Depois de fazer um dos primeiros semestres mais espetaculares dos últimos tempos, com cinco títulos seguidos de Masters e o bicampeonato em Wimbledon, o número 1 do mundo não conseguiu mais jogar tênis. A culpa é do joelho. Não pôde competir no Canadá e em Cincinnati, o que o fez perder a sequência espetacular em 1000. Pior ainda, veio o anúncio de que não irá se recuperar de forma suficiente para disputar o US Open, que começa dentro de oito dias.
É um tremendo contraste com a notícia vinda menos de 24 horas antes: enfim, Carlos Alcaraz se acha em condições de retornar ao circuito, de onde se afastou desde abril por conta de uma preocupante lesão no punho direito. Caso isso se confirme – e agora mais do que nunca parece muito importante -, há justas dúvidas sobre como ele conseguirá ser competitivo em partidas de cinco sets depois de uma parada tão longa. Vai estar confiante e solto o suficiente para sacar e bater o forehand como antes?
Claro que tudo isso gera ânimo para quem vem atrás, especialmente Alexander Zverev, que pode definitivamente sonhar com a liderança do ranking, assim como aspirantes tradicionais, como Félix Aliassime, Ben Shelton ou Taylor Fritz, ou quem já esteve no topo do pódio em Nova York, lista pequena que conta apenas com Novak Djokovic e Daniil Medvedev e bem remotamente Marin Cilic e talvez Stan Wawrinka.
O fato deliciosamente curioso é que a maioria desses nomes não demonstrou qualidade nos eventos preparatórios até agora. A maior decepção cabe a Zverev, que herdou a cabeça 1 dos dois Masters e fez muito pouco. Vimos faltar pernas a Nole, equilíbrio ao Urso e competência para Aliassime e Fritz. Só mesmo Shelton se destacou, apesar da derrota muito precoce em Cincinnati.
Neste domingo, veremos um novo campeão de Masters, que sairá entre Flavio Cobolli, Arthur Fils, Brandon Nakashima e Frances Tiafoe. O italiano está em sua primeira semi deste nível, mas acaba de ser vice em Roland Garros, enquanto Fils ainda tenta final inédita em 1000 em sua terceira tentativa da carreira e da temporada, após Miami e Madri. Detalhe importante, Cobolli pode chegar ao top 5 se vencer neste sábado e com isso ganhar a cabeça 4 do US Open.
Quem está num grande momento é Nakashima, que vem de semi em Washington e vice em Montréal. Vingou-se em grande estilo de Fritz nesta sexta-feira e será pelo menos 17º do mundo na próxima lista, garantindo-se entre os 16 principais cabeças do US Open. Segue com um saque pesado, golpes fortes e consistentes da base dos dois lados e invejável desempenho físico. Tiafoe por sua vez tenta a segunda final de Masters e de Cincinnati. É muito bom ver que ele recuperou seu melhor tênis e parece bem menos preocupado em dar espetáculo.
Nova sensação tcheca
A grande novidade em Cincinnati, no entanto, se chama Sara Bejlek, que já deixou pelo caminho duas campeãs de Grand Slam de quadra dura: a líder do ranking Aryna Sabalenka e a dona da casa Madison Keys. A canhota de 20 anos já havia mostrado qualidades quando saiu do quali e ganhou o 500 de Abu Dhabi, em fevereiro. Com 1,60m, compensa a falta de saque definidor e golpes arrasadores com muita perna e disposição, ótima visão de quadra e um forehand venenoso. Terá outro teste muito duro contra Coco Gauff, que dominou Marta Kostyuk com autoridade.
A segunda vaga na final estará na mão de “veteranas”: Iga Swiatek, novamente embalada, ou Jessica Pegula. A polonesa teve sua tarefa abreviada por um problema de Elena Rybakina no tornozelo esquerdo, que coloca interrogação em sua presença no US Open.
A norte-americana fez final em Cincinnati há dois anos, encara uma campanha exigente e até precisou ser atendida para o adutor na dura vitória sobre Amanda Anisimova. Por isso, preocupa. Nos duelos diretos, Iga ganhou sete dos 12, incluindo Roma, em maio.
Matos e Luz seguem em grande momento
Diante de uma chave nada fácil, Rafael Matos e Orlando Luz estão em mais uma semifinal de Masters 1000. Os campeões de Montréal já tiraram os cabeças 4 e 5 de Cincinnati e têm chance real de marcar uma nova decisão neste sábado, quando enfrentam dois especialistas no assunto, o monegasco Hugo Nys e o francês Edouard Roger-Vasselin.
A vitória das quartas de final em cima dos italianos Simone Bolelli e Andrea Vassori, parceria que soma três finais de Slam, teve ótimos momentos. Um primeiro set enrolado, em que os gaúchos precisaram salvar quatro break-points, e um tiebreak onde evitaram set-point. A confiança subiu ainda mais no segundo set, com destaque para a devolução, que fez os adversários entrarem nos pontos, e a paciência para construir a hora certa de matar a jogada.
Orlandinho já garantiu a chegada inédita ao top 20 e poderá ser 17º em caso de nova final, o que levaria Matos a manter o 20º posto. Não menos importante, a vitória neste sábado os colocará no sexto lugar da Corrida para Turim. O sonho continua.










Dalcim , não sei se e possível explicar , mais que contusões são essas do Sinner se eles sempre ganha no final machucado ou não ? Ele jogando não parece que tenha algum problema
Mas se ele estivesse com problema, não estaria jogando. Provavelmente a contusão aconteceu depois de Wimbledon.
Sinner esta pagando pelo calendário do 1° semestre na ganância de ganhar todos os Master 1000?
Me parece óbvio que se você chega a final de tantos masters, deveria se preservar na semana seguinte, abrindo mão de alguns deles.
Flávio Cobolli está cada vez mais sólido no circuito. Em breve vai estar mirando o número 1. Inclusive deve ser considerado um dos principais favoritos no US Open. E numa dessa até João Fonseca pode surpreender com uma grande campanha.
Vida longa ao seu ótimo blog. Obrigado
Obrigado!
Realmente um excelente blog, mostrando sempre as facetas e as mazelas desse maravilhoso esporte. Parabéns!