Tsitsipas terá agora uma barreira de peso: o canhoto e cabeça 8 Ben Shelton, que deve abusar dos topspins pesados no backhand do grego. Os dois se cruzaram uma única vez, em Cincinnati de 2023, com vitória de Tsitsipas em dois tiebreaks. Mas muita coisa mudou na vida de Shelton desde então, incluindo uma semi em Flushing Meadows e dois títulos de Masters 1000.
Lehecka found the cheat code 🎮 pic.twitter.com/oUgaKEyUyj
— US Open Tennis (@usopen) September 4, 2026
Alcaraz e Medvedev reencontram “fregueses”
As bolas retas do chinês Yibing Wu foram um problema bem resolvido pelo espanhol Carlos Alcaraz e uma ótima preparação para o primeiro desafio do atual campeão, já que o velho conhecido Tommy Paul tem muito desse estilo, com a vantagem de ser mais consistente.
Carlitos no entanto ganhou suas últimas quatro partidas contra o norte-americano em grandes palcos: Wimbledon, Jogos Olímpicos, Roland Garros e Australian Open. Daí ser o favorito natural para atingir as quartas de final. E deu o recado: “Estou melhor do que pensava”.
No outro quadrante da parte inferior, muito bom ver Daniil Medvedev novamente alegre e eficiente. Não tomou conhecimento de Arthur Rinderknech e entrará com histórico de 6 a 1 diante de Frances Tiafoe, todos os jogos na quadra dura. A única vitória do norte-americano foi na Laver Cup de 2024. Detalhe: o russo só permitiu até agora um break-point em 43 games de serviço.
Quem vencer, terá Tomas Etcheverry ou Alex Michelsen pela frente, ambos disputando pela primeira vez as oitavas em Nova York. Em temporada de 26 vitórias e 21 derrotas, Etcheverry foi muito superior ao compatriota Mariano Navone, o homem que derrubou Novak Djokovic. Bom sacador, Michelsen segue sem perder set.
Townsend é a surpresa
A canhota e duplista Taylor Townsend, 30 anos, se tornou a única não cabeça a atingir as oitavas de final na parte superior da chave. Será sua terceira vez na quarta rodada, mas a tarefa é ingrata: encarar a embaladíssima e bicampeã Aryna Sabalenka, que mesmo perdendo um saque aqui ou ali segue muito confiante. O lance da partida foi ela pedir providências ao juiz devido ao cheiro forte de maconha na arquibancada.
Aryna Sabalenka had to speak to the umpire mid-match at the U.S. Open due to someone smoking weed:
“Someone is smoking weed. Do you mind? Because it’s so strong.”
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Linda Noskova perdeu um tiebreak, mas parece enfim ter recuperado o padrão que a levou ao título de Wimbledon. Tem jogo duro contra Marta Kostyuk, em ótima temporada e animada com a ótima apresentação diante de Ekaterina Alexandrova.
Jessica Pegula levou um susto. Em duelo de vices, Leylah Fernandez atropelou no começo e só cedeu espaço no final do segundo set. A cabeça 3 faz agora reedição da recente oitavas de Cincinnati em que a romena Sorana Cirstea deu enorme trabalho. Será que Cirstea vai mesmo se aposentar depois de uma temporada tão boa?
Há chance de um duelo todo norte-americano, caso Emma Navarro supere Anna Kalinskaya, que conseguiu sua segunda vitória em seis jogos diante da top 10 Elina Svitolina. Claramente mais em forma, Navarro achou oportunas soluções contra o tênis mais rico de Karolina Muchova, enquanto a russa mira a terceira presença em quartas, como já fez em Paris e Melbourne.
Gaúchos devolvem mal
A falta de precisão nas devoluções foi certamente o maior problema e a causa principal da inesperada queda dos gaúchos Orlando Luz e Rafael Matos na estreia do US Open. Vindos de dois títulos de Masters 1000 seguidos, eles poderiam resolver em dois sets, mas não conseguiram colocar a pressão necessária na reta final do segundo set e ainda desperdiçaram dois break-points no sexto game da série decisiva que se mostrariam essenciais.
A derrota na estreia de Matos e Luz tem uma triste coincidência com o que Melo fez em 2016 ao lado do croata Ivan Dodig. Naquele ano, os dois também venceram na sequência os títulos no Canadá e em Cincinnati e acabaram parando na primeira rodada no US Open.
Os convidados Brandon Carpico e Nikita Filin, que estão lá na rabeira do ranking de duplas, serão agora os adversários de Melo e do australiano John Peers, que voltam a jogar o US Open lado a lado depois de três anos e somam entre si seis troféus de Slam.
