Roddick defende mudança de piso e diz que Fonseca está no caminho certo

Andy Roddick (Foto: Luiz Pires/Fotojump)

Felipe Priante
Especial para TenisBrasil

Um dos convidados de honra para o LA Open, torneio challenger que acontece nesta semana no Jockey Club de São Paulo, disputando exibições no último fim de semana, o norte-americano Andy Roddick se impressionou com a estrutura do evento. “Acho que nunca vi um challenger com uma arquibancada para mais de 6 mil pessoas”, disse o ex-número 1 na entrevista coletiva no sábado.

Antes da segunda exibição, no domingo, ele conversou exclusivamente com TenisBrasil, e falou sobre os dois assuntos mais relevantes no momento para o tênis brasileiro, o primeiro deles a ascensão e consolidação do jovem carioca João Fonseca entre os melhores do mundo, e o outro a possível mudança de piso e de data dos torneios sul-americanos, que influencia diretamente no Rio Open.

Roddick segue a linha do que defende há anos Lui Carvalho, diretor do Rio Open, afirmando que uma mudança de piso, do saibro para a dura, tornaria o torneio muito mais atrativo para os tenistas. Sobre Fonseca, ele acredita que o jovem brasileiro tem as ferramentas para chegar lá, mas pede paciência e ressalta que o carioca está no caminho certo, que só precisa de mais tempo e trabalho.

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Último norte-americano campeão de Grand Slam entre os homens e também o último ex-número 1 de seu país, Roddick também comentou o momento do tênis masculino nos Estados Unidos. Ele observa que o panorama está muito melhor do que alguns anos atrás e que o jejum de Slam ou da liderança do ranking foi causado pelo domínio do Big 3 nos últimos anos e atualmente por Carlos Alcaraz e Jannik Sinner.

Leia abaixo a entrevista completa:
Andy Roddick (Foto: João Pires/Fotojump)

Atualmente muito se discute a possível mudança de piso nos torneios sul-americanos, do saibro para a quadra dura. Mesmo o saibro não sendo seu piso favorito, o que você acha dessa troca?

Se eu gosto ou não, não afeta a minha opinião sobre nada. Obviamente o problema com o tênis para sempre é que é um problema de espaço. Há tantas semanas no ano, mas todos querem seu espaço. Nós atualmente jogamos desde 1 de janeiro, então não há espaço. Especialmente se você quiser adicionar diferentes mercados. Eu acho que é importante manter o mercado da América do Sul no tênis, há tanta história aqui, tantos ótimos jogadores. É uma conversa realística dizer que se a temporada após a Austrália fosse na quadra dura, você teria melhores jogadores? Sim, isso teria aberto para alguém como eu quando eu estava jogando. Eu iria para o Rio jogar um ATP 500 na quadra dura. Eu acho que seria melhor para a chave? Sim. Além disso, é uma preferência pessoal.

João Fonseca despontou no circuito e tem muita pressão para que seja um futuro número 1 e vença Grand Slam. Como você o vê e que tipo de conselhos daria para ele conseguir contornar essa pressão?

Parece que ele está bem, que não está preocupado com a expectativa. Uma coisa que eu diria é que o fato de ser alguém atrativo para assistir e famoso, não significa que irá de 30 para o número 3 do mundo. Isso leva tempo, precisa de treino, precisa de trabalho. Alguns chegam com 18 anos e outros com 21. Então, acho que a paciência é necessária. Sei que todos queremos que ele seja ótimo amanhã. Acho que ele tem as ferramentas para fazer isso, mas também acho que ele precisa dessas partidas no circuito. Ele precisa dessas partidas contra o Jannik (Sinner), contra (Carlos) Alcaraz, precisa constantemente derrotar os caras que estão 50, 60 do mundo em todos os torneios. Mas você não pode esquecer os passos. Eles ainda têm um trabalho a fazer, assim todos os outros no circuito.

Você foi o último norte-americano a vencer um Grand Slam e ser número 1 do mundo. Atualmente, há muitos caras bem colocados no ranking, mas sem conseguir superar essa barreira. Qual sua avaliação para o momento do tênis masculino nos EUA?

Bem, eu diria que quando três caras ganham 65, 60 Grand Slam juntos, isso se torna caso para o mundo inteiro e não só para os Estados Unidos. Então eu acho que isso foi um problema causado por 5 ou 6 jogadores, não é um problema do país. Se olharmos agora, nós temos dois ou três no top 10, cinco no top 20 e 12 ou 13 no top 100. Então os jogadores estão lá, mas nós temos o mesmo problema que todos os outros. Se não fosse Roger ou Rafa, você não ganharia um Grand Slam, se não for Alcaraz ou Sinner agora, você não vai ganhar um Grand Slam. Mas é muito, muito diferente do que era até 12 anos atrás, quando o nosso melhor jogador era 20 ou 30 no mundo, tivemos uma grande melhoria. Sei que as pessoas só querem olhar para o número 1 e títulos de Slam, mas há uma nuance necessária para a conversa. Nós produzimos tantos jogadores bons quanto qualquer outro país. Temos um talento de outro mundo como o Alcaraz ou o Sinner? Não agora, não para dizer que não vai acontecer, mas é o mesmo para o resto do planeta Terra também.

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Joao Prates
Joao Prates
30 dias atrás

Gostava de vê-lo jogar e agora gosto de ouvir o podcast dele, apesar de ele não ser exatamente muito fácil de entender porque fala em velocidade 2x (rs). O ep. de ele conversando com o Nadal há uns 4 ou 5 meses é sensacional.

Marcelo da Fonseca
Marcelo da Fonseca
29 dias atrás

A primeira pergunta cita que o saibro é piso preferido do Andy Roddick? Como assim?

Stevan
Stevan
29 dias atrás
Responder para  Marcelo da Fonseca

Tipo: Fiz minha carreira na grama e em quadra dura, mas prefiro saibro.

Renato dos santos Pachecocong
Renato dos santos Pachecocong
29 dias atrás

Bela entrevista do Roddick!

Vinícius
Vinícius
29 dias atrás

Grande jogador o Andy! Grande freguês do Federer

Diogo
Diogo
28 dias atrás

Tem esse papo de mudança de piso agora, é? Seria uma pena. Eu acho que temos de manter a personalidade, e o saibro é apaixonante.

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