Num começo de 2026 em que os jogadores de simples não conseguem produzir campanhas animadoras, o tênis brasileiro sobrevive – e muito bem – com as duplas. Neste notável fim de semana, vieram a quarta conquista de Luísa Stefani em torneios de nível 1000, com o troféu em Dubai, e o suado sucesso de João Fonseca e Marcelo Melo no Rio Open, que chegou em hora precisa diante do momento de ambos.
Eu não tinha muita dúvida de que o entrosamento entre Stefani e a canadense Gabriela Dabrowski, que se mostrou tão eficiente em 2021 e 2023, período em que marcaram grandes vitórias mas poucos títulos, daria liga novamente. Escaparam duas semifinais para as competentes Anna Danilina e Aleksandra Krunic, não por acaso as líderes na Corrida para o Finals, mas enfim Luísa e Gabi se impuseram no estilo sempre agressivo e confirmaram o título no dia seguinte frente às veteranas Laura Siegemund e Vera Zvonareva, com uma atuação sufocante sobre as adversárias.
Stefani e Dabrowski saltam nos rankings. Passam a ser as vice-líderes da Corrida e individualmente se destacam no top 10. A brasileira volta a figurar na nobre faixa – é a quarta vez na carreira e a terceira desde sua volta após a cirurgia no joelho -, enquanto a canadense terá presença inédita como número 2 do mundo. Com isso, o dueto tem chance de entrar como uma das quatro principais cabeças de chave tanto em Indian Wells como Miami.
O melhor ainda é que as duas ainda podem melhorar. Luísa é muito firme no saque e na cobertura excepcional de rede, mas ainda falha nas devoluções, apesar de a mudança para o lado direito ter trazido de volta sua confiança no forehand. Já Dabrowski mostra firmeza na base e por vezes se precipita na transição para os voleios ou não faz a bola que deveria ser vencedora, abrindo buracos perigosos. O grande título é um tremendo estímulo.
Já no Rio Open aconteceu a simbiose entre o saque e golpes poderosos de Fonseca com a experiência e agilidade de Melo nos voleios. O mineiro não tem um serviço tão contundente, ainda mais num piso lento e diante do poder das devoluções do tênis moderno, e por isso precisa de alguém muito firme na base, que mescle força, precisão e rapidez de pernas, exatamente o que acontecia ao lado de Rafael Matos.
Se o mineiro necessitava muito do bi para afastar a perda de dois parceiros – ele sequer tinha com quem jogar o torneio – e calar tantas críticas que recebe pela continuidade da carreira, agora aos 42 anos, o carioca agarrou a chance de enfim brilhar dentro de casa, cobrança que o atormentou em 2025 e 2026. Ele foi a grande estrela da final deste domingo por sua atuação quase impecável e que permitiu a dura virada em cima dos experientes Constantin Frantzen e Robin Haase, quadrifinalistas do recente US Open e com três finais de ATP e um título no currículo.
Entre a emoção pessoal pela 41º triunfo de uma gigante carreira e pela lembrança do pai falecido há um ano, Girafa foi ainda muito oportuno ao enaltecer o jovem parceiro em todas as entrevistas e na cerimônia derradeira, dando um recado direto àqueles que exageram na cobrança em cima de Fonseca. Palavra do brasileiro que passou mais semanas na liderança de um ranking e que figurou no top 10 por oito temporadas consecutivas.
E mais
– Fonseca sai do zero para o 158º posto do ranking de duplas e, quem sabe, se anime com a especialidade. O regulamento permite que ele use sua classificação de simples para entrar na chave de duplas.
– Melo por sua vez manteve o 59º lugar e segue direto para o piso duro de Acapulco, onde jogará ao lado de Alexander Zverev.
– Não poderia haver melhor forma para Tomas Etcheverry encerrar o pequeno tabu de finais perdidas. O argentino de 26 anos teve três de seus cinco jogos no terceiro set e viveu uma maratona na semi. Esteve ainda uma quebra abaixo no segundo set diante de Alejandro Tabilo e ainda encontrou forças para a virada. Merecidíssimo.
– Carlos Alcaraz guardou para as duas rodadas finais de Doha o seu melhor tênis. E deixou público, analistas e o finalista Arthur Fils boquiabertos com o nível demonstrado. Foi a sexta decisão de ATP com menor número de pontos cedidos, com 24. O recorde são os 17 de Mikhail Youhzny sobre Rafa Nadal em Chennai de 2008, meros 17.
– A cabeça fria e aplicação tática foram o caminho para Jessica Pegula voltar a ganhar um WTA 1000. Sua campanha em Dubai teve virada sobre Amanda Anisimova e domínio contra Elina Svitolina. E nada de descanso: vai direto para o 250 de Austin.
– Sebastian Korda enfim voltou aos títulos, seu primeiro desde Washington em 2024 e também após a fratura por estresse na tíbia que sofreu em julho. Tirou três dos cinco favoritos em Delray Beach, incluindo Casper Ruud, Tommy Paul e Flavio Cobolli.









