Por Eduardo Faria*
O esporte está repleto de exemplos que mostram que a idade, por si só, não determina o desempenho. A lendária Martina Navratilova conquistou títulos de Grand Slam já na faixa dos 47 anos, demonstrando que adaptação, treinamento e constância podem prolongar uma carreira esportiva em alto nível.
É claro que estamos falando de uma atleta absolutamente excepcional. Porém, existe uma lição importante para todas as mulheres: o envelhecimento acontece para todas, mas a maneira como atravessamos essa fase depende, em grande parte, do estilo de vida que adotamos.
Entre todas as estratégias disponíveis, poucas possuem tantas evidências científicas quanto a prática regular de exercícios físicos. E, para quem é apaixonada pelo esporte, o tênis pode ser um grande aliado.
Menopausa: uma nova fase, não o fim da vida esportiva
A menopausa representa o encerramento definitivo da fase reprodutiva da mulher. Entretanto, as mudanças hormonais começam anos antes, durante o climatério, período que geralmente se inicia entre os 40 e 45 anos.
A redução progressiva da produção de estrogênio provoca diversas adaptações no organismo. Nem todas as mulheres apresentam os mesmos sintomas, mas é comum ocorrer:
- ondas de calor;
- alterações do sono;
- oscilações de humor;
- fadiga;
- diminuição da disposição;
- ganho de peso;
- perda de massa muscular;
- aumento da gordura abdominal;
- redução da densidade óssea;
- dores musculares e articulares.
Cada organismo responde de forma diferente, mas praticamente todas as mulheres experimentam algum grau dessas mudanças.
O tênis como grande aliado da mulher
Continuar praticando tênis durante a menopausa pode trazer benefícios que vão muito além do prazer de jogar.
O esporte reúne características extremamente interessantes para essa fase da vida, pois melhora a capacidade cardiovascular, estimula a coordenação motora, preserva a agilidade, o equilíbrio e a velocidade de reação, além de desenvolver força e potência muscular.
Outro aspecto extremamente importante é o estímulo ósseo proporcionado pelos deslocamentos, acelerações, desacelerações e mudanças de direção, fundamentais para ajudar na manutenção da densidade mineral óssea.
Além dos benefícios físicos, o tênis promove integração social, melhora a autoestima, reduz sintomas de ansiedade e depressão e mantém o cérebro constantemente estimulado através da tomada de decisões rápidas, concentração e estratégia durante os pontos.
Mais do que um esporte, o tênis torna-se uma ferramenta de promoção da saúde física, mental e emocional.
O metabolismo muda durante a menopausa
Uma das maiores queixas das mulheres nessa fase é o ganho de peso.
A queda dos níveis de estrogênio favorece a redução da massa muscular, diminui o gasto energético em repouso e facilita o armazenamento de gordura, principalmente na região abdominal.
Essa mudança na composição corporal não representa apenas uma preocupação estética. O aumento da gordura visceral está diretamente associado ao maior risco de diabetes tipo 2, hipertensão arterial, doenças cardiovasculares e síndrome metabólica.
Por isso, manter-se fisicamente ativa torna-se ainda mais importante após os 40 anos.
Massa muscular: um patrimônio que precisa ser preservado
Com o avanço da idade ocorre naturalmente uma redução da massa muscular. Durante a menopausa esse processo pode se acelerar devido às alterações hormonais.
A diminuição da massa muscular – conhecida como sarcopenia – reduz força, potência, equilíbrio e aumenta o risco de quedas e lesões.
Embora o tênis recrute praticamente toda a musculatura corporal, ele não substitui um programa estruturado de treinamento de força.
A musculação e os exercícios resistidos passam a ser fundamentais para preservar massa muscular, melhorar a potência dos movimentos, proteger as articulações e manter a independência funcional ao longo dos anos.
Ossos fortes para continuar jogando
A deficiência de estrogênio acelera a perda de massa óssea. Estima-se que aproximadamente 30% das mulheres desenvolvam osteopenia ou osteoporose após os 50 anos.
A prática regular de exercícios com impacto moderado e treinamento de força ajuda a estimular a formação óssea.
Nesse aspecto, o tênis apresenta uma vantagem importante, pois os constantes deslocamentos, saltos e mudanças de direção promovem estímulos mecânicos que favorecem a manutenção da densidade óssea.
Naturalmente, mulheres com osteoporose estabelecida devem receber orientação médica e acompanhamento profissional para adequar a intensidade dos treinos.
Dores articulares: por que elas aparecem?
Outra queixa bastante frequente durante o climatério e a menopausa são as dores musculoesqueléticas.
O estrogênio participa da manutenção da hidratação dos tecidos articulares. Com sua redução, cartilagens, tendões e ligamentos tornam-se menos hidratados e mais suscetíveis ao desgaste.
Associado ao eventual ganho de peso, isso aumenta a sobrecarga sobre joelhos, quadris, coluna e ombros.
Apesar disso, abandonar a atividade física costuma agravar esse quadro.
Quando bem orientados, o treinamento físico e a prática regular do tênis ajudam a reduzir dores, melhorar a mobilidade, aumentar a estabilidade das articulações e devolver confiança para a prática esportiva.
