Nova York (EUA) – Qinwen Zheng está de volta às quartas de final do US Open após dois anos e demonstra estar em plena forma depois de conviver com diversos problemas físicos e resultados ruins. Atual campeã olímpica, nos Jogos de Paris, e ex-número 4 do mundo, a chinesa despencou no ranking, precisou disputar o qualificatório em Nova York e agora soma sete vitórias no torneio.
Nesta segunda-feira, Zheng eliminou a polonesa Iga Swiatek por 7/5 e 6/3, depois de sair de 0/5 no primeiro set. A reação aconteceu uma rodada depois de outra virada incrível, quando despachou a anfitriã Madison Keys. Na ocasião, a chinesa também ficou atrás por 5/0 no terceiro set e ainda salvou match-point.
“Minha confiança sempre esteve lá. Mesmo perdendo durante esses três ou quatro meses, sempre soube do que sou capaz. Só precisava mostrar isso. Sem confiança, você não consegue vencer uma partida”, destacou Zheng.
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A chinesa passou por uma cirurgia no cotovelo direito no ano passado, perdeu o US Open e também não disputou o Aberto da Austrália. No retorno ao circuito, não conseguiu embalar e agora é uma das grandes surpresas em Flushing Meadows, ocupando a modesta 121ª colocação do ranking.
“Psicologicamente, é muito difícil aceitar. Eu costumava ser top 10, sou campeã olímpica e jogava nos grandes estádios desde o início. Meu ranking caiu muito depois da lesão e não consegui jogar bem nos últimos três ou quatro meses. Sei que muita gente duvidou de mim e foi realmente difícil”, reconheceu.
Resiliência e pés no chão
Zheng contou que passou a usar a posição no ranking para pensar jogo a jogo, em busca de brilhar no último Grand Slam da temporada. A tenista de 23 anos sabe que ainda pode recuperar terreno e que não está satisfeita com as quartas, fase que já alcançou duas vezes.
“Digo a mim mesma: ‘A realidade é que você é apenas a 125ª. Não é mais a top 10 que era antes. Não se coloque tão acima. Você está aqui como todo mundo. Começou do zero, então fique aí e continue lutando’. Aprendi muito sobre mim, sobre tênis, sobre a vida, sobre tudo. Para mim, perder uma partida não é apenas sobre tênis. Tem muito mais a ver com você mesma”, avaliou.
A derrota na estreia do qualificatório do WTA 1000 de Toronto levou Zheng e sua equipe a mudarem os planos. Depois da partida, o treinador Pere Riba foi direto ao dizer que ela precisava parar de competir e focar em reencontrar seu jogo.
“People often ask me if I am tired… I’m not tired at all, I just feel really pumped.”
Seven wins down, three more to go for the formidable qualifier Zheng Qinwen 🗣️ pic.twitter.com/AvFpRAfy8M
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“Ele me disse: ‘Você não pode continuar jogando assim. Precisa fazer um período de treinamento e reencontrar seu tênis’. Pensei por cinco segundos e respondi: ‘Tudo bem, vamos fazer isso’”, confidenciou. Zheng foi para a IMG Academy, em Bradenton, onde se dedicou apenas aos treinos. Segundo a chinesa, foi o período de preparação mais duro que já realizou.
“Eu disse a ele que tinha todas as peças do meu jogo. Só não tinha conseguido juntá-las ou encontrar uma maneira de fazer isso. Então ele respondeu: ‘Vamos treinar muito para ajudar você a juntar todas as peças e depois vai me mostrar se realmente as tem’”, revelou.
Zheng explica as incríveis viradas
Contra Swiatek, Zheng entrou devagar na partida e rapidamente ficou em desvantagem. A chinesa não esperava repetir o que havia feito diante de Keys, mas voltou a buscar uma reação a partir de 0/5 e venceu sete games consecutivos para fechar a parcial.
“Comecei a partida muito devagar e por isso ela conseguiu fazer 5/0. Depois passei a jogar mais livremente, porque pensei que precisava ao menos encontrar meu ritmo para o segundo set”, disse a ex-top 4.
The self-belief? Extraordinary.
After starting the match 0-5 down in 20 minutes, Zheng Qinwen takes out Swiatek 7-5, 6-3! pic.twitter.com/WHUGzShzrV
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Durante a arrancada, chegou a esquecer o placar. Quando fez 5/4, foi buscar a toalha pensando que ainda estava 5/3. “Estava tão focada em cada ponto que nem conseguia lembrar o placar. Só pensava: ‘Esta bola tem que ir aqui, aquela ali, próximo ponto’. Fiquei repetindo isso. Acho que essa foi a chave para conseguir voltar”, exaltou.
Pela terceira vez nas quartas do US Open, Zheng enfrenta agora Elena Rybakina. A cazaque eliminou Naomi Osaka e leva vantagem de 4 a 1 no confronto direto. A rival tem motivação extra para o duelo, já que precisa de um triunfo para assumir de forma inédita a ponta do ranking.
“Ela tem o saque como sua maior arma e não é fácil. Também joga muito chapado, o que pode me deixar desconfortável. Mas todo mundo tem seus pontos fortes e também suas fraquezas. Vamos jogar e ver o que acontece”, encerrou Zheng.








