Copenhague (Dinamarca) – O sueco Holger Rune, de 22 anos, ex-número 4 do mundo, foi uma ausência sentida no Aberto da Austrália, encerrando no último domingo. Afastado das quadras desde outubro passado, quando sofreu lesão no tendão de Aquiles, em Estocolmo, Rune conversou com a reportagem do ATP Tour.com sobre sua surpreendente recuperação.
“Foi muito inesperado”, relembrou. Uma ressonância magnética confirmou o diagnóstico e a cirurgia foi realizada pouco depois. “Felizmente, tudo correu muito bem. Meu cirurgião fez um trabalho incrível, os fisioterapeutas são ótimos e minha equipe é excelente.”
Embora não tenha competido desde outubro, o tempo longe das quadras não significou descanso. Após duas semanas de repouso absoluto, o dinamarquês rapidamente retomou uma rotina estruturada, começando na academia antes de gradualmente retornar às quadras em dezembro.
“Meu tempo tem sido bem corrido, o que é ótimo”, explicou Rune. “Tenho tido uma agenda bem apertada porque há muitas coisas para fazer na reabilitação. Isso me mantém ocupado durante o período de afastamento.”
“Logo após a lesão, eu realmente precisava descansar. Estava no final da temporada e pronto para férias, só que não desse jeito. As duas primeiras semanas com a tala passaram voando. Eu estava relaxando, indo um pouco à academia, e foi bom ter um tempo de folga. Depois disso, a rotina ficou mais intensa. Sou muito jovem e estou me recuperando muito rápido até agora, o que é ótimo.”
Depois de inicialmente treinar com apenas uma perna apoiada no chão, Rune agora consegue treinar com os dois pés no chão. “Está começando a ficar muito bom. Agora é mais divertido porque consigo colocar mais energia na bola. Ainda tenho muita reabilitação pela frente, mas só de estar de volta à quadra já é ótimo. Acho que vai ser útil quando eu voltar a jogar, ter mantido o ritmo e tudo mais, porque não queremos outras lesões por ficar muito tempo parado.”
Longe da fisioterapia e da quadra de treino, Rune descobriu uma rara chance de diminuir o ritmo e se reconectar com a vida fora do circuito. De volta à Dinamarca, aproveitou o tempo com a família e amigos, enquanto que filmes, futebol e outros esportes, jogos de cartas, desafios na academia ajudam a passar o tempo.
“É bom estar mais com a família e amigos próximos”, disse Rune. “Normalmente não temos essa oportunidade. Assisti a muitos filmes, principalmente no início, depois da cirurgia. Eu ficava no sofá com a perna para cima assistindo à Netflix e também a alguns filmes de James Bond. Agora fui a um jogo de futebol, assisti a outros esportes e tentei ocupar minha mente com coisas além do tênis. Também assisti à Fórmula 1 quando estava no Catar”, contou.
“Sempre competi desde jovem. Sempre ansioso para vencer e lutar. Eu tinha esse dragão dentro de mim na quadra. Ainda o tenho. Essa lesão é um momento para mostrar a mim mesmo quanta força eu tenho e o quanto estou disposto a me dedicar. Sinto falta da adrenalina e da competitividade, mesmo em casa, fazendo exercícios na academia ou jogando partidas leves só para sentir isso de novo. Estou extravasando minha competitividade dessa forma.”
Essa mesma motivação se estendeu ao planejamento de sua recuperação. Rune e sua equipe fizeram o planejamento da recuperação baseados em pesquisas e conversas com atletas que enfrentaram contratempos semelhantes. “Pesquisamos bastante. No caso de lesões no tendão de Aquiles, a maioria dos estudos se concentra em pessoas mais velhas, e muitas não fazem cirurgia, podendo levar um ano para a recuperação”, explicou Rune. “Mas para atletas é diferente e mais rápido, pois fazemos a cirurgia. A cirurgia foi a opção mais natural para mim, para acelerar o processo de forma saudável.”
“Um jogador de futebol entrou em contato comigo. Ele teve a mesma lesão e voltou depois de quatro meses e meio. Existem diretrizes rígidas e você não pode pular etapas. Sou forte e jovem, então acredito que vou me recuperar rapidamente, mas isso exige trabalho duro e inteligente.”
O apoio dos fãs e dos colegas jogadores tem sido importante, algo que Rune admite sentir tanta falta quanto das próprias partidas. “Essa é uma das coisas de que mais sinto falta, jogar em quadra e sentir o apoio da torcida. Também recebi mensagens carinhosas de muitos jogadores. Mesmo sendo concorrentes, somos colegas e queremos o melhor uns para os outros”, comentou o dinamarquês.
“Quando você joga toda semana, você não para a fim de avaliar as coisas. Acho que se trata de administrar melhor os torneios e ouvir mais o meu corpo. Às vezes você se esforça demais, e agora foi demais para o meu corpo. No futuro, tentarei olhar para o panorama geral, não apenas para o próximo objetivo, mas para como me sinto física e mentalmente. Acho que isso é importante para meus objetivos a longo prazo.”
Enquanto Rune continua se preparando para seu retorno, a empolgação é evidente e cresce a cada treino. “Estou muito animado para voltar. Nos treinos, consigo colocar novamente muita energia na bola e a sensação é incrível. Acho que voltarei mais forte e, com sorte, terei muitas outras semanas perfeitas na minha carreira.”











Rune no início parecia ser o terceiro jogador na disputa com sinner e alcaraz. Tomara que volte ao seu melhor.
Dalcim, qual é a previsão de volta do dinamarquês?