O novo quebrador de recordes

Embora diga que recordes nunca fazem parte de seus objetivos, Jannik Sinner começou a reescrever o livro de história e a se intrometer em campos em que o super poderoso Big 3 parecia intocável. Em poucas semanas de exibições primorosas sobre o piso em que parecia mais vulnerável, o italiano emendou uma série de conquistas e números para balançar o circuito.

No mais nobre deles, repete a notável façanha de Novak Djokovic e já tem ao menos um título em cada um dos nove Masters vigentes (o sérvio ainda chegaria a dois em cada um). O que causa espanto é que Nole precisou de 11 anos, entre Miami-2007 e Cincinnati-2018, para isso, enquanto Jannik fez a trajetória em menos três temporadas, começando por Toronto-2023 e agora completando em Roma-2026.

Ao mesmo tempo, Sinner quebra três marcas de Djokovic: fechou o Carrer Masters aos 24 anos, sete a menos do que o sérvio; bate o recorde de seis títulos consecutivos desse quilate – e os cinco primeiros de uma temporada – e também tem agora a maior série invicta, com 34 vitórias, com boa chance de aumentar no Canadá, em agosto.

Com cinco troféus de Masters erguidos em 2026, ele já iguala as marcas de Rafa Nadal (2023) e de Djokovic (2011 e 2015) e portanto tem boa chance de colocar no currículo mais esta marca absoluta, já que os quatro próximos Masters serão sobre quadra dura, sua preferida.

Aliás, quando pisou em Monte Carlo, no começo de abril, o italiano ainda buscava um grande troféu no saibro, até então limitado ao pequeno Umag. Ao dominar Carlos Alcaraz no Principado, Alexander Zverev em Madri e agora Casper Ruud no Foro Italico, ele repetiu Nadal de 2010 ao ganhar sucessivamente todos os Masters da terra. Duvido que o próprio “rei do saibro” imaginasse que alguém o repetiria tão cedo.

A ATP não perdeu tempo e soltou uma atualização do que chama de “Big Titles” e colocou agora Sinner à frente de Carlos Alcaraz, já que o espanhol lidera em títulos de Slam (7-4), mas perde em Finals (0-2) e Masters (8-10).

Todos os olhos em Paris

Favorito absoluto também em Roland Garros, onde o título escapou de seus dedos no ano passado, Sinner já tem duas metas espetaculares a motivá-lo: fechar o Slam do saibro, como Rafa fez em 2010, e fazer também o Career Slam. É bom lembrar que apenas Nadal, Djokovic, Alcaraz e Guga Kuerten conseguiram ganhar os quatro maiores torneios da terra batida na carreira desde que os Masters foram instituídos em 1990.

Seu maior adversário nessa tarefa parece ser ele mesmo. Principalmente a parte física, já que o desgaste de tantas partidas ficou patente na semifinal de Roma, em que sofreu séria ameaça de Daniil Medvedev até a partida ser suspensa pela chuva. Roland Garros exige pelo menos três sets e, apesar do dia de descanso, todo mundo sabe que o cansaço se acumula fatalmente. E tem, é claro, a cobrança e a expectativa cada vez maiores. Administrar tudo isso será essencial.

Na parte técnica, com a ausência de Alcaraz, o número 1 está sem adversários à altura. Grande especialista no piso, Ruud até conseguiu equilibrar os oito primeiros games da partida final. Até que Sinner apurou a devolução, deu profundidade à bola e, mesmo sem jogar seu melhor, ficou muito distante.

O tênis italiano completou a festa com o título de duplas de Simone Bolelli e Andrea Vavassori, primeira parceria da casa a ser campeã em toda a Era Profissional. E, naquelas ironias do destino, Jannik enfim ganhou Roma justamente 50 anos depois que Adriano Panatta deu o último troféu a seus fanáticos torcedores. E Panatta, embalado, fez o que parecia impossível: eliminou Bjorn Borg e ganhou Roland Garros.

Melhor prenúncio, impossível.

