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Bia faz história e conquista título inédito na grama
12/06/2022 às 11h33

Bia é apenas a segunda brasileira a vencer um torneio profissional em quadras de grama

Foto: LTA

Nottingham (Inglaterra) - Em um domingo histórico para o tênis brasileiro, Beatriz Haddad Maia conquistou o maior título de sua carreira de simples e o primeiro na elite do circuito. Bia venceu o WTA 250 de Nottingham, em quadras de grama, superando na final a norte-americana Alison Riske, 40ª do ranking, por 6/4, 1/6 e 6/3 em 2h18 de partida.

Bia é a primeira brasileira a vencer um torneio profissional na grama desde a lendária Maria Esther Bueno em Manchester, no ano de 1968. E apesar de a maior parte das conquistas de Maria Esther serem anteriores à Era Aberta, incluindo seus sete Grand Slam de simples, a Bailarina do Tênis chegou a vencer três torneios na elite do circuito profissional. Niege Dias tem dois títulos, assim como Teliana Pereira, que venceu dois torneios no saibro em 2015, em Bogotá e Florianópolis.

Até então o maior título na carreira de simples de Bia havia sido conquistado em maio deste ano, em um torneio da série 125 da WTA, equivalente aos maiores challengers da ATP, na cidade francesa de Saint-Malo, em quadras de saibro. Ela já havia disputado uma final de 250 no ano de 2017 em Seul, sendo superada pela então top 10 Jelena Ostapenko. Já nas duplas, a paulista de 26 anos tem três conquistas, incluindo o WTA 500 de Sydney, ao lado da cazaque Anna Danilina no início deste ano. Jogando juntas, elas também foram finalistas do Australian Open.

Ainda neste domingo, Bia disputará a final de duplas em Nottingham. Ela se junta à experiente chinesa de 33 anos Shuai Zhang, número 4 do mundo na modalidade, para enfrentar a romena Monica Niculescu e a norte-americana Caroline Dolehide. O prêmio em dinheiro para a campeã de simples é de US$ 33.200. Já a dupla campeã divide US$ 12 mil, enquanto as vice-campeãs recebem US$ 6.700.

Bia será top 40 após o torneio
Com o título, Bia também dará um salto no ranking. Ela já estava com a melhor marca da carreira, ocupando o 48º lugar, e recebe 280 pontos pela conquista. Dessa forma, será a 32ª do ranking a ser divulgado na próxima segunda-feira, superando ainda a melhor marca de Teliana Pereira, 43ª, e ficando a uma posição de repetir Niege Dias, 31ª, entre as brasileiras. A melhor marca de Maria Esther Bueno no ranking da WTA, criado apenas em 1975 já no final de sua carreira, foi o 29º lugar.

Superada por Bia na final de simples, Alison Riske está com 31 anos já foi 18ª do mundo e tem bom histórico na grama. A experiente norte-americana já havia disputado a final de Nottingham em 2018 e foi campeã do WTA de 's-Hertogenbosch em 2019. No mesmo ano, também chegou às quartas em Wimbledon. Além disso, já venceu dois torneios de nível ITF na grama.

Relembre a campanha de Bia em Nottingham
Bia iniciou a semana vencendo a experiente chinesa de 30 anos Qiang Wang, ex-número 12 do ranking, em três sets por 5/7, 6/4 e 6/3. Depois, passou pela britânica Yuriko Miyazaki, que é nascida em Tóquio, mas vive no Reino Unido desde a infância, com parciais de 6/2 e 7/6 (7-4).

Nas quartas, a brasileira eliminou a grega Maria Sakkari, principal cabeça de chave do torneio e número 5 do mundo, por 6/4, 4/6 e 6/3. Já na semifinal do último sábado, Bia liderava a partida contra a tcheca Tereza Martincova por 6/3 e 4/1 quando a rival abandonou por lesão no joelho direito.

Bia precisou de três sets para conquistar o título
O início de partida foi muito bom para Bia, que conseguiu uma quebra cedo e colocou a adversária sob constante pressão nos games de serviço. A brasileira criou oportunidades em três games distintos para ampliar sua vantagem no placar, mas a norte-americana conseguiu se salvar em todas elas, inclusive de um set-point no 5/3. Em seu serviço, Bia só enfrentou dois break-points, ambos no mesmo game, e escapou de ambos. A combinação de saque e primeira bola deu muito certo para ela. Após 51 minutos de disputa, Bia fez 16 a 12 em winners e cometeu 23 erros não-forçados contra 15.

O segundo set começou com games longos e oportunidades para os dois lados, mas Riske vinha prevalecendo nos momentos mais importantes. A norte-americana conseguiu duas quebras seguidas e largou com 4/0, enquanto Bia não conseguiu aproveitar nenhum dos seis break-points que teve na parcial. Três deles foram quando a rival já liderava por 5/1 e reverteu um 0-40 com uma sequência de ótimos saques, inclusive dois aces.

A parcial teve ainda duas marcações da arbitragem que desagradavam a brasileira, a primeira foi a correção de uma bola cantada fora por um juiz de linha, e que segundo a árbitra de cadeira Julie Kjendlie não interferiu no movimento de Bia. E a outra foi num saque marcado fora. O torneio não tem o recurso do desafio eletrônico. Ao fim do set, Riske tinha 14 a 12 em winners e cometeu apenas 5 erros contra 15 de Bia.

Riske começou melhor no terceiro set e abriu 2/0. A norte-americana tinha sucesso na tentativa de só bloquear os saques da brasileira e fazer jogar. Mas Bia conseguiu devolver logo a quebra e voltou a jogar de forma agressiva, partindo para a definição dos pontos. Houve ainda mais uma marcação controversa da arbitragem, no 3/3, mas depois disso a número 1 do Brasil não perdeu mais games. Ela conseguiu uma nova quebra, com uma dupla falta da rival, e ainda sacou muito bem nos momentos de pressão para chegar à vitória. Bia recebeu o troféu das mãos de Johanna Konta, ex-número 4 do mundo e campeã no ano passado.

Cada jogadora terminou a partida com 39 winners e Bia até cometeu mais erros não-forçados, 47 a 32. O jogo teve três quebras para cada lado, sendo que a brasileira criou 16 break-points e enfrentou nove. Riske liderou a contagem de aces por 5 a 2 e cometeu três duplas faltas contra seis de Bia. 

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