Sabalenka critica organização de Miami por mudança de quadra

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Miami (EUA) – Em um dia de muitos atrasos na programação por chuva, a estreia de Aryna Sabalenka no WTA 1000 de Miami foi transferida do Hard Rock Stadium para a quadra Butch Buchholz, terceira em importância do complexo em Miami. A decisão desagradou a número 1 do mundo e atual campeã do torneio, que superou a norte-americana Ann Li, 39ª colocada, por 7/6 (7-5) e 6/4.

O objetivo dos organizadores era evitar que a partida entre Carlos Alcaraz e João Fonseca, que abriria a sessão noturna, tivesse um atraso ainda maior. A partida vencida pelo espanhol por duplo 6/4 estava prevista para às 19h locais (20h de Brasília), mas só começou 1h15 depois.

Além da chuva e dos jogos longos no início da sessão diurna, foi necessário esvaziar o estádio e fazer a troca de público para receber os torcedores que compraram ingressos para a rodada noturna. O jogo entre Alcaraz e Fonseca teve recorde de público com 17.391 torcedores na arena, que recebe o Miami Open desde 2019.

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Sabalenka revelou que ficou surpresa ao saber que sua partida poderia até ser adiada para sábado, por causa da reorganização da programação. “Na verdade fiquei chocada quando disseram que estavam considerando cancelar meu jogo ou me oferecer algumas opções de quadra. Pensei: qual seria o problema de Alcaraz e Fonseca começarem um pouco mais tarde?”, comentou. “Ontem a sessão noturna começou às 21h e ainda teve mais um jogo depois, com a Mirra [Andreeva]. Fiquei realmente surpresa com essa possibilidade”.

A bielorrussa optou por entrar em quadra mesmo assim para evitar mudanças maiores em sua preparação. “Decidi jogar hoje porque, se ganhasse, teria um dia de descanso para me preparar e recuperar. Fiquei surpresa com a situação, mas pelo menos me deram opções para escolher o que seria melhor para mim”, acrescentou a líder do ranking, que volta à quadra no domingo para enfrentar a norte-americana Caty McNally.

A jogadora de 27 anos também afirmou que nunca havia vivido algo parecido no circuito. “Acho que foi a primeira vez que passei por algo assim. Para mim não seria um grande problema jogar no estádio principal e a sessão noturna começar um pouco mais tarde. Mas imagino que, por causa dos ingressos e da organização do torneio, essa decisão tenha sido melhor para eles”.

Questionada se esperava jogar no estádio principal por ser a número 1 do mundo, Sabalenka relativizou a situação. “É um pouco complicado, porque o Alcaraz também estava jogando. São dois números 1, então não é fácil decidir. No fim, fiquei feliz por ter tido opções”.

Apesar da mudança, a bielorrussa destacou o apoio da torcida na quadra menor. “Sabe do que eu mais gostei? Foi uma surpresa para o público. Quem tinha ingresso geral provavelmente não esperava me ver ali”, contou. “Senti que as pessoas realmente gostaram, trouxeram cartazes e aproveitaram bastante. Isso foi muito bonito”.

Estreia equilibrada em Miami

Dentro de quadra, o equilíbrio foi grande. Sabalenka venceu por margem mínima de pontos, 81 a 80, e disparou cinco aces, apenas um a menos que a adversária. Seu desempenho em tiebreaks também segue impecável na temporada, com seis vitórias em seis disputados em 2026.

A número 1 do mundo elogiou bastante o nível apresentado por Ann Li. “Ela jogou de forma incrível. Sacou muito bem, muitas vezes colocando a bola na linha, o que torna muito difícil reagir”, disse. “Também foi muito agressiva, devolveu bem e jogou de maneira inteligente. Em vários momentos senti que estava sempre na defesa”.

Mesmo assim, Sabalenka destacou a capacidade de encontrar soluções ao longo da partida. “Foi um jogo muito duro. Tentei permanecer na partida, encontrar meu ritmo e me adaptar às condições. Estou muito feliz por ter conseguido achar um caminho para vencer”.

Relação com o público brasileiro

A presença de muitos torcedores brasileiros também chamou atenção durante a partida. Noiva do empresário Georgios Frangulis, Sabalenka tenta se adaptar à cultura do país e até arrancou risadas na semana passada, em Indian Wells, ao soltar um palavrão em português após um erro. “Eu amo a cultura brasileira. Sinto que somos muito parecidos. Eles são apaixonados, muito calorosos, e quando gostam de alguém se entregam completamente”, afirmou. “Eu sinto esse carinho e esse apoio, é incrível”.

A bielorrussa contou ainda que tenta aprender o idioma. “Estou no Duolingo há 199 dias tentando aprender português. No aplicativo até parece que sou fluente, consigo falar sobre qualquer assunto”, brincou. “Mas quando desligo o celular percebo que não sei quase nada. Mas xingar… meu Deus, essa é a língua mais bonita para xingar”, disse, rindo. “Agora já sai naturalmente da minha boca”.

Sabalenka ainda revelou que o truque já a ajudou a evitar advertências em quadra. “Como os árbitros entendem russo e inglês, quando eu falo em português eles nem prestam atenção e eu não recebo advertência”, contou. “Mas agora eles já sabem, então vou ter que inventar outra coisa”.

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Mateus Cruz Tamiasso
Mateus Cruz Tamiasso
20 dias atrás

Que bobeira…

Realista
Realista
20 dias atrás

A Sabalenka é muito carismática, mas quando se trata de tenis, de ingresso pago, é com o tenis masculino. Ainda mais sendo Alcaraz contra Fonseca na abdasileirada Miami.

Paulo H
Paulo H
20 dias atrás

Figuraça!

André Aguiar
André Aguiar
20 dias atrás

Miami, antigamente considerado o quinto Slam, é hoje o mais bagunçado dos Masters 1000.
O estádio é o mais feio do circuito, por ser um estádio de futebol americano adaptado ao tênis. Tem setores fechados e escuros, a entrada dos jogadores é esquisita. Mas o principal defeito é a quadra, construída anualmente sabe-se lá em que condições.

Wanderson
Wanderson
19 dias atrás
Responder para  André Aguiar

Concordo um dos piores masters 1000

Sérgio Ribeiro
Sérgio Ribeiro
19 dias atrás
Responder para  André Aguiar

E quem é que o considerava o Quinto Slam ? . Os Norte-Americanos ? . Sampras sempre colocou ATP Finals nesta posição, de carona foi Federer, Djokovic… Agora o mais votado é no Deserto …rs . PS : Houve uma ligeira queda na premiação de Indian Wells 2026 . Abs !

André Aguiar
André Aguiar
19 dias atrás
Responder para  Sérgio Ribeiro

O ATP Finals é maior do que qualquer M1000 pela dificuldade e consequente maior pontuação auferida. Mas não entra nessa comparação porque a sede é intinerante.
Miami arrogou esse título quando, entre 1997 e 2003, era o único torneio a ter chave de 96 jogadores e 12 dias de duração. Com isso, aproximava-se do formato de um GS, embora disputado em melhor de três sets.
Quando era em Key Biscayne gozava de maior prestígio por, pelo menos, contar com quadras permanentes. Hoje, nem isso.
Nos últimos anos, com pesados investimentos, Indian Wells passou a reinvidicar esse título simbólico e, pela opinião dos jogadores, já levou.

Dennis Silva
Dennis Silva
19 dias atrás

Como 17391 pessoas se a capacidade é de 14.000 pessoas. E a quadra não estava no limite de lotação

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