Roma (Itália) – Grande nome do tênis italiano, Adriano Panatta anda entediado com o esporte que o consagrou. Campeão de Roland Garros em 1976, o ex-top 4 de 76 anos reclama da falta de criatividade dos jogadores e aponta Carlos Alcaraz como uma das poucas exceções.
Embora seja compatriota de Jannik Sinner, atual número 1 do ranking, Panatta prefere destacar a variedade de golpes do espanhol, comparando sua capacidade de surpreender à do suíço Roger Federer.
“São pouquíssimas as partidas que me interessam. Tenho muito respeito por todos os jogadores, mas fico entediado. Depois de dois games, já sei o que vão fazer, exceto em relação ao Alcaraz”, afirmou Panatta ao podcast Fuori Onda, do jornal Corriere della Sera.
Dono de 10 títulos de simples, Panatta considera que a força passou a prevalecer sobre a construção dos pontos. Na avaliação dele, até mesmo os jogadores de torneios menores seguem praticamente o mesmo estilo. “Hoje em dia, até nos torneios menores, todos batem na bola a dois mil por hora, sem o mínimo de raciocínio”, esbravejou.
Já ao analisar o estilo de Alcaraz, o italiano teceu inúmeros elogios. “É o único jogador que tem soluções diferentes. Ele consegue fazer o que Roger Federer fazia alguns anos atrás. Quando o suíço jogava, batia-se um pouco mais devagar. Parece que passou uma eternidade”, comparou Panatta ao mencionar o atual número 3 do mundo.
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O italiano, que também conquistou a Copa Davis de 1976, admitiu que acompanha poucas partidas e não sente falta da rotina do circuito. “Nem celular eu tinha na minha época. Sinceramente, não sei que tipo de vida eles levam hoje e nem gostaria de levar”, disparou.
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Concordo 100% com o Sr Panatta. Alcaraz tem a genialidade de conciliar velocidade com variações de ritmo, assim como fazia o maestro Federer.
Mas também gosto de assistir a algumas jogadoras da WTA que jogam com muitos slices, criatividade e inteligência — com destaque para a excelente escola tcheca. Também sinto falta da leveza dos jogos da australiana Ashley Barty.
É exatamente isso que eu penso em relação ao tênis atual. Durante a ausência do Carlos, eu não senti a menor falta de acompanhar o esporte. O Sinner é, obviamente, um jogador excelente e os resultados dele estão aí para provar, mas o estilo de jogo e a personalidade dele não me prendem nem um pouco. Acho tudo muito eficiente, mas zero emocionante de assistir. Com o Carlos é completamente diferente, porque você nunca sabe o que ele vai inventar em quadra. Um drop shot do nada, uma subida à rede, um slice, uma defesa incrível, uma mudança de ritmo… sempre tem alguma coisa acontecendo. Na última vez que tentei assistir a uma partida do Sinner, eu literalmente dormi no meio do jogo. Acho que isso resume bem o quanto eu estava sentindo falta do Carlos…
Que comparação desnecessária.
Federal era um jogador de classe, leal, e jogava com o potencial de variações.
Já o gritador, joga na pancada e usando o grito como blefe, igual a maioria dos seus conterrâneos, desleal, como o Fokina fez hoje, quando a bola é duvidosa, eles devolvem dado o grito, parecido com fora, para deixar o adversário instável, duvidoso.
Se tapar a boca deles já era.
De onde você tirou isso? Cheirinho de uma generalização xenofóbica…
O tenis ficou chato memso. As mudanças de padronização de pisos para privilegiar o rally estragou o tenis. Hoje todo mundo joga igual, é quase um esporte de robôs sem inteligência artificial.
Com a lentidão dos pisos e bolas, os tenistas passaram a usar equipamentos de mais potência como as raquetes de cabeça 100 e virou um jogo só de pancadaria, perde o ponto quem cansar primeiro e não mais a estratégia e a técnica. Esse jogo mais tedioso começou na década passada e persiste até hoje com exceção do Alcaraz surgido na década seguinte.
Exatamente, Federer é a maior referência em criatividade, talento e técnica apurada numa quadra de tênis. Não fosse a padronização e a adoção de quadras lentas no circuito, essa super maestria natural de Federer certamente o levaria a recordes inimagináveis. Porém os dirigentes optaram por um tênis sofrido como uma luta de boxe e de fato, isto tem causado muitas contusões nos atletas. Acredito que tentaram tornar o esporte mais democrático no sentido de que todos podem bater bastante forte na bolinha e assim, mais tenistas teriam mais chances no circuito. Como era anteriormente, quando aparecia alguém verdadeiramente diferenciado, chegava às vitórias facilmente, simplesmente à base de sua habilidade natural e isso realmente o fazia dominar o circuito. Assim decidiram que o tênis deveria ser uma espécie de batalha sofrida para todos.