Procura-se alguém para mexer com os brios de Bia Haddad

Foto: Maria Christina Acosta

Não existe nada mais difícil no esporte individual, e ainda mais no tênis, do que sair de uma má fase prolongada. É uma bola de neve. Para recuperar a confiança, o jogador precisa vencer. Mas como atuar solto se você tem dúvidas sobre si mesmo? Aí vem nova derrota, talvez pior do que a anterior, e o mental vai se esvaindo semana após semana.

É o que vemos acontecer com Beatriz Haddad Maia desde o ano passado. Por motivos que muitas vezes parecem estar fora da quadra, a ex-top 10 começou a se perder em atuações muito irregulares. O saque, que forma a base de seu estilo, sumiu pouco a pouco e se tornou um golpe cada vez mais medroso, inseguro. E sabemos que o saque é o único dos elementos do tênis que dependem exclusivamente do próprio jogador, com raras interferências, como sol ou vento. Quando a confiança vai embora, é sempre o golpe mais afetado.

O calvário da brasileira já vinha tomando forma ao longo de todo o primeiro semestre do ano passado, mas ela ainda encontrou alguns portos seguros, que pareciam lhe dar esperança. Fez semifinal em Estrasburgo tirando nomes de peso como Clara Tauson e a então top 10 Emma Navarro antes de dar trabalho a Elena Rybakina. Semanas depois, derrotou Elina Svitolina na grama.

Não era a mesma jogadora sólida e ofensiva de antes, mas ao menos Bia conseguia superar os momentos duros da partida, como aconteceria no US Open. Diante de tenistas medianas, chegou nas oitavas de final e aí não foi páreo para a embalada Amanda Anisimova, de quem só tirou três games. A vinda a São Paulo se revelaria desastrosa, muito provavelmente por conta do favoritismo, e não passou das quartas.

Bia precisava do título no Parque Villa-Lobos para poupar a dura viagem a Seul, onde teria de defender o título e o ranking. Teve de ir às pressas e não passou de uma 105ª do ranking. O final do jogo foi melancólico, com mais uma crise de ansiedade em plena quadra. Finalmente, prevaleceu o bom senso, encerrou a temporada com 16 vitórias em 42 tentativas. Começou 17ª do mundo e terminou 58ª.

A expectativa de todo mundo, e acredito de sua própria equipe, é que Bia reiniciasse o ano zerada de cabeça e preparada para reagir. E não faltaram chances. Ganhou o primeiro set de Victoria Mboko, então 17ª do mundo, e tudo poderia ter mudado em caso de uma vitória em Adelaide. Sofreu outra dura virada da bem menos categorizada Yulia Putintseva no Australian Open, deixando escapar outra oportunidade de levantar a cabeça. Inexplicavelmente, também abandonou as chaves de duplas, onde poderia ganhar jogos, um pouco mais de ritmo e treinar saque principalmente.

Quando olhamos suas atuações mais recentes, como as de Indian Wells, Austin e Miami, já sem o treinador Rafael Paciaroni, fica claro que Bia precisa menos de um técnico que lhe corrija golpes e muito mais de alguém que mexa com seus brios. Que a faça se recordar de tantos buracos de que já saiu em sua longa e bela carreira. E com isso recuperar o espírito guerreiro que nunca lhe faltou.

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Marcelo d
Marcelo d
24/03/2026 10:40

A Beatriz é produto da espn. Acumulou pontos por causa da matemática do circuito. Nunca foi grande coisa. Tenista era Steffi. Vi três jogos ao vivo da moça. Venceu os três. Dois em menos de 1 hora. O outro derrotou Navratilova na final. Ali tinha variações de golpes, mudanças táticas, excelente técnica e vontade de vencer. Obr, Steffi a eterna campeã.

Edvaldo
Edvaldo
20/03/2026 17:19

Gosto do jogo da Bia, mas ela precisa realmente de levar uma sacudida, vai para o jogo, jogue a bola na tela bata, jogue com determinação, curta o jogo nao interessa quem esteja do outro lado. Bata com raiva na bola. Perca por você, não porque vc esta passando a bola, tenha espírito de guerreira na9 aceite a derrota sem lutar, este lutar e coloque a bola na linha forte se sair o público vai entender e te aplaudir. Vc sai ganhado de todas. Então arrebente.

