Neste Grand Slam de tantos feitos históricos, o tênis brasileiro não ficou de fora. Depois de João Fonseca marcar o melhor resultado entre os homens desde Gustavo Kuerten, em 2004, a garotada mostra o quanto podemos acreditar que vem aí uma geração vencedora.
Com as boas atuações de Guto Miguel, o principal favorito com a ausência do atual número 1 do ranking, e a campanha surpreendente de Leo Storck, que já derrubou três cabeças de chave em sequência, teremos fatalmente um finalista. Isso só aconteceu outras quatro vezes, com Edison Mandarino (1959), Thomaz Koch (62 e 63) e Luís Felipe Tavares (1967). Ainda não erguemos esse troféu em simples. O sucesso veio apenas nas duplas, com Guga Kuerten (1994) e Matheus Pucinelli (2019).
Victoria Barros, por sua vez, entrou como terceira favorita e tem feito jus a isso, apesar de superar batalhas na campanha. Ela quebra um tabu de 39 anos, repetindo a façanha de Andrea Vieira, em 1987, e tentará ser a primeira menina brasileira numa decisão juvenil de qualquer Slam.
É importante observar: Guto é goiano, Storck nasceu no Mato Grosso e Victoria surgiu no Rio Grande do Norte, três lugares que não são centros de referência para o tênis nacional. Isso só mostra o quanto temos de garimpar talentos pelo país afora, porque eles estão lá, à espera de um trabalho organizado que lhe dê as oportunidades que esses três talentos tiveram. E o mesmo se aplica a Naná Silva, paulistana de origem humilde que foi levada pelo pai Paulinho às quadras públicas para se desenvolver.
Nesse rol de inovações do tênis nacional, não vamos esquecer de Luísa Stefani. Nesta sexta-feira, ela poderá ser a primeira brasileira numa final de duplas femininas em Paris desde Maria Esther Bueno, em 1961. Além dela, apenas Cláudia Monteiro decidiu as mistas em 1982, ao lado de Cássio Motta. Nos demais Slam, Bia Haddad fez final na Austrália, em 2023, quebrando jejum de 55 anos.
A favorita e a surpresa
A decisão feminina de sábado também viverá momentos muito especiais, seja com a consagração definitiva da russa Mirra Andreeva, ainda com 19 anos, ou pela canhotinha mágica da polonesa Maja Chwalinska, agora a jogadora de mais baixo ranking a decidir Paris, superando a compatriota Iga Swiatek.
A atuação de Mirra me espantou, porque ela não pareceu sentir qualquer pressão, controlou perfeitamente os nervos e foi eficiente do começo ao fim, encerrando a série de 17 vitórias no saibro da sensação ucraniana Marta Kostyuk. “Estou tão concentrada que consigo ver até os pelos da bola”, garantiu.
Maja por sua vez segue sua campanha incrível, agora com nove vitórias e um único set perdido, lá na terceira rodada, quando virou em cima de Maria Sakkari. Na chave, começou com vitória sobre Qinwen Zheng e Elise Mertens, depois Anna Kalinskaya e nesta quinta Diana Shnaider foi a terceira cabeça de sua lista.
Mais do que tudo, Chwalinska desfila um tênis criativo, imprevisível, cheio de recursos. O primeiro set contra a também canhota russa mostrou qualidade admirável. Apenas 114ª do ranking, é a terceira de mais baixa classificação a decidir um Slam e a segunda oriunda do quali, a primeira em Paris. Irá agora disparar para o 21º lugar, com chance de ser a 14º se levantar o título. A premiação bruta acumulada era de 745 mil euros, metade dos 1,4 milhão já garantidos.
“Estudo as adversárias e tento entender o jogo delas. Quando era jovem, passava o dia assistindo a jogos de tênis”, segredou Maja, que chegou a Roland Garros com apenas duas vitórias sobre o saibro em torneios de primeira linha em toda a carreira e sem qualquer vitória sobre uma top 50.
Alguém duvida que ela pode erguer o troféu no sábado?
E mais
– Alexander Zverev tenta repetir a vitória de semanas atrás em Madri em cima de Jakub Mensik, partida marcada para as 9h30 desta sexta-feira. Não há previsão de chuva e o vento deve ser normal.
– O alemão só perdeu um set no torneio, enquanto o tcheco se desgastou bem mais. Disputou 20 e cedeu 5. As casas de aposta dão 70% de favoritismo ao finalista de 2024.
– Aos 20 anos, Mensik tenta ser mais jovem a decidir Paris desde Rafa Nadal, em 2006.
– Amigos e parceiros de treino, Flavio Cobolli e Matteo Arnaldi decidirão entre si quem será o italiano que tentará repetir Adriano Panatta 50 anos depois. Sinner falhou no ano passado. Jogo começa não antes das 14h.
– Arnaldi tem 3 a 2 no geral, todos no saibro, mas Cobolli ganhou em Roland Garros do ano passado. O favoritismo do cabeça 10 é de 3 para 1.
– Cobolli garante o top 10 inédito se vencer ou se Mensik não passar por Zverev, enquanto Arnaldi se tornará o jogador de mais baixo ranking a decidir Roland Garros se for adiante.
– E a Itália já garantiu seu primeiro troféu nesta edição, com a parceria de Sara Errani e Andrea Vavassori, que confirmam o título do ano passado e somam agora quatro Slam.