Dalcim, a falta de intensidade que vc mencionou na derrota para o peruano não foi decorrência de o Fonseca haver acumulado simples e duplas?
Não acredito, Ricardo. Não vi como uma questão física, mas emocional.
Eu tambem vi como emocional, totalmente.
Saudações, Dalcim! Em que momento da carreira o tenista decide seguir como duplista? Seria ainda no juvenil, na transição para o profissional ou essa escolha está relacionada ao insucesso como jogador de simples? Fiquei em dúvida se é uma coisa pensada e premeditada ou se é mais ao acaso. Abraços!
Certamente não é acaso, mas quase todo tenista sai do juvenil pensando na carreira de simples. Conforme os resultados acontecem, a decisão de migrar para dupla pode ser antecipada, como foi o caso de Rafael Matos. Como ele rapidamente começou a ganhar grandes jogos e títulos, ficou claro que seguir na dupla era o mais indicado. Outros jamais migram para duplas, como foi o caso de Thomaz Bellucci.
Era clara e nítida a diferença de saque do Melo e do Fonseca. Fonseca tem um saque forte, firme e variado. Parabéns aos dois pela conquista!
Só 6 linhas num agregado para a façanha de 7 horas de Etcheverry?
Você teria que procurar em sites argentinos, Horácio. Tenho certeza que vai encontrar lá!.
Apenas 6 linhas mas resumiu muito bem tudo
Eu também achei pouco. Ainda mais sendo o 1 ATP do aguerrido argentino.
Tentou O Clarín?
Quando se escreve bem – como é o caso deste Redator que você mencionou – “apenas” seis linhas são suficientes para dizer tudo, na minha opinião!
Entendo que quando ele escreve mais que cinco ou seis linhas sobre algo, é mais para agradar um ou outro fã – e os fanáticos – que desejam ardentemente consumir um livro escrito por dia, repetindo os Doze Trabalhos do seu possante heroi mitológico…
Ninguém liga pro Etcheverry, todo mundo tá interessado em saber do Fonseca.
Fonseca com o poder de fogo que tem e sem a necessidade de cobrir a quadra e o desgaste fisico do jogo de simples tende a sobrar msm.. Melo só foi honesto ao dar todos os méritos ao jovem parceiro..
N teria todo o ânimo do Dalcin com esse título n, acho inclusive que há um razoável risco de fazer o Fonseca esquecer os problemas de ordem física, técnica e tática que vem apresentando em quadra, manter tudo como está e amargar mais dissabores na trinca IW/Phoenix/Miami.. a ver..
Dalcim uma personalidade como Agassi vem entregar o prêmio do Rio open , achei que seria para o campeão de simples e não para as duplas , eles trocaram derrepente ?
Acredito que sim e também em função da dúvida se a final de simples terminaria hoje.
Pela estatura que o Melo tem, não entendo como que o saque não é tão contundente. Fonseca, com 1,88m, saca melhor.
O mesmo digo da Bia. Uma das + altas da WTA, e o saque não é dos mais espetaculares. Serena, muito mais baixa, sacava melhor.
Qual a estatura de Pistol Pete Sampras e Roger Federer, caro Maurício ? . Suíço está em terceiro na carreira, atrás apenas dos gigantes John Isner e Ivo Karlovic . Os três acima dos 11 300 Aces. Norte- Americano somente jogou até os 31, e não ultrapassou 10000 Aces . Sampras e Federer, cravados , 1metro e 85 cm . Pete para muitos, o melhor sacador da história. Se dava ao luxo da dupla falta, para não dar ritmo ao oponente. O chamado “corta – físico” . André Agassi adorava …rs. Abs !
Na minha opinião de leigo, o fato do Sampras e do Federer terem passado dos 11 mil “aces” deve ser porque ambos chegavam às rodadas finais dos torneios, enquanto que o Isner e o Karlovic nem tanto.
O que eu acho que deveria ser usado como parâmetro é a velocidade do saque.
Discordo totalmente. Federer e Sampras foram exímios sacadores. Sacavam com potência ,.velocidade e excelente variação e colocação na quadra oponente.
Bia já operou coluna e ombro, decerto que tem limitações físicas para poder sacar melhor. Observe que o smash dela também não é dos melhores, em geral ela só coloca a bola. Enfim, faz o que consegue…
Eu revi hoje, no YouTube, uma partida do Guga. Era a 4° rodada de RG, quando então ele perdeu do inexpressivo Tommy Robredo.
Gente, que papelão foi aquele do Guga?
Assim que o Tommy percebeu que ele era totalmente incapaz de correr para frente (parecia até que estava jogando com a tornozeleira eletrônica do Bolsonaro, rs) ou de volear, com um mínimo de decência (voleios e contra-deixadas bisonhas), o espanhol começou a chamá-lo toda hora para a rede, a partir do 4° set.
