Sete talentos que prometem sacudir o ranking em 2026

Alexander Blockx (Foto: Corinne Dubreuil/ATP Tour)

Por Niccolas Paganini

O encerramento do calendário regular da ATP em 2025 trouxe a coroação definitiva de uma nova estrela: Learner Tien. Aos 19 anos, ele ergueu o troféu do Moselle Open, em Metz, consolidando uma temporada histórica onde acumulou cinco vitórias sobre jogadores do Top 10. Emocionado, o jovem destacou que nunca dará por garantida a oportunidade de competir em alto nível.

Pouco antes, em um dos episódios mais surreais do ano, Valentin Vacherot chocou o mundo ao vencer o Masters 1000 de Xangai. Ocupando apenas a 204ª posição do ranking na época, ele superou gigantes como Novak Djokovic e Holger Rune. Esse tipo de zebra reforça como as apostas em tênis exigem atenção redobrada aos jogadores que vêm do circuito Challenger com ritmo de jogo elevado.

Na temporada de grama e saibro, o drama foi o elemento central, começando por Gabriel Diallo, que disparou 56 aces para conquistar seu primeiro título em ‘s-Hertogenbosch e se redimir da final perdida no ano anterior. Já em Houston, Jenson Brooksby protagonizou um retorno cinematográfico ao vencer o torneio como o 507º do mundo após começar o ano sem ranking, salvando match-points em três partidas diferentes ao longo da campanha. Complementando esse cenário de superação, Flavio Cobolli quebrou uma sequência amarga de oito derrotas consecutivas ao dominar o saibro de Bucareste, provando que o esporte permite reviravoltas tão rápidas quanto brutais.

A primavera europeia e norte-americana também consagrou novos nomes em torneios de prestígio. Em Miami, Jakub Mensik não se intimidou diante de seu ídolo, Novak Djokovic, e conquistou o título do Masters 1000 em sets diretos, um feito raríssimo para um estreante. Já no México, Tomas Machac justificou seu trabalho duro ao levar o troféu do ATP 500 de Acapulco, subindo para o Top 20 mundial. Ao observar o crescente favoritismo desses jovens nas cotações da Stake Brasil, percebe-se que o mercado já não os trata mais como meros azarões.

O início de 2025 já sinalizava que o ano pertenceria à próxima geração, especialmente na América do Sul. O carioca João Fonseca, com apenas 18 anos, brilhou em Buenos Aires. Ele superou a pressão da torcida argentina e se tornou o sul-americano mais jovem a vencer um torneio da ATP desde 1990. “Viver este momento é simplesmente inacreditável”, celebrou o carioca. Ele foi muito além: conquistou também o 500 da Basileia, sobre quadra dura coberta, e terminou como 24º do mundo, num salto incrível de qualidade e prestígio.

Ao todo, nove jogadores entraram para a galeria de campeões pela primeira vez em 2025. No entanto, o dinamismo do circuito indica que o sucesso não para por aqui. Existe uma nova leva de tenistas que especialistas e jogadores veteranos já apontam como os próximos a escalarem o ranking em 2026. Vamos a eles:

Além do Top 100: 7 promessas para o circuito em 2026

Enquanto nomes como João Fonseca e Jakub Mensik já ocupam as manchetes principais, uma nova linhagem de talentos sub-20 escala rapidamente o ranking. O objetivo imediato desses jovens é o Next Gen ATP Finals em Jeddah, um torneio que serviu de trampolim para oito dos atuais dez melhores do mundo. Conheça as faces que prometem bagunçar o status quo na próxima temporada.

Federico Cina: o herdeiro italiano

A ascensão do tênis italiano ganha um novo capítulo com Federico Cina. Filho do ex-Top 500 Francesco Cina, o jovem de 17 anos já conquistou sua primeira vitória contra um Top 100 ao derrotar Francisco Comesaña no Masters 1000 de Miami. Inspirado pelo sucesso de seus compatriotas e fã confesso de Djokovic, Cina equilibra a herança técnica da família com a explosão necessária para o circuito moderno.

Martin Landaluce: a nova estampa de Madri

Martin Landaluce carrega a responsabilidade de ser o campeão espanhol mais jovem em um challenger desde Carlos Alcaraz. Nascido em 2006, o madrilenho cresceu respirando tênis dentro de casa e já conta com vitórias em nível Masters 1000 e participações em Grand Slam. Treinar com Rafael Nadal na academia em Mallorca moldou sua mentalidade: Landaluce busca replicar a intensidade e a profundidade de bola que tornaram seus mentores lendas do esporte.

