Na despedida de Monfils, surpresas continuam em Nova York

* atualizado com vitória de Zverev

Um semi e dois quadrifinalistas de edições muito recentes do US Open se despediram do torneio ainda na segunda rodada, mas a rigor a única real novidade foi o desconhecido australiano Dane Sweeny, que virou em cima de Lorenzo Musetti. Até então, o 123º do ranking nunca havia ganhado dois jogos seguidos em qualquer torneio de nível ATP.

O número 4 do mundo Félix Auger-Aliassime acabou barrado pelo experiente Karen Khachanov, numa partida em que claramente o canadense estava com algum problema. Depois, revelou ter sentido tonturas. O russo marcou assim apenas a segunda vitória em 19 tentativas em cima de um top 10 em torneios de Grand Slam, repetindo 2019.

Botic van de Zandschulp é um conhecido osso de pescoço e Alex de Minaur não anda lá muito motivado. O holandês, que fez quartas em Nova York há cinco anos, havia perdido as quatro anteriores para o australiano, mas desta vez achou o ritmo perfeito para atacar na hora certa.

O alemão Alexander Zverev só tem a agradecer. No seu quadrante, rumo à semi, só existem agora três cabeças de chave de menor calibre. O chileno Alejandro Tabilo será adversário de sábado, Luciano Darderi deve surgir nas oitavas e Zizou Bergs precisa superar Zandschulp para justificar a condição de 31º inscrito. O problema do cabeça 1 é que o desgaste segue altíssimo. Foram mais cinco sets bem duros e tensos contra Quentin Halys, exigindo da parte física e mental.

O outro setor segue bem imprevisível. Já na terceira rodada, jogam Taylor Fritz-Francisco Cerúndolo, Jakub Mensik-Learner Tien, Flavio Cobolli-Alexander Blockz e Khachanov-Benjamin Bonzi. O favoritismo é do finalista de 2024, especialmente porque até aqui Fritz fez jogos bem econômicos.

O último Slam de Monfils

Mesmo enfrentando a esperança norte-americana Tien, que tem metade de sua idade, Gael Monfils foi incentivado pelo público no estádio Arthur Ashe o tempo inteiro. Tremendo reconhecimento pelo tênis mágico e empenho ferrenho que o francês mostrou em toda sua carreira.

Monfils jogou seu 70º e último Slam, com apenas duas semifinais no currículo, a de Paris em 2008 e a de Nova York há uma década. Merecia mais, porém de certa forma ficou refém do seu próprio compromisso de dar show. Muitas vezes, valia mais a pena ser pragmático e isso gerou derrotas doloridas, sem falar nas inúmeras contusões sofridas.

Ele encerra a longa carreira com o recorde francês de vitórias em Slam, total de 131. Coadjuvante perfeito e eficiente, Tien pediu aplausos ao francês e, bem humorado, se desculpou por ter dado tantas curtinhas. Se avançar às oitavas, concorrerá seriamente ao 12º lugar do ranking.

E mais

– Mesmo sem atuações brilhantes, Elena Rybakina avança no US Open. Perdeu o saque quando tinha 5/3 para fechar a partida, porém mostrou cabeça fria e liquidou em seguida.
– Coco Gauff superou uma Paula Badosa agradavelmente muito competitiva para manter o padrão: desde o US Open de 2022, não perde na primeira semana de um Slam, o que deve confirmar contra Cristina Bucsa.
– Mais incrível ainda são os números de Iga Swiatek: terceira rodada de seus últimos 27 Slam, ou seja, desde o Australian Open de 2020, série única entre homens e mulheres. Essa marca só é inferior às 35 de Martina Navratilova e às 30 de Conchina Martinez. Mas agora vem a perigosa Marie Bouzkova.
– Depois de se enrolar no segundo set, diante de uma vitória que caminhava facilmente, Naomi Osaka soma 80 vitórias em Slam e está a apenas quatro da recordista japonesa, Ai Sugyama.
– As jovens e competentes Iva Jovic, 18 anos, e Alexandra Eala, 21, duelam entre si no que pode ser um jogaço. Quem vencer, deve encarar Gauff.
– Mirra Andreeva reencontrou a confiança e vai precisar disso contra Nikole Bartunkova, tcheca de 20 anos e 1,84m. A expectativa é ver a russa contra Amanda Anisimova nas oitavas, mas a vice do ano passado precisa tomar cuidado com a imprevisível Anastasia Potapova.
– Outra promessa de jogão no sábado: Madison Keys e Qinwen Zheng. Vice em 2017, Keys salvou cinco match-points contra Anna Bondar. A campeã olímpica, com duas passagens pelas quartas de Nova York, teve altos e baixos contra Yulia Putintseva.
– Um dia depois de atropelar Rafael Jódar, o chinês Yunchaokete Bu parou no convidado local Michael Zheng, campeão universitário de origem chinesa. Ele vai enfrentar o lucky-loser Arthur Gea.
– Depois de fazer lance acrobático, Cobolli vira top 5 provisório e tem chance de superar Aliassime com mais duas vitórias.


– Stefanos Tsitsipas não ganhava dois jogos seguidos de Slam desde Roland Garros de 2024. Desafia Jiri Lehecka nesta sexta-feira.
– No dia em que a WTA confirmou a presença de Luísa Stefani no Finals de novembro, ela e a canadense Gabriela Dabrowski começaram bem a campanha no US Open.

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Luiz Fernando
Luiz Fernando
8 horas atrás

Ninguém sabe o que vai ocorrer no esporte, mas parece que Zverev deu mais um passo rumo ao desastre ontem, em outra partida de 5 sets. A conferir kkkk…

Horácio
Horácio
5 horas atrás
Responder para  Luiz Fernando

Sim, eu não agradeceria tanto ter que jogar com Tabilo.

Paulista de 63 anos, é jornalista especializado em esporte há mais de 45 anos, com coberturas em Jogos Olímpicos e Copa do Mundo. Acompanha o circuito do tênis desde 1980, tendo editado a revista Tênis News. É o criador, proprietário e diretor editorial de TenisBrasil. Contato: joni@tenisbrasil.com.br
Paulista de 63 anos, é jornalista especializado em esporte há mais de 45 anos, com coberturas em Jogos Olímpicos e Copa do Mundo. Acompanha o circuito do tênis desde 1980, tendo editado a revista Tênis News. É o criador, proprietário e diretor editorial de TenisBrasil. Contato: joni@tenisbrasil.com.br

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