Troca de bola é mais um desafio em Indian Wells

O primeiro Masters 1000 da temporada começa nesta quarta-feira, no Paradise de Indian Wells, e mais uma vez a maioria dos tenistas não sabe exatamente o que esperar. O mais badalado torneio do circuito fora dos Grand Slam acontece no meio do deserto e isso causa adaptações difíceis, seja com o ar seco que dificulta o controle dos golpes, seja com a mudança drástica de temperatura entre as rodadas diurna e noturna.

E Indian Wells terá mais um elemento a desafiar os tenistas: a mudança da bola Penn para a Dunlop, que é usada na maior parte do circuito masculino de hoje. Isso pode desagradar muita gente, especialmente os jogadores que gostam de um estilo mais agressivo, porque a Dunlop é uma bola lenta e tem recebido inúmeras críticas pelo desgaste excessivo que sofre com poucos games disputados, ficando “grande”, ou seja, o feltro de lã e nylon se expande com rapidez.

Isso tende a favorecer os jogadores que apostam nas longas trocas de bola e aos que batem com mais topspin. Taylor Fritz, que praticamente mora ao lado de Indian Wells, não está nada satisfeito. Ele chegou a propor que a tradicional mudança de bolas a cada nove games seja drasticamente reduzida e diz que a Dunlop dará certamente maior controle – muito mais que a Wilson usada no US Open, exemplifica -, porém as partidas deverão ser bem mais lentas e longas.

Nesse clima controverso e de indefinição, a chave masculina será sorteada no final da tarde desta segunda-feira pelo horário de Brasília, e portanto usará o ranking atualizado para definir os 32 cabeças, que contam com a vantagem de estrear diretamente na segunda rodada.

Mesmo com a ausência de Holger Rune, a desistência de Tallon Griekspoor e o fato de subir três postos, recuperando o 35º posto, o carioca João Fonseca ainda está fora da lista dos cabeças e portanto jogará quarta ou quinta-feira pela primeira rodada. Neste domingo, disputa uma exibição-relâmpago em Las Vegas, com jogos definidos em tiebreak de 10 pontos, a começar por Gael Monfils. O Sportv e o GE mostram.

Cinco campeões estão confirmados em Indian Wells e há diferença grande entre eles. O atual defensor do título é Jack Draper, que ainda sofre para recuperar o ritmo competitivo, e Carlos Alcaraz vai atrás já do tricampeonato. Seu maior rival, Jannik Sinner, nunca passou da semi e nas duas oportunidades perdeu para o próprio espanhol. Vale lembrar que, enquanto Carlitos está invicto na temporada com títulos na Austrália e em Doha, o italiano ainda não ergueu troféu, além de amargar hoje o placar negativo de 10 a 6 contra Alcaraz.

Novak Djokovic venceu no deserto californiano cinco vezes, três seguidas, a últimas delas em 2016. Não compete desde o vice inesperado em Melbourne e traz de novo a incógnita sobre seu ritmo de jogo. A lentidão do piso pode ser um problema caso necessite de pontos mais curtos. O próprio Fritz ganhou o torneio de 2022, sucedendo o surpreendente Cameron Norrie.

Votado ano após ano como o Masters preferido dos jogadores por conta da organização, mordomia e grandes festas, Indian Wells tem também o segundo maior estádio fixo do tênis mundial, com capacidade para 16.100 espectadores, atrás somente dos 23.771 do estádio Arthur Ashe de Nova York.

Uma das características do milionário torneio é garantir muitas estrelas na chave de duplas e desta vez seis dos top 10 de simples estão inscritos. como Zverev-Melo, Shelton-Nava, Aliassime-Korda, De Minaur-Peers e Bublik-Ram, além de Medvedev-Tien e Khachanov-Rublev. Ainda aguardam vaga Sinner-Opelka. assim como Matos-Luz e Fonseca-Romboli.

E mais

– Finalmente, Medvedev chegou a bicampeonato, mas a final de Dubai contra Griekspoor não aconteceu porque o holandês se contundiu na semi contra Rublev.
– Medvedev chegou ao 23º troféu, gruda de vez no top 10 e conta que estraçalhou o troféu conquistado em Dubai em 2023 durante uma mudança de casa.
– Nem Sinner, nem Musetti. O primeiro italiano a se tornar campeão em 2026 foi Flavio Cobolli. Ele faturou seu segundo 500 e o terceiro ATP da carreira em cima de Frances Tiafoe e virou top 15.
– Melo e Zverev aproveitaram uma chave fraca em Acapulco e enfim ganharam um torneio juntos. O mineiro chega a incríveis 42 títulos e empata com Pavic entre os tenistas em atividade, voltando ao top 50. É também o recordista de troféus de nível 500, com 14.
– O dueto gaúcho entre Matos e Luz repetiu o sucesso de Buenos Aires em Santiago e é agora a oitava parceria com mais pontos em 2026. Orlandinho bate outro recorde pessoal, com o 41º posto, imediatamente atrás de Matos.
– Outros nomes que desistiram de Indian Wells foram Munar, Muller, Shang, Sonego e Spizzirri. Os principais convites foram para Monfils e Jodar.

