Estudo expõe dificuldade de jovens para lucrar no tênis profissional

Foto: World Tennis

Berlim (Alemanha) –  Apenas cerca de um terço dos jovens que estavam no top 100 juvenil da World Tennis (ex-ITF) em 2008 conseguiu terminar a carreira profissional com balanço positivo, ou seja, teve mais receitas do que despesas. O dado faz parte de um estudo publicado pela revista científica Social Sciences & Humanities Open sobre as dificuldades financeiras enfrentadas por quem tenta viver do tênis.

Entre os homens analisados, 32% conseguiram arrecadar em premiações mais do que gastaram ao longo da carreira. O índice entre as mulheres bateu em apenas 34%. Isso significa que praticamente dois em cada três jogadores que chegaram ao top 100 juvenil acabaram sofrendo prejuízo em suas trajetórias.

A situação só começa a melhorar para quem consegue se aproximar do top 150. Segundo o estudo, é por volta dessa faixa que um jogador passa a ter condições de bancar os custos da carreira, tanto no ranking da ATP quanto no da WTA. Os valores, porém, variam bastante conforme os gastos com viagens, treinador e equipe.

Para chegar a essa estimativa, os pesquisadores consideraram despesas anuais aproximadas na casa de US$ 53.435, cerca de R$ 290 mil. Caso os custos sejam maiores, seria necessário alcançar uma posição próxima do top 80 para terminar a temporada no lucro.

+ Clique aqui e siga o Canal do TenisBrasil no WhatsApp

Entrar na chave principal de um Grand Slam também pesa bastante na conta. A premiação recebida por uma única participação pode ser semelhante ao valor acumulado por um jogador durante toda uma temporada no circuito challenger. Essa análise aumenta ainda mais a diferença entre quem consegue disputar os principais torneios e aqueles que permanecem nas competições menores.

Outro dado chama bastante atenção. Quase todos os juvenis acompanhados pelo estudo conseguiram posteriormente entrar no ranking profissional, sendo 96% dos homens e 97% das mulheres. Porém, ingressar no circuito profissional não foi o maior problema, mas sim avançar o suficiente para conseguir arrecadar premiações consistentes.

O relatório foi elaborado por Katharina Schöttl, Michael Keiner, Valentina Metz e Florian Kainz. Além de acompanhar os resultados e as premiações dos jogadores, os pesquisadores consultaram especialistas ligados ao tênis profissional para calcular os custos e estimar a faixa do ranking necessária para que um atleta consiga prosperar como tenista profissional, sem incluir patrocínios e outros eventuais bônus.

Subscribe
Notificar
guest
1 Comentário
Newest
Oldest Most Voted
João MF
João MF
18/08/2026 17:59

É muito chato constatar isso, mas o tênis é um esporte para uma “elite” e, infelizmente, não é rentável. A maioria acaba desistindo. O sacrifício é ainda maior para quem sonha em ser atleta hoje em dia e quer seguir nessa modalidade, mas não tem condições de fazê-lo.
Meu primo tentou, mas os custos foram pesando e, no fim, ele preferiu abrir um negócio. Outros acabam chegando a esse mesmo dilema, quando os riscos e as contas começam a pesar na balança e, principalmente, no futuro pessoal.

Comunicar erro

Comunique a redação erros de português, de informação ou técnicos encontrados nessa página.

Obs.: Link e título da página são enviados automaticamente ao TenisBrasil.