Num cenário que só poderia mesmo ser proporcionado pela Cidade Maravilhosa, aos pés do Cristo Redentor, o Rio Open ostenta, com categoria, o título de mais importante torneio da América do Sul. Mas a cada ano que passa fica mais claro a necessidade de buscar novos horizontes. Melhorar o seu line up, de quem já teve Rafael Nadal e Carlos Alcaraz, entre outros, é uma necessidade inerente. Para isso, infelizmente, precisaria trocar o piso de saibro para o cimento. Buenos Aires não concorda com essa mudança, mas a competição argentina tem vida própria, enquanto a brasileira sonha com patamares mais altos de até, quem sabe, chegar a um 1000, numa doce lembrança do que foi os Jogos Olímpicos, no esplêndido complexo da barra e que merece ser recuperado.
A história do saibro para o cimente já correu de forma contrária. A gira sul americana era mais forte e dinâmica, a ponto de pressionar eventos como o Miami Open a ser jogado numa superfície de saibro. Lembro de certa vez num café da manhã com Butch Bulchhols, ex-dono do torneio em Key Biscayne, de uma frase sua: “o nosso piso, aqui na América do Norte, é o cimento e não vejo como sequer pensar na ideia de mudar”.
Nessa manhã, em que Buchhols reunia a imprensa sul americana para um breakfast tive a honra de sentar-me à mesa de um ex-campeão e número um do mundo, Tony Trabert. Bem humorado, trocamos algumas ironias. Já naquela época não usava mais açúcar. E Tony gostou da ideia de começar o processo colocando um fio de mel. Adorou a dica, mas retrucou e falou que não acreditaria jamais que eventos como Indian Wells e ou Miami trocassem o piso. Nada mais lógico para um país com tradição e força para seguir seu caminho.
Sendo assim, o saibro começou a ser coberto pelo cimento. O México foi o primeiro a troca o piso e melhorar o seu draw, às vésperas dos primeiros ATP 1000 do calendário como IW e Miami.
Vejo que o Rio Open não hesita em fazer todo o esforço para trazer grandes feras e defender a tradição do saibro na América do Sul. No último US Open, em Nova York, cruzei com o diretor do torneio brasileiro, Lui Carvalho, num dos corredores de Flushing Meadow. Ele estava conversando com a assessora de imprensa Diana Gabanyi e o bom repórter do SporTV na competição. É claro que estava trabalhando para levar ao Rio os melhores e mais atraentes jogadores para sua competição. Lui foi tour manager da ATP e tem livre acesso aos bastidores do tênis mundial. Não lhe falta competência, ainda mais vindo de uma família que tem o esporte nas veias. Só que o circuito é cruel e os interesses de jogadores e agentes transcende.
Ainda assim, sinceramente, não dá para reclamar. Como já disse por aqui, nesta coluna, há vários anos, o Rio Open é um muito mais do que um torneio de tênis. Ao redor das quadras do lindo Jockey Club há muita coisa acontecendo. E, por isso, agora é hora de curtir o “nosso torneio” e torcer por sua história de sucesso.









Esse torneio tá com uma chave nível challenger, precisa urgentemente mudar para piso duro.