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Luciano Antonio
Luciano Antonio
9 horas atrás

Claro que essa semana ele irá descansar. Mas o cansaço – como bem disse o autor da matéria – se acumula, e a conta chega e o corpo cobra. Agora é saber qual será o preço disso tudo. Tomara que o Sinner não sinta o suficiente e que ganhe RG, para mais uma vez fazer história! Boa sorte!

José Afonso
José Afonso
9 horas atrás

Mais um primoroso texto, nobre Dalcim. O garoto italiano mostra cada vez mais que não está para brincadeira e que é capaz de fazer o que parecia impossível.

Se um dia ele quebrar os maiores recordes do esporte e tirá-los das mãos do GOAT Dourado, o posto de novo GOAT ficará em boas mãos. Falando nos dois, se Sinner sentir o físico em Roland Garros, temos uma boa chance para o 25º Slam, assim como uma imperdível oportunidade para o Zé.

Maurício Sabbag
Maurício Sabbag
9 horas atrás

O João Fonseca, ao optar por ingressar neste mundo do tênis de alta performance, vai precisar – e espero que já o esteja fazendo – lidar com a pressão. O que não é nada fácil, porque exige maturidade acima da média pra um rapaz de 19 anos.
Citando o exemplo mais recente, já tem internauta acusando a comissão técnica de mentir que ele está contundido, de poupá-lo além do necessário… todos morrendo de pressa pra que o brasileiro escale o ‘ranking’ à la Alcaraz. Como isto não está acontecendo, vem a frustração de mãos dadas com a cobrança.
” – Ah, mas ele é jovem e já tá contundido?” Sim, está. Juventude não é sinônimo de robotização. Pelo visto, principalmente os mais jovens, acham que os jogadores não são humanos, mas sim personagens de videogame.
Paciência, empatia, resiliência. Nada disso é o forte de boa parte dos torcedores.
E ” Pra não dizer que falei de flores”, o Sinner, na ausência do Alcaraz, agora nada de braçada, como já era previsto.
Só o cansaço ou – espero que não – alguma contusão podem tirar dele a taça de Roland Garros.
Espero que continue assim, que o acho muito gente boa.

José Eduardo Pessanha
José Eduardo Pessanha
9 horas atrás

Como esperado, Pecador está invencível. Se o físico deixar, leva todos os torneios restantes do ano.

Sérgio Ribeiro
Sérgio Ribeiro
9 horas atrás
Responder para  José Eduardo Pessanha

Errado : Se Carlos Alcaraz voltar breve ( Gira de Grama ) , Sinner terá os problemas de sempre . Um rival que possui a maior variação de jogadas do Circuito. Vamos combinar que caríssimo Pessanha nunca foi bom de palpites… rsrs. Abs !

Evandro
Evandro
10 horas atrás

Todos os caminhos levavam Sinner a Roma. Apesar do prenúncio Panatta, não acredito que o levem a Paris. É pouco tempo para recarregar baterias e virar páginas.

Rafael
Rafael
10 horas atrás

Mundo maluco, olhem o que estamos falando, um tenista vencer todos os masters da temporada, isso era algo impensável, e o impressionante é que ele tem chances reais disso!

Jonas
Jonas
10 horas atrás

Essa rivalidade deve terminar parecida com a de Djokovic e Nadal.

Djokovic>Nadal

Sinner>Alcaraz.

Sérgio Ribeiro
Sérgio Ribeiro
9 horas atrás
Responder para  Jonas

Finalmente saistes de dentro da Baleia não é mesmo Mestre Jonas??? . E para soltar esse tipo de ” Pérolas” , quem é maior que quem… Volte para onde estavas pois do Esporte gostas pouco… Rsrsrs,Abs !

Guilherme ES Ribeiro
Guilherme ES Ribeiro
10 horas atrás

Acho que fazer o Carrer Master em espaço tão curto de tempo evidencia que além da qualidade do Sinner, a falta de adversários a altura também possibilitou isso. Na época do Big3, além deles competindo entre si, tínhamos vários outros jogadores que incomadavam, o que agora está muito distante de acontecer. Está ficando monótono e chato. Somente os super fãs do Sinner estão gostando. Não tenho nada contra o Sinner. É muito merecido porque ele é muito trabalhador e focado. Mas que está chato, está.

