Felipe Priante
Especial para TenisBrasil
Responsável por desenvolver e lapidar o tênis do promissor goiano Guto Miguel, o treinador Santos Dumont Guimarães não poupa elogios ao pupilo, que aos 17 anos já se destaca como um dos principais juvenis do mundo, aparecendo na terceira colocação no ranking da ITF, e também dá seus primeiros passos no circuito profissional, jogando torneios importantes como o quali do Masters 1000 de Miami e a chave principal do Rio Open.
Foi justamente durante a disputa do Rio Open que Dumont conversou com TenisBrasil para falar sobre seu trabalho com Guto, iniciado quando o tenista tinha apenas 13 anos e agora focado em levá-lo ao sucesso como profissional. “Este ano será de mudanças, a gente vai jogar 80% de profissional. Estamos bem preparados e vamos ver o que vai acontecer”, afirma o treinador, confiante de que o sucesso está pela frente.
Já estabelecido no juvenil como um dos melhores do mundo, Guto tem agora a árdua transição para o profissional. “Essa nova fase é logicamente mais difícil, mas a gente está trabalhando há muito tempo para isso. Tecnicamente, acho que o Guto está indo num caminho bom, tem uma potência muito boa e consegue jogar com os caras. Estamos fazendo também um trabalho mental. Ele é muito forte de cabeça, tem seus deslizes, mas coisa de garoto”.
Se o lado técnico de Guto parece bem desenvolvido já para a idade, um dos focos do momento é melhorar o físico porque são jogos no profissional são diferentes e mais intensos. “A bola vai voltar mais e o cara vai vender mais caro. No juvenil tem muito ponto de graça”, analisa Dumont.
Para ele, uma das coisas mais importantes para o sucesso do goiano de 17 anos é conseguir manter o foco durante as partidas, principalmente agora que cada vez mais terá os holofotes do público e da mídia. Ele diz que vê ainda diferença de comportamento quando o tenista vai para um torneio em que recebe mais atenção e quando joga outro em que está menos badalado. “Quando está focado, ele joga um absurdo”, garante o treinador.

Título em Traralgon e frustração no AO
Essa diferença de foco foi sentida por Dumont na turnê australiana, onde Guto foi campeão de simples e duplas no J300 de Traralgon, mas depois não conseguiu repetir o desempenho no Australian Open. “Ali (em Traralgon) era uma cidade pequena, estava só a gente. No Australian Open, houve algumas coisas e acho que ele não ficou tão à vontade. Em todas as partidas, jogou abaixo do que ele fez em Traralgon”.
Dumont minimizou o problema na panturrilha que fez Guto desistir da chave de duplas e disse que o que pegou mesmo na eliminação nas quartas em Melbourne foi uma bolha “gigantesca” no pé, que atrapalhou o foco do jovem brasileiro na partida.
Se o resultado em quadra não foi o ideal, pelo menos o juvenil goiano conseguiu aproveitar para treinar com Novak Djokovic mais de uma vez, a primeira delas dividindo espaço com outros tenistas e depois, em uma segunda oportunidade, só ele e o sérvio. “Eles começaram a bater e o Guto não errava uma bola. Como ele deu conta do recado, chamaram depois de novo”, lembra o treinador.
Após a segunda oportunidade de dividir a quadra com Djokovic, Guto aproveitou para fazer duas perguntas, uma sobre mental e outra sobre técnica, algo que tenta sempre que tem chance com os grandes nomes. “É impressionante como ele presta atenção”, destaca o técnico, elogiando a capacidade do jovem tenista de absorver conselhos dos grandes nomes.

Fonseca é inspiração para Guto
Já consolidado no circuito profissional, apesar dos apenas 19 anos, o carioca João Fonseca é uma fonte de inspiração para Guto, que aproveita o contato com o compatriota para tentar seguir seus passos, ainda que trilhando o próprio caminho. Dumont inclusive afirma que o contato mais recente entre os dois, para duas semanas de treino, se mostrou fundamental para o amadurecimento do seu pupilo: “Ele deu uma viradinha de chave”.
O treinador conta que além do contato entre os jogadores, ele aproveita também o tempo para uma troca de ideia entre os técnicos. “Converso com ele direto, sempre pergunto ao Gui (Guilherme Teixeira) o que ele acha. A gente tem essa abertura”, explica Dumont, que também fala com outros treinadores como João Zwetsch e Duda Matos.
A pressão por resultados é algo que ele sabe que virá e encara com tranquilidade as cobranças e questionamentos que podem surgir no futuro, como acontece com Guilherme Teixeira quando Fonseca encara uma sequência de derrotas. “Eu sei da minha capacidade e onde eu posso chegar. Se algum dia eu precisar agregar alguém mais experiente, podemos agregar. Hoje a gente tem uma equipe muito coesa”.
Foco na agressividade e no equilíbrio
Para o treinador de Guto, o maior obstáculo no momento é encontrar um bom equilíbrio entre a equipe e o tenista com os desafios crescentes. “Agora vai começar a viajar com a equipe, tem que aprender a conviver com tudo isso, porque vai ter mais gente falando pra ele no dia a dia. Então isso é uma coisa que a gente vai ter que ser forte em relação a isso”.
“Guto tem seus probleminhas e tal, mas ele tem uma boa visão de muitas coisas, é inteligente, percebe as coisas e toma algumas boas decisões. Ele escorrega de vez em quando, mas quando vê que está errado muda algumas coisas. É um menino diferenciado”, acrescenta o confiante treinador, que sabe o estilo que quer ver seu tenista jogando.
“Acredito muito em sacar, em devolver. Acho que esses dois fundamentos são de pontos de entrada no ponto. Se você começar bem, pode ditar o ponto e ser agressivo. Tento seguir mais ou menos essa linha”, revela Dumont sobre a forma enxerga o tênis, que para ele cada vez estará mais focado no lado físico e no mental.











Grande Dummont!! Parabéns pelo trabalho e siga firme com o Guto!!
Parabéns Dumont! Guto está no caminho certo!
Esse entende !!!!
Outro Brazuca de muito futuro!