Na 2° metade da parcial, virou foi uma palhaçada – mesmo que o Tommy errasse algum drop-shot, ele já tentava de novo, no ponto seguinte.
Acho que ele concluiu: “ah, o cara não vai chegar mesmo. Para quê preciso do elemento surpresa?”.
O Guga salvou alguns matchpoints, mas o último deles foi de novo uma deixada do espanhol que o Guga chegou com dificuldade, voleou mal, e permitiu que o Robredo fechasse o jogo, na corrida.
USOPEN 2001 , sentiu grave lesão no quadril. Após a primeira Cirurgia no USA , em fevereiro de 2002 , jamais voltou a ser o mesmo Tenista . Veja o ano desta partida , e as dificuldades de se locomover. Robredo soube explorar a fundo. Tem também seus méritos. Abs !
Papelão mesmo!!! Ele tem “apenas 3 RG de simples.
Se ele “fosse alguém” deveria ao menos ter uns 14, ou mais!!!
Não acha???
O Robredo venceu até mesmo Federer no US Open. Contra o Kuerten ficou 4 a 1 para Robredo.
Bem simpático o Robredo.
Me concedeu um abraço e uma foto, no Brasil Open de 2013.
Apenas para co tar os finals, Navratilova ganhou 5 Finals em simples e duplas simultaneamente..
Jamais ouvi nas entrevistas uma queixa de estava cansada,estafada, contundida ou emocionalmente abalada.porque perdeu um jogo jaha 6 meses atrás e isso a abalara…
Geração fraca essa, não?
O que será que acontece…
Achei perfeita a análise feita sobre o jogo da Luisa. Acho que seu ponto fraco realmente é a devolução de saque. Ela tem dificuldades em tirar a bola da adversária que está na rede. Realmente melhorou ao trocar de lado, mas ainda é muito falha.
Vi atentamente um jogo dela e observei que ela carece de potência nas trocas de bola. Mas compensa amplamente com uma incrível qualidade nos voleios. É uma das melhores voleadoras do circuito atualmente.
Dalcim, esse título de duplas é importante para melhorar a confiança do fonseca? E sobre a Bia, alguma movimentação sobre novo técnico?
Ah, com certeza. Tira o peso daquela necessidade de um bom resultado no ano e também no Rio. E nada sobre a Bia ainda.
Dalcim, em sua opinião, quais os torneios Alcaraz terá mais dificuldades para vencer este ano?
(Não precisa responder kkkk)
Olha, acho Monte Carlo difícil devido à lentidão do piso e certamente Madri, caso ele realmente vá longe em Monte Carlo e em Barcelona, um calendário muito puxado.
Parabéns para o bom duplista João Fonseca e para o grande duplista Marcelo Melo!
Apenas dezesseis tenistas do top 50 não jogarão em nenhum dos três torneios dessa semana, a saber, Acapulco, Dubai e Santiago.
Desses dezesseis, seis estão lesionados (Rune, Musetti, Shelton, Machac, Munar e Diallo) e cinco fatigados por terem alcançado às rodadas finais nos torneios encerrados ontem (Alcaraz, Sinner, Paul, Tien e Etcheverry). O italiano foi às QF, mas de todo modo, não costuma/precisa jogar às vésperas de GS e Masters.
Dos cinco restantes, dois são veteranos (Djokovic e Cilic), que naturalmente precisam poupar-se para Indian Wells. Além desses, Fritz vem apresentando incômodo no joelho e também deve ter preferido preservar-se para o Sunshine Double.
Sobraram dois: Michelsen e…João Fonseca.
Do primeiro não tenho informações, mas o brasileiro não está precisando de ritmo de jogo?
Sério que teve gente que sugeriu o treinador unidimensional do Larry Passos pro JF?
Querem que a melhor promessa do tênis do Brasil em décadas fique apenas no saibro?
E a semana foi salva pelas benditas duplas (incluindo a bendita dupla masculina) também!
Será que a dupla masculina também precisa passar pelos critérios beleza (se são bonitinhos ou não) para ser assistida na TV???
Porque bons duplistas ambos mostraram que são, mas se para ser assistido – na opinião de alguns “blogados” – beleza também importa… fico imaginando se alguns internautas assistiram as finais sob seus critérios para ligar a TV.
E para quem questiona se “Será mesmo que estamos vivendo uma excepcional fase do tênis brasileiro, como alguns dizem?” (sic), a resposta tae e Luisa, Marcelo Melo e João Fonseca mostraram que sim: “Fizeram barba e cabelo”.
No caso da Luiza, “Semana sim semana não, Luiza é campeão”.
De fato, ganhar duplas no “forte” Rio Open, será para soltar rojões mesmo.
Dalcim,
Para a Inteligência Artificial, se Aryna Sabalenka e Elena Rybakina formarem uma dupla, deixando de competir nas simples e mantendo o nível atual, em um ano seriam praticamente imbatíveis contra as atuais duplistas.
Concorda com a IA ou os algoritmos não entendem nada de tênis?