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Inspirada em ídolos, Gauff protesta contra violência
02/06/2022 às 19h58

Gauff garantiu nesta quinta-feira um lugar na final de Roland Garros

Foto: Paul Zimmer/ITF

Paris (França) - No mesmo dia em que garantiu vaga na final de Roland Garros, a sua primeira em um Grand Slam de simples, Coco Gauff aproveitou a oportunidade para dar luz a um tema bastante importante nos Estados Unidos. A norte-americana de 18 anos protestou contra a violência armada, especialmente após recentes casos de tiroteios em escolas pelo país. Ela deixou a mensagem: 'Parem com a violência armada' na lente da câmera ao sair de quadra e falou à imprensa que é preciso buscar meios para que casos como esses não se repitam no futuro.

"Estou em uma final de Grand Slam, mas há tantas coisas acontecendo no mundo agora, especialmente nos Estados Unidos, que não posso me estressar com o que acontece em uma partida de tênis", disse Gauff. "Acordei esta manhã e vi que havia outro tiroteio. Isso é uma loucura. Sei que o assunto está recebendo mais atenção agora, mas é isso tem sido um problema, pelo menos na minha cabeça, há muito tempo, e acho que precisa haver alguma reforma. Acho que agora que eu fiz 18 anos, estou tentando me educar em certas situações, porque tenho o direito de votar e quero usar isso com sabedoria".

Apesar da pouca idade, Gauff sempre se sentiu confortável para se posicionar sobre diferentes casos. Foi assim em 2020, com os protestos contra o racismo e a violência policial nos Estados Unidos após a morte de George Floyd. Ela também se inspira em outros ídolos do esporte que também utilizam de seus espaços para dar visibilidade a causas relevantes.

"Eu diria que LeBron James, Serena Williams, Billie Jean King, Colin Kaepernick e Naomi Osaka me inspiram muito essas questões. Acho que agora os atletas se sentem melhor para falar sobre coisas assim. Sinto que muitas vezes somos colocados em uma caixa que as pessoas sempre dizem: 'Ah, esportes e política devem ficar separados'. E eu digo que sim, mas também ao mesmo tempo sou um ser humano antes de ser uma jogadora de tênis. Então, é claro que vou me preocupar com essas questões e falar sobre essas questões. Não acho que isso seja um tema político", acrescentou a jovem jogadora.

"Quando as pessoas fizerem esses comentários, lembro que não serei uma atleta para sempre. Haverá um momento em que me aposentarei. Então é claro que eu me importo com esses tópicos. Acho que os esportes dão a você a plataforma para talvez fazer essa mensagem chegar a mais pessoas", complementa norte-americana, que tem o respaldo dos pais e da equipe para se posicionar.

"Minha equipe ao meu redor sabe que se eu quiser dizer alguma coisa, eu vou dizer. E os meus pais sempre me incentivam desde que eu era mais jovem. Meu pai dizia que eu posso mudar o mundo com a minha raquete. Ele não quis dizer isso apenas jogando tênis. Ele quis dizer falar sobre questões como esta. A primeira coisa que meu pai me disse depois que saí da quadra, estou orgulhoso de você e amei o que você escreveu na câmera".

Sobre a vitória por 6/3 e 6/1 sobre a italiana Martina Trevisan na semifinal desta quinta-feira, Gauff entende que teve um início um pouco errático, mas que logo encontrou seu melhor tênis. "Acho que ainda estou um pouco em choque agora. Não sabia como reagir depois da partida. Para mim é um pouco difícil porque quando enfrento jogadoras como ela, você tem que ter mais paciência. Acho que joguei provavelmente o melhor que pude. Nós duas estávamos meio instáveis ​​nos primeiros games, tivemos muitos erros não forçados no começo, mas depois disso, foi tranquilo.

Duelo com Iga Swiatek na final em Paris
Gauff enfrenta no próximo sábado a número 1 do mundo Iga Swiatek, campeã de Roland Garros em 2020 e invicta há 34 jogos no circuito, com cinco títulos na temporada. A polonesa de 21 anos levou a melhor nos dois duelos anteriores entre elas.

"Eu conheço a Iga desde que ela tinha o ranking mais baixo, e agora ela é a número 1. E a única que mudou nela é o nível de tênis. Mas nos bastidores, ela é muito legal quanto acho que vocês podem ver isso nas coletivas de imprensa. Eu acho isso muito importante e raro de se ver, então eu definitivamente a parabenizo por esse aspecto. Estou muito feliz em enfrentá-la especificamente, eu sempre quis jogar contra ela em uma final. Desde o juvenil, sabia que isso poderia acontecer eventualmente. Só não pensei que fosse acontecer tão cedo".

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