He hit his doubles partner with the serve on match point 😭 pic.twitter.com/4kUKq0Gf2F
— SportsCenter (@SportsCenter) September 4, 2026
E mais
– Paul se vingou de Alexander Bublik na mesma moeda, devolvendo a derrota em cinco sets do ano passado.
– Este é o primeiro Slam em que todos os classificados para as oitavas de final nasceram no ano de 1990 em diante.
– Apenas dois jogadores profissionais ganharam um Slam depois de fazer seus dois primeiros jogos em cinco sets: Boris Becker no Australian Open de 1986 e Gaston Gaudio em Roland Garros de 2004. Alexander Zverev quer entrar na lista.
– As irmãs Williams ficaram bem perto da vitória, tendo aberto 5-0 no match-tiebreak, mas caíram na estreia em partida de mais de 3h diante de Maya Joint e Hao-Ching Chan. Foi uma partida divertida e cheia de grandes lances, que levantou o público no estádio Arthur Ashe. As duas deixaram a quadra com sorriso, certas de que cumpriram a missão.










Olá, alguém saberia informar qual tenista foi o primeiro a trocar de raquete junto com a troca das bolas?
Em relação ao torneio minha torcida será para o grego ou para o Fritz mas, hoje, o favorito é o Alcaraz; no feminino minha torcida vai para a Rybakina.
Bom dia
No RG 2026 o tenistas mais velho nas oitavas foi Carreno Busta que nasceu em 1991
No US Open 2024 o tenistas mais velho nas oitavas foi Dimitrov que nasceu em 1991
Esse US Open deve ser o primeiro GS com tenistas com 30 anos ou menos, ou seja, todos nascidos de 1995 em diante
Achei que a principal mudança no jogo do grego pós Mouratoglou foi tática, fazendo melhor uso do seu atleticismo pra construir os pontos com mais calma a partir do saque, fugindo mais ou se valendo mais dos slices com o backhand ao invés de tentar acelerar a bola a partir desse golpe e empilhar ENF..
De qlqr forma acredito q a campanha do grego se encerrará por aqui, além do encaixe ruim de jogo contra um forehand de canhoto cheio de topspin, o recorde do Shelton na temporada após vencer 3 partidas num torneio é: 4 títulos e uma derrota para o Sinner..
Essa metade da chave aliás está prometendo grandes jogos, com o Carlitos elevando o nivel a cada rodada, Shelton/Medvedev jogando próximos dos seus tetos de produção, a ver se os 3 confirmam seus favoritismos e chegam às QFs.
Muita gente não gosta ( eu incluso ), mas Patrick Mouratoglou está Treinador principal de Tsitsipas no USOPEN 2026. É outra a confiança do Grego, mas Shelton pegou o Backhand Simples de Shapovalov e fez o que quis. Carlos Alcaraz é mais um a derrubar a estória de falta de ritmo, ( inclusive Serena foi só elogios a sua incrível velocidade) , mas Tommy Paul em casa merece respeito. Não consigo entender o que passa na cabeça da talentosíssima Muchova nos grandes eventos. Desta vez era minha favorita para chegar a Final…Abs !
Pois é, a inconsistência ainda é um problema que a Muchova não consegue resolver.
Dalcim ,tenho uma pergunta técnica pra fazer em relação a pontos vulneráveis do Stefano tsisipas ,se o backhand é o ponto fraco porque não trabalham isso ? Ou não é tão simples corrigir , não é crítica ,é uma dúvida sincera pois todo mundo vai explorar ,vi jogos dele contra o alcaraz que dava até pena do grego .
Temos situações distintas, Jorge. Primeiro, claro que o grego tem de buscar aperfeiçoamento. Como a maioria dos jogadores de backhand simples, é preciso jogar mais perto da linha para evitar justamente esse ataque com efeito alto. É um estilo que exige muito, porque tende a deixar a bola curta se a preparação não for bem rápida, muitas vezes um bate pronto. Vale lembrar o Federer. O Wawrinka, por exemplo, consegue jogar mais recuado e com isso ganhar mais tempo de preparação e exatamente por isso sempre sofreu em superfícies mais velozes. O slice é um recurso, mas no tênis de hoje é um golpe defensivo e portanto só vale mesmo como variação. Enfim, um tenista de backhand simples precisa ter capacidade para essas variações de posicionamento e execução.
Veja como funciona a cabeça das atletas: Noskova passeou no 1° set, no 2° set a Li vendo a derrota iminente, soltou o braço e virou o set, sacando mais rápido que a tcheca, até metade do 3° set. Na reta final a americana travou, sacando muito próximo da velocidade de saque da Sara Errani.
Realmente a cabeça manda mais que os braços.