Roma sem roteiro

Enquanto o italiano Jannik Sinner segue encantando — principalmente a torcida local — e faturando praticamente tudo, o que reafirma a explosão do tênis no país, fruto do trabalho planejado da Federação nacional, a Itália hoje apresenta uma verdadeira esquadra composta por nomes como Lorenzo Musetti, Flavio Cobolli, Matteo Arnaldi, Luciano Darderi, Lorenzo Sonego, Matteo Berrettini e tantos outros.

No tênis feminino do país, porém, a renovação não acompanha o mesmo ritmo. Jasmine Paolini, aos 30 anos, não parece viver seu melhor momento e, ao lado de Sara Errani, já com 39 anos, seguem como as figuras mais relevantes do tênis italiano.

Enquanto Roland Garros bate à porta, na ala feminina, embora Aryna Sabalenka reine com sua coroa dourada, nem sempre o tapete vermelho está estendido à sua frente…

Na última semana vimos a romena Sorana Cîrstea, em sua turnê de despedida, aos 36 anos, jogar um tênis absurdo depois de um pífio primeiro set e fazer o que poucas conseguem e muitas desejam: derrotar a favorita.

E as surpresas não pararam no Foro Italico.

Iga Swiatek deu um suspiro de excelência ao massacrar, sem piedade Naomi Osaka e Jessica Pegula no caminho até a semifinal.

Mas a grande estrela da semana foi, sem dúvida, a resiliente Elina Svitolina.

Atual número 7 do ranking da WTA, ex-número 3 do mundo, mãe de Skaï e casada com o francês Gael Monfils, a ucraniana conquistou algo muito além de um título. Svitolina não vencia um Masters 1000 há oito anos e justamente em Roma havia conquistado o último.

Foi um feito extraordinário para uma tenista de 31 anos, que há oito precisou se afastar do circuito por 13 meses por questões mentais e pela gravidez, viu seu ranking despencar até a posição 540 e ainda convive diariamente com o peso emocional da guerra em seu país de origem.

Num cenário em que o circuito masculino parece cada vez mais concentrado em um único protagonista, o tênis feminino vive um momento muito mais aberto, competitivo e emocional. Entre renascimentos improváveis, despedidas emocionantes, jovens em ascensão e favoritas vulneráveis, a WTA segue oferecendo aquilo que o esporte tem de mais fascinante: imprevisibilidade.

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SANDRO
SANDRO
1 hora atrás

Enfim, não existe um “Jannik Sinner” de saias… Logo, os títulos são mais distribuídos!

Patricia DC Bracco
Patricia DC Bracco
1 hora atrás

Excelente abordagem. Estar no topo e se manter nele é difícil, mas saber que esse topo é possível abre mais oportunidades para todas sonharem com esse lugar, independentemente da idade, do ranking ou das fragilidades. Por isso, acho tão interessante assistir às disputas femininas: jogos com boas trocas, variações e pontos mais longos. Que venham os palcos franceses!

Ex-tenista profissional e medalhista de prata nos Jogos Pan-Americanos na Cidade do México-1975, foi por 11 anos consecutivos a número 1 do Brasil e chegou ao top 50 em simples. Atualmente, possui 16 títulos mundiais no circuito Masters da ITF e ocupa os cargos de diretora executiva do Instituto Patrícia Medrado e líder do Comitê Esporte do Grupo Mulheres do Brasil.
Ex-tenista profissional e medalhista de prata nos Jogos Pan-Americanos na Cidade do México-1975, foi por 11 anos consecutivos a número 1 do Brasil e chegou ao top 50 em simples. Atualmente, possui 16 títulos mundiais no circuito Masters da ITF e ocupa os cargos de diretora executiva do Instituto Patrícia Medrado e líder do Comitê Esporte do Grupo Mulheres do Brasil.

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