O tênis sozinho é suficiente?
O tênis é um dos esportes mais completos que existem.
Entretanto, quando o objetivo é envelhecer com saúde, prevenir lesões e manter um bom desempenho, ele deve fazer parte de um programa mais amplo de condicionamento físico.
O ideal é combinar a prática do tênis com treinamento de força, exercícios de equilíbrio, estabilidade, mobilidade, fortalecimento do core, alongamentos e, quando necessário, treinamento aeróbico complementar.
Essa combinação melhora o rendimento dentro da quadra e reduz significativamente o risco de lesões.
O treinamento pode ser ainda mais individualizado
Cada mulher vivencia a menopausa de forma única. Algumas preservam melhor a massa muscular e recuperam-se rapidamente dos treinos, enquanto outras apresentam maior dificuldade para desenvolver força, maior tendência a dores musculoesqueléticas ou necessitam de um período mais longo de recuperação.
Por isso, programas padronizados nem sempre oferecem os melhores resultados.
Dentro dessa proposta de individualização, a Quinto Set desenvolveu o TFI – Treinamento Físico Inteligente, um programa de condicionamento físico que utiliza o mapeamento genético esportivo como uma ferramenta complementar para auxiliar na prescrição dos treinamentos.
O exame genético não determina o desempenho esportivo nem substitui a avaliação médica ou física. Seu papel é fornecer informações que, associadas à anamnese, aos testes físicos, à rotina de treinos e aos objetivos da praticante, permitem compreender características individuais relacionadas ao potencial de força, potência, resistência, capacidade de recuperação, resposta aos diferentes estímulos de treinamento e predisposição a determinadas lesões musculares e tendíneas.
Essas informações permitem ao preparador físico elaborar um programa mais personalizado, ajustando a carga de treinamento, o volume, os períodos de recuperação e os exercícios preventivos de acordo com as características de cada mulher.
Durante a menopausa, período marcado por importantes alterações hormonais e fisiológicas, essa individualização torna-se ainda mais relevante. O objetivo é preservar a massa muscular, reduzir o risco de lesões, melhorar a qualidade de vida e permitir que a mulher continue praticando tênis com segurança, desempenho e prazer durante muitos anos.
Alimentação e recuperação também fazem parte do treinamento
A alimentação exerce papel decisivo durante a menopausa.
Uma ingestão adequada de proteínas contribui para preservar a massa muscular. O consumo adequado de cálcio e vitamina D, sempre com orientação médica quando necessário, auxilia na manutenção da saúde óssea.
Da mesma forma, hidratação adequada, sono de qualidade e recuperação entre os treinos tornam-se fundamentais para que o organismo responda positivamente aos estímulos do treinamento.
Treinar bem também significa recuperar-se bem.
Muito além da quadra
Os benefícios da atividade física durante o climatério e a menopausa vão muito além do desempenho esportivo.
Quando bem planejado, um programa de treinamento contribui para:
- preservar a massa muscular;
- aumentar a força;
- melhorar a densidade óssea;
- controlar o peso corporal;
- reduzir a gordura abdominal;
- diminuir o risco de quedas;
- prevenir lesões;
- melhorar o equilíbrio e a coordenação;
- reduzir dores musculoesqueléticas;
- melhorar o humor e a qualidade do sono;
- diminuir o risco de diabetes, hipertensão e doenças cardiovasculares;
- promover maior autonomia e qualidade de vida.
Conclusão
A menopausa representa uma nova etapa da vida e não o fim da prática esportiva. Com acompanhamento médico, treinamento físico adequado e hábitos saudáveis, é perfeitamente possível continuar evoluindo dentro da quadra, jogar com prazer e preservar a saúde por muitos anos.
Na Quinto Set, acreditamos que não existem duas atletas iguais. Cada mulher possui uma história, uma rotina, objetivos e características biológicas próprias. Por isso, defendemos que o condicionamento físico deve ser individualizado, baseado em avaliações criteriosas e, quando indicado, complementado pelo mapeamento genético esportivo como mais uma ferramenta para orientar a prescrição do treinamento.
A menopausa não representa o fim da prática esportiva, mas o início de uma nova forma de treinar: mais inteligente, mais individualizada e baseada em ciência. O objetivo não é apenas jogar mais tênis, mas viver mais e melhor, com saúde, autonomia e qualidade de vida.
Bons treinos!
Licenciado em Educação Física, pós-graduado em treinamento esportivo e com diversas formações na área do treinamento físico e qualidade de vida, Eduardo Faria trabalha com tenistas desde 1986, ao lado de Fernando Meligeni, Flávio Saretta, Alexandre Simoni, Vanessa Menga e Thiago Alves, entre outros. Integrou a equipe da Copa Davis desde do final dos anos 90 até os dias atuais, atuando com nomes como Andre Sá , Bruno Soares, Marcelo Melo, Gustavo Kuerten e Marcos Daniel. É fundador da empresa ‘5º Set’, contendo o programa TFI (Treinamento Físico Inteligente), que combina testes físicos, mapeamento genético e avaliação nutricional para melhorar a performance de tenistas, do amador ao profissional: confira detalhes em quintoset.com.br.











