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'Quero me divertir e aproveitar momento', diz Pigossi
27/06/2022 às 18h07
Matheus Fonseca, de Londres
Especial para TenisBrasil

Medalhista de bronze nos Jogos Olímpicos de Tóquio ao lado de Luisa Stefani e finalista do WTA 250 de Bogotá em abril, Laura Pigossi jogará pela primeira vez numa chave principal de Grand Slam. A estreia da paulistana de 27 anos em Wimbledon acontecerá nesta terça-feira contra a eslovaca Kristina Kucova, atual número 91 do mundo.

Empolgada com o atual momento de sua carreira e do tênis feminino brasileiro de forma geral, Pigossi diz que o resultado é o menos relevante. “A expectativa é de voltar a competir depois de algumas semanas parada, me divertir e aproveitar o momento. Não estou nem pensando em ganhar ou perder, mas em desfrutar a experiência de estar em Wimbledon. Demorei tanto tempo e trabalhei tanto para chegar aqui que agora só penso em dar o meu melhor em intensidade, energia e no que eu venho fazendo nos treinos”, explica a brasileira.

Assim como aconteceu nas Olimpíadas, quando ficou sabendo que disputaria os Jogos a poucos dias da estreia, e em Bogotá, onde viveu a incerteza de precisar ou não disputar o quali (ficou a uma posição de entrar direto na chave, furou o classificatório e foi até a decisão), Laura viveu mais uma vez a sina de garantir vaga em cima da hora em um torneio importante. Em Wimbledon, ela foi a última jogadora classificada na chave principal, após a desistência da japonesa Naomi Osaka.

“Fiquei na espera por duas semanas. No início achei que a lista ia rodar bastante, mas nada acontecia. Fui entrar no sábado de manhã, o quali começava na segunda e eu já estava achando que ia acontecer igual em Bogotá. Quando entrei, comecei a pular de alegria, minha família comemorou muito também. Estar em um Grand Slam é o sonho de qualquer tenista desde criança. Já até joguei aqui no juvenil, mas é completamente diferente”, conta a número 2 do Brasil e 124 do ranking da WTA.

Preparação para Wimbledon
Sem jogar desde Roland Garros, Laura treinou nas últimas semanas em quadras de saibro e deixou para fazer a transição para a grama somente no All England Club. Dia após dia, ela já vem se sentindo mais à vontade.

“Antes de vir para cá eu treinei no saibro, estava recuperando as minhas costas e as pernas após um probleminha que tive em Roland Garros, além de ter tido uma intoxicação alimentar. Então utilizei essas semanas para recuperar meu corpo e treinar. Para enfrentar as meninas desse nível que estou jogando agora preciso estar 100%, 120% e tiver de fazer ajustes físicos e treinar coisas diferentes. Não joguei nenhum torneio na grama, cheguei aqui na quinta-feira e estou usando esses dias para jogar pontos e me adaptar melhor ao piso. O primeiro dia foi mais difícil, no segundo me senti melhor e ontem já estava normal”, revelou.

Primeiro desafio
Atual número 91 do ranking, Kristina Kucova será a adversária da estreia de Pigossi em Londres. A eslovaca de 32 anos já disputou duas vezes a chave principal de Wimbledon, em 2009 e 2017, e em ambas as edições foi eliminada na segunda rodada. Apesar de nunca terem se enfrentado no circuito, Laura acredita saber como vencê-la.

“Eu sei um pouco como ela joga, bem dentro da quadra e agressiva, mas não tem muita paciência. A minha tática de jogo vai ser sempre colocar a bola mais em quadra e forçar ela ao erro. Tenho que aproveitar os momentos de baixa dela, me manter forte e mostrar presença. Em jogos assim, não importa ranking, não importa nada, quem está melhor no dia leva, e acho que aprendi muito isso em Bogotá, ganhando de várias meninas que estavam no top 100. Tenho que acreditar que eu posso, que estou aqui por algum motivo e tenho total de condições de jogar com a adversária que for”.

Motivação coletiva e espelho para a nova geração
Os últimos 11 meses foram especiais para o tênis feminino brasileiro, com títulos, recordes e feitos inéditos, protagonizados principalmente por Beatriz Haddad Maia, Luisa Stefani e a própria Laura. Para ela, esse momento das mulheres do país serve como motivação para todas as outras meninas e deve ser aproveitado pelas próximas gerações.

“Eu acho que nós estamos nos puxando muito, uma sempre faz a outra querer ser melhor e acreditar que pode chegar e ganhar todos os jogos seguidos na grama mesmo vindo da América do Sul (onde não temos torneio nesse piso) ou chegar por último nas Olimpíadas e trazer uma medalha de bronze, batendo ex-número 1 do mundo e tudo mais. Acho que o segredo é acreditar que podemos. Espero que essa próxima geração aproveite o empurrão que estamos dando, para que elas também acreditem que podem chegar lá”, diz Pigossi.

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