“O sucesso precoce muda expectativas e aumenta pressão”, diz Bouchard

Foto: Jimmie48/WTA

Londres (GBR) – A canadense Eugenie Bouchard, recém-aposentada do circuito profissional, admitiu como é difícil lidar com as expectativas após alcançar uma posição de destaque ainda jovem na carreira. Considerada uma tenista de raro talento e precoce, a ex-top 5 afirma que sofreu bastante com a pressão.

Bouchard aproveitou para traçar um paralelo com Emma Raducanu. A britânica conquistou o US Open com somente 18 anos, em 2021, e depois não fez mais campanhas relevantes em qualquer outro Grand Slam. Em má fase, Raducanu está doente e desistiu do WTA 1000 de Miami, o que causará queda acentuada no ranking.

“Entendo exatamente o que ela está passando”, garante Bouchard. “As pessoas pensam: ‘Quando você vai ganhar outro (título)?’. Depois da primeira conquista, muitos acreditam que você vai ganhar um grande troféu por ano seguidamente. Mas simplesmente não funciona assim”, disse em entrevista ao diário britânico The Telegraph.

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A canadense prosseguiu em sua linha de raciocínio e pontuou como a carreira demanda muito esforço, por conta da alta competitividade. “Chegar longe em um Grand Slam já é extremamente difícil. Muitos jogadores e jogadoras nunca conseguem isso na vida e os que conseguem de forma constante são lendas”, afirmou.

As adversidades da carreira e a decisão de seguir outro rumo

Tratada como esperança de seu país, Bouchard precisou fazer algumas pausas antes de parar definitivamente. “Quando se vence muito jovem, logo você passa a carregar expectativas enormes. O sucesso precoce cria uma pressão constante para repetir determinados resultados”, analisou.

“Foi complicado mentalmente obter sucesso tão cedo. Se você não repete os resultados, as pessoas passam a enxergar tudo de forma negativa. Eu sempre sentia que precisava superar o que havia realizado”, admitiu a vice-campeã de Wimbledon de 2014 e dona de um título de WTA, vencido no saibro de Nuremberg. “Alguns dos meus melhores anos foram aos 19, 20 e 21. Hoje olho para trás e parece loucura pensar nisso”, prosseguiu.

Em 2015, ela enfrentou o momento mais complexo de sua jornada, ao sofrer uma concussão após uma queda no vestiário, durante a disputa do US Open. “Sentia que estava recuperando meu ritmo quando aquilo aconteceu, foi algo difícil de aceitar mentalmente, porque parecia que eu finalmente tinha me dado uma nova chance e senti os efeitos da concussão por meses. Precisei de muita fisioterapia e até terapias de treinamento visual para tentar voltar ao meu nível”, lamentou.

Após deixar as quadras em julho de 2025, ao cair na segunda rodada do WTA 1000 de Montreal, Bouchard tratou de priorizar a saúde mental. Aos 32 anos, porém, ela se mantém conectada às atividades físicas e hoje se dedica ao pickleball. “É muito divertido e menos exigente para o corpo, com menos pressão mental. Realizar a transição do tênis foi algo leve, divertido e até descontraído. Tem sido uma mudança revigorante”, assegurou Bouchard.

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Realista
Realista
18 dias atrás

Se ela ver bem, tudo é pressão. Se ela não tivesse “sucesso”, ela também teria muita pressão em ter algum sucesso, em vingar na carreira.

Carlos Alberto Ribeiro da Silv
Carlos Alberto Ribeiro da Silv
18 dias atrás

A meu ver, muitos dos críticos da internet hoje são ásperos, duros e muitas vezes injustos nas críticas porque projetam as suas próprias expectativas de vida nos atletas, e quando estes não atingem os resultados esperados, são duramente criticados como se devessem satisfação e tivessem alguma obrigação para com os críticos. Mas a realidade é que o mais importante na vida é a consistência e a regularidade. Por isso é que devemos valorizar, reverenciar e aplaudir os grandes campeões da história.

Ronildo
Ronildo
18 dias atrás

Sim, a pior frase pra se ler aqui é: “Fulano vai nos dar muitas alegrias!”

Luiz Fabriciano
Luiz Fabriciano
17 dias atrás

É isso CA.
O fã, torcedor ou que quer que ele seja, exige do seu atleta favorito algo, sem ele próprio fazer absolutamente nada além de se postar frente a uma TV ou no máximo, pagar um bilhete para assistir a um jogo. E cobra do atleta como se esse o obrigasse a acompanha-lo.
Claro que muitos atletas estimulam isso nos seus seguidores, muitas vezes, com medo de retaliações, pois em tempos de redes sociais que fazem tão mau quanto um tiro na rua, muitos se sentem invadidos o tempo todo, mas, muitos atletas dão tudo por uma exibição.
E para cada um, seu preço relativo.

Renato dos santos Pachecocong
Renato dos santos Pachecocong
17 dias atrás

Tênis e outros esportes, são de pressão. Se não estiver pronto com isso…

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