Cantor Vitor Kley relembra sonho no tênis em noite de homenagem ao pai

Vitor Kley (Foto: Fotojump)

Matheus Dalcim, do Rio de Janeiro
Especial para TenisBrasil

A noite de terça-feira no Rio Open reservou um dos momentos mais emocionantes desta edição do torneio. A homenagem a Ivan Kley, ex-top 100 do ranking mundial e um dos nomes importantes do tênis brasileiro nos anos 1980, tocou profundamente o público presente na Quadra Central Guga Kuerten — e principalmente quem carregava o sobrenome Kley.

Na quadra, vídeos, depoimentos e aplausos eternizaram o legado do ex-tenista. Fora dela, o filho, o cantor Vitor Kley, viveu um misto de saudade, orgulho e gratidão.

“Foi muito especial. Parecia que ele estava ali com a gente, e de fato ele está. Sinto que ele está amarradão com a lembrança”, afirmou Vitor a TenisBrasil, ainda emocionado após a cerimônia. “Eu agradeço ao pessoal do Rio Open e a todos os amigos que mandaram vídeo lembrando as histórias. Meu pai tinha muitas histórias. É um abraço no nosso coração.”

Ivan Kley, que chegou ao 81º lugar em simples e ao 56º em duplas no ranking da ATP, representou o Brasil em Copa Davis e disputou torneios como Roland Garros, Wimbledon e US Open. Para o filho, no entanto, o legado vai além dos números. “Que o legado do Doutor fique para sempre no coração das pessoas que passaram na vida dele”, disse, usando o apelido carinhoso pelo qual o pai era conhecido.

O sonho de ser como o pai

A ligação de Vitor com o tênis vem da infância. Antes dos palcos e dos sucessos musicais, havia o sonho de repetir os passos de Ivan nas quadras. “Na verdade eu queria ser igual meu pai. Uma vez escrevi numa cartinha na escola, perguntando o que queríamos ser no futuro, que eu queria ser igual ao meu pai, ter centenas de troféus e jogar Roland Garros. Parece que quando eu nasci, a primeira coisa que eu vi foi uma raquete de tênis.”

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Com apoio do pai, ele trilhou o caminho tradicional do juvenil brasileiro, disputando torneios importantes como o Banana Bowl e a Copa Gerdau, além de competições nacionais e estaduais. Treinou com intensidade e levou o sonho adiante até a adolescência.

“Eu treinei bastante, mas a vida quis que fosse de outra forma. E que bom, porque hoje eu sou muito feliz fazendo o que eu faço. Com uns 15 ou 16 anos, o vento virou total. Eu não conseguia mais treinar e larguei o tênis de vez”, explicou.

Ídolos, nervosismo e encontro com Guga

Mesmo tendo seguido outro caminho profissional, o vínculo com o tênis permanece forte. Ao falar de ídolos, Vitor não hesita. “Em primeiro lugar, o meu pai, que é meu herói para sempre. Ninguém vai batê-lo.”

Logo depois, cita outro gigante do esporte brasileiro: Gustavo Kuerten. “Tive recentemente a oportunidade de bater bola com ele. Fiquei nervoso, só dei balão para não errar, só rosca”, contou, entre risos.

A presença no Rio Open deste ano marcou também sua primeira experiência no torneio como espectador. “Evento bom demais, achei irado. A vibe e a atmosfera são muito legais, as crianças, as famílias. Os lugares estão muito bem divididos, a maneira de assistir ao jogo com os placares ficou muito bem definida. Fiquei muito feliz.”

Memórias das quadras e torcida pelos brasileiros

A visita ao torneio também trouxe lembranças competitivas. Vitor revelou que já enfrentou o cearense Thiago Monteiro em um Brasileiro disputado em Florianópolis. “Tomei 6/1 e 6/1. Passei por ele agora há pouco e falei: ‘cara, não quero nem te encontrar numa quadra, peguei trauma’”, brincou.

Além de Monteiro, ele também destacou o talento de João Fonseca. “O João está jogando muito e estamos na torcida.” E aproveitou para mandar um recado especial a Igor Marcondes, que é seu amigo e fez campanha consistente no Jockey Club Brasileiro. “Queria mandar um beijo pro Igor também, que fez um baita qualifying e quase deu pra ele na primeira rodada.”

No fim, entre risos, nostalgia e emoção, Vitor Kley resumiu o significado de estar ali. “Estou muito feliz de estar aqui sentindo a atmosfera de algo que um dia eu sonhei ser.”

Se o sonho de Vitor não se concretizou nas quadras, a homenagem ao pai mostrou que o tênis nunca deixou de fazer parte de sua história. E, nesta noite, o legado de Ivan Kley esteve vivo — na memória do torneio, nos aplausos do público e nas palavras de um filho orgulhoso.

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Reinaldo
Reinaldo
1 mês atrás

Homenagem muito bacana e obrigado por fazer essa reportagem contando a história.

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