Sérgio Ribeiro
Sérgio Ribeiro
19/03/2026 20:34

JF fez partida nota 7 ( de um Top 20 ) , mas venceu perigoso oponente. Fabian Morozsan bateu Alcaraz em Roma 2023 e JF em Roma 2025 . Ambos em Sets diretos. O predestinado com apenas 19 , não fez feio contra Top 2 . Vale a Torcida para aprontar para cima de N 1. Deu calor em Los Angeles. Carlitos precisou sair de um 0 x 5 , no Super Tiebreak …Abs !

Rodrigo S. Cruz
Rodrigo S. Cruz
19/03/2026 19:48

Sim, o desafio da Bia é mental. E diante dessa deficiência, a parte técnica despenca juntamente.

O medo tem um poder cruel de paralisar qualquer pessoa, em qualquer coisa que pratique na vida. Mesmo algo em que você sabe que é bom.

Não vai ser fácil a Bia sair dessa. Mas vou torcer muito por ela. Ela é uma boa tenista, e também uma boa pessoa.

Última edição 5 meses atrás by Rodrigo S. Cruz
Paulo A.
Paulo A.
20/03/2026 07:39
Responder para  Rodrigo S. Cruz

O texto do Dalcim é primoroso no diagnóstico e também muito respeitoso em relação à grande profissional e à maravilhosa pessoa da Bia mas penso que faltou uma sugestão importante: talvez o que possa ajudá-la a sair desse buraco sem fim, seja mesmo um excepcional psicólogo esportivo. O problema dela parece ser mental e não técnico ou físico.
E lembremos que ela demitiu a psicóloga que havia no time dela.

João Mendonça
João Mendonça
19/03/2026 19:16

Dalcim: na remota possibilidade da Bia largar o tênis, você vê nela qualidades de carisma e comunicação (potencial) para ela entrar no jornalismo?

Há ex-tenistas que são ótimos comunicadores e falam a linguagem do público e outros extremamente tímidos que terão que se enveredar e ter sucesso em outras áreas.

Mas qual a sua opinião?

Última edição 5 meses atrás by João Mendonça
João Mendonça
João Mendonça
19/03/2026 19:02

Vamos todos apenas torcer pela Bia!

Até mesmo aqueles que só torcem por ela ser bonita (sic) façamos todos uma corrente com vibração positiva para que ela – como pessoa – esteja bem apesar dos altos e baixos na carreira.

Mesmo porque nem todos podemos ser ‘Top 2’ naquilo que fazemos e estar entre os 100 ou 200 também não seria nada mais nada menos que um verdadeiro previlégio para qualquer um de nós.

Mario Augusto Eduardo
Mario Augusto Eduardo
19/03/2026 18:55

Mesmo com Federer aposentado, no post anterior haviam – até ontem – 19 menções a Federer contra 18 de Djokovic – destes sendo 13 de fánaticos.

Neste post aqui até o momento que pisto este, está 3 x 1 para Federer.

Como pode um tenista que já se aposentou há 4 anos ter uma representatividade e projeção maior que o dito maior de todos os tempos mesmo após tanto tempo parado?

Última edição 5 meses atrás by Mario Augusto Eduardo
Paulo Sérgio
Paulo Sérgio
19/03/2026 19:53
Responder para  Mario Augusto Eduardo

Ele não é o dito maior. Ele de fato é o maior com 24 slam, 40 masters e 7 atp finals. Tem alguém mais vencedor no tênis?
Outra coisa: lembre que popularidade não é sinônimo de goat.

Sérgio Ribeiro
Sérgio Ribeiro
19/03/2026 20:25
Responder para  Paulo Sérgio

E achas mesmo que os números de Federer também não são de um verdadeiro MultiCampeão???. O resto, o mais eimportante jogador da história tem de sobra para ser considerado ” goat ” , caríssimo Paulinho. Aguardemos. Abs !

Mario Augusto Eduardo
Mario Augusto Eduardo
19/03/2026 20:46
Responder para  Paulo Sérgio

Tem uma meia dúzia sim e com recordes tão grandiosos quanto…

Luiz Fabriciano
Luiz Fabriciano
20/03/2026 12:05
Responder para  Mario Augusto Eduardo

19 menções Federer x 18 menções Djokovic. Dessas, 13 são de fanáticos.
As outras 19 são todas de santos?