Sérgio Ribeiro
Sérgio Ribeiro
9 horas atrás
Responder para  Guilherme ES Ribeiro

Vamos somente lembrar que dos últimos 4 Slam, Alcaraz levou 3 , todos com Sinner presente, e o batendo na Final em RG e USOPEN. No AOPEN jovem Italiano caiu cedo. Provavelmente não levaria todos no Saibro pois teria rival a altura… Carlitos também já levou Monte Carlo, Madri e Roma . Abs !

Sérgio Ribeiro
Sérgio Ribeiro
10 horas atrás

Quem viu a Final de RG 2025 , sabe que de “vulnerável” , Sinner não tinha nada na Terra Batida. Na sequência vitória sobre seu grande rival em Monte Carlo 2026 . Adriano Pannata foi o único Tenista a bater Bjorn Borg em RG . E por duas vezes , para irritação de grandes Saibristas como Guillermo Vilas e Ivan Lendl …rs. Abs !

Rafael
Rafael
11 horas atrás

O Sinner está “injogável”! Uma máquina! Contudo, uma pena que somente o Alcaraz e o Djoko (com quade 39 anos) são efetivamente capazes de fazer frente ao italiano. Que venha Rolanga!

Rafassiner
Rafassiner
11 horas atrás

Dificilmente perde uma partida esse ano, o rei do saibro não sabe brincar.

Kario
Kario
11 horas atrás

Respondendo à pesquisa q foi feita na ESPN ao longo da semana, acho q conquistar os 9 títulos de Masters 1000 bem mais difícil do q ganhar os 4 Grand Slams no mesmo ano. Pelo fato de q o Grand Slam já foi conquistado algumas (poucas) vezes na história do tênis, enquanto os 9 títulos, nem perto. Acho q isso diz bastante sobre a dificuldade das duas conquistas.

Marco Aurelio
Marco Aurelio
10 horas atrás
Responder para  Kario

Acho que não, amigo. Em mais de 100 anos de GLs, somente Dan Buldge e Rod Laver (este 2 vezes) ganharam os 04 GLs no mesmo ano…
Se um Alcaraz, um Sinner, ou um dos Big 3 (nos seus bons tempos) tivessem decidido, ou venham a decidir (Alcaraz/Sinner) vencer os 09 em um ano…
Quanto às mulheres, só tivemos a Graff e a Court, se não estou enganado.

Sérgio Ribeiro
Sérgio Ribeiro
8 horas atrás
Responder para  Marco Aurelio

E Dan Buldge somente na Era Amadora , meu caro . Na profissional apenas Court e Laver . E não tinhamos os Pisos diferentes . Ocorriam 2 SLAM na Grama. Abs !

Sérgio Ribeiro
Sérgio Ribeiro
9 horas atrás
Responder para  Kario

Discordo: Os SLAM acontecem em todos os Pisos, não existe Masters 1000 na Grama . E ATP somente deu essa denominação em 1990 . Super Campeões como Laver , Borg, Connors, McEnroe e CIA , aparecem com Zero Masters, uma autêntica heresia cometida pela entidade , que resolveu ” esquecer” grandes Torneios do extinto Circuito WCT equivalentes aos atuais. Imagina Martina Navratilova com mais de 160 Conquistas o quanto teria de WTA 1000.Abs !

Paulista de 63 anos, é jornalista especializado em esporte há mais de 45 anos, com coberturas em Jogos Olímpicos e Copa do Mundo. Acompanha o circuito do tênis desde 1980, tendo editado a revista Tênis News. É o criador, proprietário e diretor editorial de TenisBrasil. Contato: joni@tenisbrasil.com.br
Paulista de 63 anos, é jornalista especializado em esporte há mais de 45 anos, com coberturas em Jogos Olímpicos e Copa do Mundo. Acompanha o circuito do tênis desde 1980, tendo editado a revista Tênis News. É o criador, proprietário e diretor editorial de TenisBrasil. Contato: joni@tenisbrasil.com.br

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