Monte Carlo (Mônaco) – Após sua vitória na estreia no Masters 1000 de Monte Carlo, na última segunda-feira, o carioca João Fonseca conversou com a imprensa internacional na entrevista coletiva. Ele mais uma vez se mostrou contente com o que fez na partida contra o canadense Gabriel Diallo e falou também sobre os planos futuros.
“É uma cidade muito legal, pequena, mas muito agradável. Eu me senti bem em quadra, foi uma grande partida. Minha primeira vez naquela quadra, foi especial e fico feliz pela maneira como joguei e como me mantive positivo no segundo set”, comentou o brasileiro de 19 anos sobre sua estreia no saibro monegasco.
Famoso por sua agressividade, Fonseca lida com naturalidade com o saibro, piso no qual teve sua formação como tenista. Contudo, ele reconhece que precisa melhorar na consistência e tem trabalhado bastante nisso. “Tenho minhas armas, mais o forehand do que o backhand, e venho desenvolvendo ficar cada vez mais sólido”, observou.
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“Nasci no saibro, sei que é preciso paciência, mas sinto que posso bater forte em todos os pontos. Porém, às vezes é um winner e outras direto na grade, então tenho que entender quando é o momento certo. É diferente da quadra dura”, acrescentou o carioca.
Comparações com Sinner e Alcaraz
Projetado como um dos possíveis rivais do espanhol Carlos Alcaraz e do italiano Jannik Sinner no circuito, Fonseca encara a pressão com naturalidade e reconhece que está ainda distante de ambos. “Já joguei com os dois recentemente e sei que não estou perto, mas espero que isso aconteça no futuro e o mais rápido possível”, afirmou o atual número 40 do mundo.
“Foram partidas equilibradas, mas eles jogam assim todas as vezes e eu preciso ser mais consistente. Sei que estou no caminho certo, meu tempo vai chegar estou trabalhando bem. O negócio é manter o ritmo e a mentalidade. Sei que as expectativas são grandes, mas é esperar o tempo”, destacou o jovem tenista.
“Quero escrever minha história e espero poder competir com eles, mas as pessoas precisam saber que é preciso de tempo para chegar lá. Quero ser número 1, estou longe ainda, mas espero ter um grande futuro”, complementou Fonseca, que na segunda rodada em Monte Carlo enfrentará o francês Arthur Rinderknech.










Muito consciente a entrevista do garoto. Serve de lição para os fanáticos que ficam colocando ele como fenômeno e capaz de vencer qualquer um. Ele sabe e é notório que ainda não dá pra bater de frente com o Top 2, a diferença hoje é grande demais. Porém o reconhecimento das limitações e dos pontos a melhorar é o primeiro passo. E acreditar! Seguir acreditando que no futuro pode competir e vecer o top 2. Fez um jogo equilibrado com o Sinner (perdeu em 2 sets), contra o Alacaraz não foi muito equilibrado (perdeu em 2 sets mais tranquilos). Essa é a relaidade atual. No momento é tentar não perder dos perebas (fez isso ontem) e bater de frente contra um Zverev, Medvedev… contra esses dá pra ganhar. Daí ganhar casca, ritmo e seguir melhorando para chegar no top.
Você só está podendo falar desse jogador porque alguém, lá atrás (com muito menos “casca, ritmo e seguir melhorando”), enxergou nele um fenômeno capaz de chegar no topo. Ele agora está bem mais perto de ver isso se concretizar.
Essa (pré)visão não é fanática, mas também não está dissociada do esforço, do tempo, da experiência, da confiança. Um complemento o outro e não exclui.
Eu gosto muito da sobriedade do João Fonseca. Ele tem a maturidade precoce do seu talento e se posiciona de maneira correta. Ainda não está no nível do Sinner e do Alcaraz, mas trabalha muito para diminuir essa diferença.
Sem jamais esquecer que é preciso vencer as outras partidas para ter a oportunidade de encarar os tops.
O próximo jogo será bem complicado. o Rinderknech, com o seu jogo de saque e voleio, vai exigir bastante do João, e uma vitória do brasileiro será um grande feito e um impulso enorme para chegar longe em Monte Carlo.