Subscribe
Notificar
guest
11 Comentários
Oldest
Newest Most Voted
Inline Feedbacks
Ver todos os comentários
Luiz Fernando
Luiz Fernando
14 horas atrás

Aguardando a exibição do JF e feliz que ela será transmitida ao vivo. Vejo essa participação como boa p ele por duas razoes: prestigio e adaptação/preparação para IW…

Sérgio Ribeiro
Sérgio Ribeiro
8 horas atrás
Responder para  Luiz Fernando

As vitórias para cima de Monfils , Bublik ( um verdadeiro Chocolate) , a Final contra Opelka ( com direito a fechar com duas quebras ) , falam por si só. US $ 1000000 no bolso , e confiança para Indiana Wells. Deu ruim para os invejosos…rs. Abs !

Paulo Almeida
Paulo Almeida
14 horas atrás

Revi a semifinal épica e GOAT salvou 13 dos 16 BP que teve contra, com destaque para o bate-pronto no segundo set e o smashaço no quinto; Sinner cometeu 3 ENF’S e feia mesma foi só aquela tentativa de winner de devolução no quinto. Enfim, muito mais méritos do sérvio com saques certeiros, winners de direita e os pontos citados acima. Maior vitória de um jogador com idade avançadíssima de longe.

No aguardo do sorteio e o cuidado devido para não ser surpreendido. É uma boa chance de somar muitos pontos e ficar tranquilo na terceira posição.

MHermes
MHermes
12 horas atrás
Responder para  Paulo Almeida

Pior que a maioria dos BP foi o Djokovic jogando muito, atuação que só ele seja capaz de fazer com 38. Acho bem exagerado como estão duvidando do Sinner depois dessa derrota, falam como se ele não tivesse mais condição de disputar com o Alcaraz.

Paulo Almeida
Paulo Almeida
10 horas atrás
Responder para  MHermes

Depois da final olímpica, Alcaraz entrou em parafuso até a temporada de saibro de 2025, tamanho o estrago causado. Perder para o maior dos esportes tem esse efeito mesmo, mas o italiano deve se recuperar também.

Sérgio Ribeiro
Sérgio Ribeiro
8 horas atrás
Responder para  Paulo Almeida

Não acredito que li tamanha bobagem. O ” estrago ” foi tão grande que Carlos Alcaraz fez para muitos ( inclusive Nadal e Federer) , uma das 3 maiores Finais em Roland Garros,se tornando Bicampeão, com direito a salvar uma penca de Match-points. Depois fez Final em Wimbledon ( já é BI, as duas pra cima de ” goat ” ) e de quebra, arrasou Sinner no BiCampeonato do USOPEN 2025 . O Sr Paulo Almeida pensa que engana a quem ???. Na boa , chega a ser ridículo os seus comentários. Jannik Sinner foi superior em Todas as estatísticas na Semi do AOPEN contra Djokovic. E sabe que seu maior oponente no momento se chama Carlos Alcaraz. Abs !

Sérgio Ribeiro
Sérgio Ribeiro
8 horas atrás
Responder para  MHermes

Com 38 , Feder meteu 94 Winners para cima do Sérvio em Wimbledon 2019 . Cinco Sets de um Tênis espetacular. Estavas aonde Sr MHermes ???. Depois na sequência, eliminou Djokovic em Sets diretos no Finals…Sem essa de ficar apanhando de 3 x 0 ou 3 x 1 , com Sinner e Alcaraz, levando 9 Slam consecutivos…rs. Abs !

Rodrigo Juliano
Rodrigo Juliano
9 horas atrás

Boa noite! Sabe me dizer por que o torneio reduziu sua premiação total, além do campeão levar 4% menos referente ao ano passado, se é considerado o quinto maior torneio mundo?

Rodrigo Juliano
Rodrigo Juliano
7 horas atrás
Responder para  José Nilton Dalcim

Achei estranho essa diminuição vindo de um torneio tão importante fora os Slams já que todos os outros torneios têm aumentado a premiação a cada ano.

João Mendonça
João Mendonça
3 horas atrás

Para os torcedores fanáticos, basta postar uma notícia sobre receita de omelete (não é o caso aqui), mas eles dão um jeito de encaixar “o maior pateta de todos os tempos” no assunto. Será que a mãe os atura???

Paulista de 63 anos, é jornalista especializado em esporte há mais de 45 anos, com coberturas em Jogos Olímpicos e Copa do Mundo. Acompanha o circuito do tênis desde 1980, tendo editado a revista Tênis News. É o criador, proprietário e diretor editorial de TenisBrasil. Contato: joni@tenisbrasil.com.br
Paulista de 63 anos, é jornalista especializado em esporte há mais de 45 anos, com coberturas em Jogos Olímpicos e Copa do Mundo. Acompanha o circuito do tênis desde 1980, tendo editado a revista Tênis News. É o criador, proprietário e diretor editorial de TenisBrasil. Contato: joni@tenisbrasil.com.br

Comunicar erro

Comunique a redação erros de português, de informação ou técnicos encontrados nessa página.

Obs.: Link e título da página são enviados automaticamente ao TenisBrasil.