Rodrigo
Rodrigo
19/03/2026 12:39

Bia está conseguindo manchar sua vitoriosa carreira

Ronildo
Ronildo
19/03/2026 16:11
Responder para  Rodrigo

Manchar sua carreira? De onde você tirou esta idéia?

Renato
Renato
19/03/2026 12:21

Discussão boba. A atleta perdeu a vontade de jogar. Não porque ela quis. Nossa mente é assim. Somente isso. Tem gente q é capaz de formular um laudo psicanalitico sobre ela. B
obagem. Já deu e pronto. Deve continuar, jogar com prazer torneios menores. E o ciclo termina. Não sei pq tanto drama

Luiz Fabriciano
Luiz Fabriciano
19/03/2026 14:09
Responder para  Renato

Boa!
Gostariam que Bia Haddad saísse ganhando todos os torneios, como fizeram Serena e Venus, mas a bola dela não é para tanto. Ganhou o que foi possível. Não conseguiu mais, deu esse parafuso. Nela e nos fãs.

Luiz Fernando
Luiz Fernando
19/03/2026 16:00
Responder para  Luiz Fabriciano

Perfeito…

Vítor Barsotti
Vítor Barsotti
19/03/2026 18:04
Responder para  Luiz Fabriciano

Negativo, creio que a maioria esperava que a Bia atuasse por mais algum tempo oscilando ali na faixa das 15-20 melhores, o que seria plenamente compatível com o nível que ela já atingiu.

Mas, muito provavelmente, há um grave problema extra quadra que a impediu de continuar nesse toada (citarei só oThiem como outro exemplo, dentre vários).

O esporte de alto rendimento é cruel. Assim como os torcedores geralmente o são com seus ídolos.

Luiz Fabriciano
Luiz Fabriciano
20/03/2026 12:08
Responder para  Vítor Barsotti

Boa citação: Dominic Thiem.
Jogou 3 finais de GS e venceu uma. Venceu 17 torneios ao todo e foi #3 do mundo.
Sucumbiu à uma lesão de punho. Venceu Federer, Djokovic (não me lembro se com Nadal conseguiu), mas a diferença de curriculum é gigante.

Jose Maurício
Jose Maurício
19/03/2026 12:15

Não é possível salvar alguém, que não quer tirar uma das mãos do penhasco e segurar a sua!!

João Mendonça
João Mendonça
19/03/2026 18:50
Responder para  Jose Maurício

Mas que precisão no comentário! Eu só gostaria de entender de onde vem tanta certeza???

Nelson Freire
Nelson Freire
19/03/2026 12:06

Como uma vez Federer disse, após vencer o Aus Open em brilhante final contra Nadal, para quem tinha perdido muitas vezes, criando até um bloqueio mental: Sua luta é contra bola. Não uma briga direta, mas indireta contra o oponente através da bola. Foque na bola, deixando o corpo fluir ao sabor desse foco. E ai sim, bater com soltura. Deu certo, ele ganhou depois de algum tempo amargando derrotas em Grand Slam. Claro que cada tenista é diferente, mas o foco na bola é sempre o que conta

Ronildo
Ronildo
19/03/2026 16:08
Responder para  Nelson Freire

Verdade, Federer foi o melhor da história. Porém jogava sob pressão por causa deste status e isso permitia que seus principais rivais jogassem leves e soltos, aparentando ter mais firmeza mental. Isso enganou muita gente que acompanhou tênis e levou a conclusões errôneas de certa parcela do público.

Luiz Fabriciano
Luiz Fabriciano
19/03/2026 17:16
Responder para  Ronildo

Que bom Ronildo, que já estás usando o verbo ser no passado.

Luiz Fernando
Luiz Fernando
19/03/2026 18:04
Responder para  Ronildo

Deixe ver se eu entendi: Federer jogava sob pressão e os adversários soltos, será que pelo fato de enfrentarem o melhor da historia não deveria ser o contrario? Meu caro, tente ser menos incoerente para justificar as suas opiniões pessoais…

Luiz Fabriciano
Luiz Fabriciano
20/03/2026 12:09
Responder para  Luiz Fernando

A culpa de Mr. Federer não conseguir ser maior do que foi, foi de seus fãs.
Fonte: Ronildo.

