Montréal (Canadá) – Além de contar com várias ausências de peso, o Masters 1000 de Montréal viu apenas 14 dos seus 32 cabeças de chave passarem pela estreia. Um dos eliminados precocemente, o russo Daniil Medvedev foi questionado sobre o assunto.
“Não sei nada sobre os outros caras. Joguei uma partida muito ruim e perdi. Então, é tudo o que posso dizer sobre mim. Sobre os outros, não sei nada”, afirmou Medvedev após a derrota para o holandês Botic van de Zandschulp em sets diretos na última quarta-feira.
Um dos fatores para tantas derrotas dos favoritos pode ser a condição, com muitos deles fazendo seu primeiro torneio nas quadras duras norte-americanas. “Talvez, mas isso não é desculpa. Se eu quiser ganhar partidas, preciso jogar melhor do que joguei hoje”, ponderou o russo.
“É realmente decepcionante, mas, novamente, a partida acabou, então não há nada que eu possa fazer agora”, acrescentou Medvedev, que não competia desde a eliminação na terceira rodada de Wimbledon, pouco mais de um mês atrás.
Apesar do resultado negativo, o russo contou que estava se sentindo bem antes da estreia. “Me senti ótimo, tive treinos muito bons. Venci a maioria dos caras. Acho que perdi apenas um set de treino”, comentou o cabeça de chave 4 em Montréal.
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“Eu estava jogando muito bem, mas hoje joguei dez vezes pior nesta partida, o que pode acontecer, mas não deveria se você quer ganhar”, complementou Medvedev, frustrado com seu desempenho contra Van de Zandschulp.










Quanto à derrota do Medvedev na estreia, apesar de ser um dos jogadores que admiro, não só pelo tênis mas também pela autenticidade, não acho ético dizer que perdeu porque jogou muito mal. Muitos tenistas usam esse tipo de argumento, mas acho que menospreza o adversário, que tem suas qualidades e méritos no resultado do jogo, como foi o caso de van de Zandschulp, que jogou uma excelente partida ontem.
Mas normalmente quando é alguém do top 10, contra alguém que não é nem cabeça de chave, isso faz sentido. Ele não foi deselegante, só não teve falsa modéstia, visto que ele está jogando no melhor terreno pra ele. Deselegante seria ele desqualificar o vencedor, como O Tsitsipas já fez contra Rublev no Final de 2023 ou 2022, não me lembro.
É bastante comum a eliminação de cabeças-de-chave na primeira rodada dos Masters 1000 de 12 semanas, com chave de 96 jogadores. Não digo que não seja vantajoso ser um dos 32 cabeças-de-chave que entram direto na segunda rodada, mas é uma faca de dois gumes. Ainda que tenha treinado antes, jogo é diferente, não só pela exigência técnica e ambientação, mas pelo aspecto mental (uns jogadores mais, outros menos), e o cabeça-de-chave estreia perigosamente contra um jogador (muitas vezes um ótimo jogador) que já superou sua estreia e teve um dia de descanso.
O Masters 1000 canadense tem ainda uma agravante. Diferente de Indian Wells e Miami, que começam na quarta-feira e vão até o domingo da semana seguinte, com uns dias de intervalo entre um e outro, o canadense ficou espremido no calendário entre o ATP500 de Washington e o Masters 1000 de Cincinnati, começando no domingo e com a final na quinta-feira (esquisito, não?) da semana seguinte, no mesmo dia do início da chave principal de Cincinnati.
Poucos tenistas de ponta se aventuram nessa maratona de três torneios. Taylor Fritz, um dos cabeças-de-chave que caiu ontem, pegou um adversário nem tão perigoso no hard court (Thiago Tirante), mas terminou o jogo se arrastando na quadra, depois de disputar e vencer a final de Washington dois dias antes.
Penso que muitos jogadores já nem tentam sacrificar mais pelo tênis porque ninguém vai superar o big 3 e também Sinner ou Alcaraz pelo topo. Jogam como operários que já estão com vida financeira pronta. Se der hoje eu trabalho se não der eu digo que senti dor no joelho,nas pernas,nos braços. Pra mim tem muita gente já contornando as “obrigações” da atp