Aryna Sabalenka continua sendo a número 1 do mundo, mas a temporada de 2026 mostra que sua vantagem já não é a mesma. Se em 2025 a bielorrussa parecia dominar o circuito com tranquilidade, hoje sua liderança é constantemente colocada à prova. A diferença entre as duas temporadas ajuda a explicar essa mudança.
Em 2025, Sabalenka teve uma das melhores temporadas da carreira. Conquistou títulos importantes, como US Open, Miami e Madri, e, quando era derrotada, normalmente caía apenas diante de adversárias da elite, como Coco Gauff, Elena Rybakina, Madison Keys, Mirra Andreeva e Jeļena Ostapenko. Sua regularidade impressionava, com presenças constantes em semifinais e finais dos maiores torneios.
Em 2026, os números seguem excelentes. Ela conquistou Brisbane, Indian Wells e Miami e mantém um dos melhores aproveitamentos de vitórias da WTA. A diferença é que as derrotas passaram a acontecer mais cedo. Eliminações em Roma, Roland Garros e Wimbledon contrastam com a consistência apresentada no ano anterior.
A queda diante de Naomi Osaka em Wimbledon foi especialmente simbólica. Foi a primeira vitória da japonesa sobre Sabalenka em oito anos de confronto e a primeira derrota da número 1 em sets diretos em um Grand Slam desde o US Open de 2020. Durante quase seis anos, sempre que perdeu um major, Sabalenka ao menos levou a partida ao terceiro set.
Esses resultados levantam uma questão inevitável: o circuito aprendeu a jogar contra Sabalenka ou ela está rendendo abaixo do seu melhor?
Provavelmente há um pouco dos dois. Seu jogo continua sendo um dos mais agressivos do circuito, mas já é amplamente conhecido. Quando o primeiro saque perde eficiência ou as adversárias conseguem alongar os pontos, os erros não forçados aparecem com mais frequência. Além disso, jogadoras de estilos distintos, como Elena Rybakina, Naomi Osaka, Diana Shnaider e Sorana Cîrstea, têm encontrado maneiras de neutralizar sua potência.
Esse equilíbrio também aparece no ranking. Antes de Wimbledon, Elena Rybakina tinha uma oportunidade real de assumir a liderança, mas acabou eliminada precocemente. Ainda assim, a diferença entre as duas caiu para apenas 407 pontos (8.550 contra 8.143), uma das menores desde que Sabalenka chegou ao topo. A disputa pela liderança passa a se concentrar principalmente entre a bielorrussa e a cazaque na sequência da temporada.
Com a temporada de quadras duras e o US Open pela frente, Sabalenka ainda depende apenas de seus próprios resultados para permanecer na liderança. Pela primeira vez desde que assumiu o posto de número 1, porém, sua posição parece realmente vulnerável. A questão para o restante da temporada não é se ela continuará entre as melhores do mundo, mas se conseguirá recuperar a superioridade demonstrada em 2025 ou se a disputa pelo topo da WTA marca o início de uma nova era no circuito feminino.







