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'Não posso continuar competindo assim', avisa Rafa
05/06/2022 às 17h58

Paris (França) - Um dos assuntos mais comentados durante toda a campanha de Rafael Nadal em Roland Garros, que terminou neste domingo com sua 14ª conquista em Paris, o problema que o espanhol sofre no pé não poderia deixar de ser o destaque na entrevista coletiva após a final, na qual o recordista de títulos de Grand Slam explicou que pretende buscar um novo tratamento, pois não seguirá jogando a base de infiltrações.

“É óbvio que não posso e não quero continuar jogando nas circunstâncias em que estou. Vou continuar trabalhando e tentando encontrar uma solução para o que está acontecendo no pé. Foram duas semanas incríveis, mas é óbvio que eu não queria falar sobre o pé durante o torneio porque queria focar no meu tênis e também para respeitar os rivais”, afirmou o espanhol, que entrou em quadra na final com o pé anestesiado.

“Essa foi a única maneira de me dar uma chance aqui, mas é óbvio que não posso continuar competindo com o pé assim. Joguei essas duas semanas sob condições extremas, com uma injeção nos nervos para dormir o pé. Só assim que pude jogar durante essas duas semanas, mas assim não tenho sensibilidade no pé. Isso tira a sensação de dor, mas ao mesmo tempo é um grande risco, aumenta a chance de torcer o tornozelo ou ter acontecer outra coisa ali”, falou Rafa.

O espanhol contou que está vendo um novo tratamento à base de radiofrequência no nervo para tentar resolver ou pelo menos ajudar no problema. “Se isso funcionar, eu vou continuar. Se isso não funcionar, então vai ser outra história. Uma grande cirurgia não garante que eu possa ser competitivo novamente e também iria demorar muito para voltar”, explicou Nadal, descartando passar por uma operação.

Questionado sobre a presença em Wimbledon, ele foi bem direto e falou que jogará se seu corpo estiver pronto. “É isso, Wimbledon não é um torneio que eu queira perder e acho que ninguém quer perder. Eu amo Wimbledon, mas não posso dar uma resposta clara no momento. Se eu puder jogar com antiinflamatórios, estarei lá, mas se tiver que jogar com injeções anestésicas, não estarei”, resumiu o canhoto de Mallorca, que não quis entrar em detalhes sobre as infiltrações em Paris.

Nadal também abordou sua motivação para seguir competindo e descartou que seja a busca por recordes. “O que me leva a continuar não é a competição para tentar ser o melhor ou ganhar mais Grand Slams que os outros. O que me motiva a continuar é a paixão pelo jogo, viver momentos que ficam dentro de mim para sempre e jogar diante das maiores torcidas do mundo e nos melhores estádios”.

Sempre bastante humilde, o espanhol disse se surpreender com tudo o que já conquistou em sua carreira. “Se você não fica surpreso em ganhar 14 títulos de Roland Garros ou 22 nos Grand Slams, é porque é super arrogante. Nunca sonhei em alcançar as coisas que conquistei. Honestamente, nunca me considerei tão bom”, falou o atual número 5 do mundo, que subirá para o quarto lugar com o título de Roland Garros.

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