Rei Sakamoto: o gigante de Rod Laver Arena

Com 1,93m de altura, Rei Sakamoto está redefinindo o perfil do jogador japonês. Após conquistar o título juvenil do Australian Open, ele fez história como o segundo japonês mais jovem a vencer um challenger, atrás apenas de Kei Nishikori. Sob o conselho do próprio Nishikori, Sakamoto ajustou seu jogo para um estilo agressivo de “saque e primeira bola”, utilizando sua estatura para pressionar os adversários desde o primeiro segundo.

Nicolai Kjaer: o discípulo de Ruud

Campeão juvenil de Wimbledon em 2024, o norueguês Nicolai Budkov Kjaer tem em Casper Ruud uma figura de irmão mais velho. Segundo norueguês mais jovem a vencer um challenger, ele divide seu treinamento entre a Noruega e centros de elite na Itália e Mônaco. A proximidade com Ruud, com quem treinou durante as Finais da ATP, deu a Kjaer a visão clara de que a transição para o profissionalismo exige tanto consistência tática quanto humildade fora das quadras.

Rodrigo Pacheco Mendez: o orgulho mexicano

Rodrigo Pacheco Mendez quebrou um jejum de quase três décadas para o México ao se tornar o jogador mais jovem do país a vencer uma partida de nível ATP. Ex-número 1 juvenil, ele superou barreiras financeiras e linguísticas no início da carreira, viajando pela Europa à base de pizza e pouco dinheiro, para hoje figurar entre as grandes promessas da próxima geração. Curiosamente, longe das quadras, sua grande paixão não é o esporte, mas o mundo dos parques temáticos da Disney e Universal.

Alexander Blockx: a obsessão belga pelo jogo

Filho de atletas ucranianos, Alexander Blockx é descrito por seu treinador como alguém “obcecado” por tênis. O belga de 20 anos, que venceu o Australian Open juvenil superando Learner Tien e João Fonseca, já possui dois títulos de challenger no currículo. Blockx é um estudioso nato do esporte, capaz de citar placares e estatísticas de torneios de anos atrás, e usa esse conhecimento enciclopédico para antecipar movimentos e ler o jogo como poucos na sua idade.

João Fonseca: o despertar de uma estrela

O encerramento da última temporada consolidou o que antes era apenas uma promessa: João Fonseca terminou 2025 como o número 24 do mundo. Esse salto no ranking foi impulsionado por conquistas de peso, com o brasileiro levantando troféus em Buenos Aires e na Basileia, provando que seu tênis é capaz de dominar diferentes condições e superfícies.

A confirmação desse talento, no entanto, veio antes. Foi no Australian Open de 2025 que o mundo parou para observar o jovem de 18 anos aniquilar o então número 9 do mundo Andrey Rublev em sets diretos. O que mais impressionou naquela noite na Rod Laver Arena não foi apenas o placar, mas a naturalidade assustadora com que Fonseca disparava forehands paralelos, como se aquela quadra fosse o quintal de sua casa há décadas.

Momentos assim acontecem apenas uma ou duas vezes por década. Presenciar a trajetória de Fonseca é mais do que acompanhar estatísticas ou melhores momentos; é ter a chance de ver, em tempo real, um atleta compreendendo e assumindo o seu verdadeiro destino no esporte. Naquele choque contra um campeão de 17 títulos da ATP, o que se viu foi o nascimento de um fenômeno que transcende o placar.

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Jacques Trabbold
Jacques Trabbold
5 dias atrás

eu tiraria rodrigo pacheco e federico Cino, eu colocaria Rafa Jodar, outro que nao e tao novo mas que vem de um otimo segundo semestre foi o Michael Zheng…. e tem um mais tardio, mas que estava muito bem no segundo semestre, que mudou a maneira de jogar e comecou a comandar os pontos e vem muito bem, que e o Kypson de 25 anos ja. eu acho que esses sao os caras que devem fazer bonito e furar o top100.

Renato dos santos Pacheco
Renato dos santos Pacheco
4 dias atrás
Responder para  Jacques Trabbold

Concordo.

Renato dos santos Pacheco
Renato dos santos Pacheco
4 dias atrás

O mais perigoso dessa geração pro João e o mensik.

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