SANDRA
SANDRA
19/03/2026 11:27

A Bia desistiu de jogar duplas ?

Sérgio Ribeiro
Sérgio Ribeiro
19/03/2026 11:19

Patrick McEnroe : ” O efeito Roger Federer vendeu todos os ingressos em recorde de 2 minutos” . Entrada do Suíço no Hall da Fama no USA . Organizadores de olho na segurança. Fonte : T.News . Abs !

melkiizedeke
melkiizedeke
19/03/2026 09:08

Talvez seja hora de parar, quantos jogadores(as) encerraram a carreira precocemente, nada a denegrir os feitos que ela conquistou, foi grande, já deu tchau. Vá viver a vida.

levI sIlvA
levI sIlvA
19/03/2026 08:26

Beatriz Haddad Maia, infelizmente não está bem…creio que, o melhor seria anunciar que se aposenta ao final da temporada e jogar sem pressão ou compromisso daqui por diante.
Os melhores resultados dela, vieram quando havia poucas expectativas…e desde que subiu de nível ao top 10, as coisas só foram desandando, é triste mesmo, mas é fato…
Não é novidade, nem todos aguentam lidar com a pressão desse esporte em altíssimo nível…!

Hugo
Hugo
19/03/2026 07:59

Problema da Bia é mental. Quando fica perdida e sob pressão ela não aguenta e desaba. Tem potencial que foi prejudicado pela parte física, mas infelizmente falta essa parte importante para ter uma consistência. Triste…

Refaelov
Refaelov
19/03/2026 09:36
Responder para  Hugo

Olha, consistência n tá faltando.. vem perdendo consistentemente há bastante tempo..

PedroP
PedroP
19/03/2026 21:48
Responder para  Refaelov

jajajajajajajaja….buena !!!!!

Haroldo
Haroldo
19/03/2026 07:37

Dalcim, parabéns pelo texto. Concordo com suas opiniões, mas acrescento que deve ter um problema físico, última cirurgia foi no pulso, se não tiver enganado, perdeu a força? Ou medo de machucar mais? As exigências para duplas são menores, por isso aparecer menos. Tem que realmente mexer com os brios dela, mas se ela não deixar…

Guto Santos
Guto Santos
19/03/2026 06:10

Meu caro, acredito como um amigo aqui já escreveu que ela esteja se aposentando, por questões pessoais (já vimos o quela passou o ano passado) e familiares.
E nesse momento está empurrando a carreira ao máximo para juntar um sprint final financeiro junto aos seus patrocinadores e torneios.
Ela não me parece mais interessada no que seria necessário para dar a volta por cima, por diversas razões que ela mesmo já elencou e vou rerforcar o que me parece claro : ela não tem mais saúde mental e idade para voltar a jogar em alto nível , teria que voltar a se dedicar demais com novos sacrifícios pessoais, sendo que ela já falou que quer filhos e está viajando com a mãe.
Fica aqui meu obrigado a Bia e conformado em saber que provavelmente até o leio do ano ela já não terá mais ranking para continuar.

Luiz Fernando
Luiz Fernando
19/03/2026 05:57

Sempre torço pra que ele supere essa fase pessima, mas a cada dia acredito menos nessa possibilidade, pois não se vê qualquer sinal de reação…

Joanisson Lima barros
Joanisson Lima barros
19/03/2026 00:13

Na verdade Bia está com problema psicológico e não quer dizer ou mesmo pessoal.

Paulista de 63 anos, é jornalista especializado em esporte há mais de 45 anos, com coberturas em Jogos Olímpicos e Copa do Mundo. Acompanha o circuito do tênis desde 1980, tendo editado a revista Tênis News. É o criador, proprietário e diretor editorial de TenisBrasil. Contato: joni@tenisbrasil.com.br
Paulista de 63 anos, é jornalista especializado em esporte há mais de 45 anos, com coberturas em Jogos Olímpicos e Copa do Mundo. Acompanha o circuito do tênis desde 1980, tendo editado a revista Tênis News. É o criador, proprietário e diretor editorial de TenisBrasil. Contato: joni@tenisbrasil.com.br

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