– Serena Williams fez primeiro treino para a dupla que fará em Queen’s com Victoria Mboko. Mostrou cintura fina.










Estava tão nervoso no jogo de JF , que não me toquei que a partida foi em Indoor ( Teto retrátil fechado) . Comentarista da ESPN mandou bem antes de começar o jogo.” Mensik não terá tanta facilidade no Serviço e entrar na quadra todo o tempo” . Daí o grande favoritismo de Zverev nas casas de apostas. Alemão é quem lidera número de Aces no Torneio. Mensik atrás até de Taylor Fritz …Abs !
O set 1 vai se caracterizando por games longos, o que por mais incrível que pareça favorece o Zverev (nunca primou por grande preparo, alem de ser diabético), que tem muito menos tempo de quadra do que o tcheco. Por enquanto 33…
Passando para agradecer ao Thiago Silva pela correção que me fez na pasta anterior.
E eu nem sei onde estava com a cabeça quando escrevi que o Fognini era da mesma geração do Zverev kkkk
Na verdade, eu quis dizer “contemporâneo”, mas “mesma geração” ficou redondamente errado mesmo (rs)
Valeu, Thiago.
Nas semifinais masculinas vou de 60/40 a favor do Cobolli e 55/45 a favor do Zverev. Na final feminina acho que a Andreeva é favorita na proporção 70/30. E tomara que a Victoria Barros se classifique pra final. Ter um brasileiro e uma brasileira campeões dos Torneios Masculino e Feminino Juvenil de Roland Garros 2026 é um feito inimaginável há uns tempos atrás. Está um pouco distante ainda porque o brasileiro, Guto ou Léo, terá que ganhar a final e a Victoria Barros tem que ganhar a semifinal e final. Mas não custa nada sonhar. De qualquer forma, Guto Miguel, Leonardo Storck e Victoria Barros já entraram para a história do tênis brasileiro.
Não conheço o nome tampouco o jogo da polonesa. Mas o que veio à cabeça foi uma comparação de uma final que ocorreu em RG mesmo, entre Sharapova x Errani.
A russa sendo Sharapova e a polonesa sendo Errani. . .
Errani não deu nem pro começo….
Aposto no masculino Zverev X Arnaldi. E vou apostar na Maja Chwalinska, gostei da atitude dela em quadra, respeitosa e humilde. Sem a empafia de muitas tenistas atuais.
Excelente texto.
Quando um talento surge em GO, RN, MT ou em uma quadra pública de São Paulo, ele nos lembra que a habilidade está distribuída de forma muito mais ampla do que as oportunidades. O Brasil não tem problema em “produzir” talentos, mas em encontrá-los. Eles existem em abundância, mas estão dispersos e muitas vezes invisíveis. Quanto maior a rede de observação (centros de treinamento, torneios e apoio à formação) maior a probabilidade de identificar os futuros campeões.
Essa é minha briga há duas décadas, Fernando! O tênis brasileiro é sempre reagente.
Assino embaixo. E o tênis poderia mudar muitas vidas ( não só dos jogadores mas também das famílias).
Dalcim, se Maja Chwalinska ganhar, qual vai ser a campeão de Slam mais estranha, ela ou Emma Raducannu? Emma nem Challenger tinha ganho, porém Maja nunca tinha ganho uma partida de Slam.
Ao menos por enquanto a carreira de Emma tem sido nível jogadora semi profissional, quem sabe Maja Chwalinska consegue evoluir depois de RG
Não acho que haja muita diferença no tamanho da façanha. Eram completas desconhecidas e sair do quali para o título é algo quase inimaginável num Slam.
Aproveitando, refresque nossas memórias mestre: qual era mesmo o ranking do Guga quando ele foi campeão de RG pela primeira vez?
66
Valeu André!
Não vi o jogo da Andreeva, mas fiquei com uma curiosidade: a russa e a ucraniana se cumprimentaram?
Kostyuk passou direto, mas certamente a Mirra nem esperava outra coisa.
Pra quem reclamava que o domínio Sinner/Alcaraz estava chato, taí a renovação. E a chance de ouro pro Zverev. Outra dessa, acho que nunca mais.
Só que o Mensik, apesar de estar mais cansado, é carne de pescoço.
E quanto à Sabalenka, ficou parecendo um avião em velocidade de cruzeiro, e que de repente perdeu uma asa entrando em parafuso. Impressionante.
Perfeito. E as casas de apostas dando 70 % a 30% . Erraram feio junto comigo dando 60 % para JF contra ” Homem de Gelo” , e não aprenderam . Eu vou de 55 % a 45 para Zverev. A não ser que ele surpreenda Mensik nas devoluções. Na outra , aí sim , 70% a 30 % para Cobolli. A conferir. Abs !
Eu acho que é 60% a 40% pro Zverev devido às horas em quadra no torneio de ambos.
Vou torcer pela polonesa, mas essa final deve ser 80-20 pra Mirra. Depois de esmagar a ucraniana, só uma catástrofe pra tirar o título dela.
Onde assino, meu caro? . Sua Treinadora é uma especialista em estratégias…Abs !
Onde assino, meu caro ?. Abs !
Concordo.
E os 20% vão para a polonesa, caso Andreeva sinta demais a pressão do favoritismo.
Se você já viu algum jogo da polonesa, você nao teria tanta certeza assim…Ela está com a confiança lá em cima e é muito concentrada.