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Billie Jean: 'Disseram que eu nunca ganharia no saibro'
02/06/2022 às 18h35

Paris (França) - Billie Jean King foi homenageada na tarde desta quinta-feira, antes das semifinais femininas, pelos 50 anos da conquista de seu primeiro título de Roland Garros em 1972, em decisão contra Evonne Goolagong por duplo 6/3. A australiana havia conquistado Roland Garros e Wimbledon consecutivamente em 1971 e havia derrotado a favorita da casa Françoise Durr para chegar a finais consecutivas em Paris. Em comemoração, a americana arremessou sua raquete para o alto.

Finalmente, King completava o Grand Slam, aos 28 anos, já com seis títulos de simples no currículo. "Nasci e cresci na Califórnia, onde não nos ensinam a deslizar. Mas para jogar bem no saibro, tem que se tornar algo natural", disse Billie Jean em entrevista à revista oficial de Roland Garros. "É o sonho de todo jogador de saibro ganhar Roland Garros. Mas os outros jogadores - aqueles que não se sentem tão confortáveis ​​no saibro - também querem vencer porque é o seu maior desafio. Eu não era uma jogadora de saibro, mas quando se trata da geometria da quadra, os drop shots e da estética, de certa forma se adequava ao meu jogo."

“Eu tinha muito respeito por Evonne. Ela era a detentora do título, poderia vencer em qualquer superfície”, disse King. “Também tive a sorte de Chris Evert não participar naquele ano porque ela ainda era uma estudante do ensino médio. Mas senti um grande alívio e muita emoção. Fiquei muito feliz porque todos diziam que eu nunca ganharia nada no saibro.”

 
 
 
 
 
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Vinte minutos após o término das semifinais femininas, as telas gigantes da Quadra de Suzanne Lenglen exibiram o filme “A Batalha dos Sexos”, que conta a história da partida de 1973, em Houston, que opôs Billie Jean contra Bobby Riggs . Mais de 30 mil pessoas se reuniram para ver a partida, enquanto 90 milhões de fãs sintonizaram para assistir na televisão.

Nesta sexta-feira, a lenda do tênis americano vai receber a medalha da Legião de Honra, que deverá ser entregue pelo presidente Emmanuel Macron, no Palácio do Eliseu, em reconhecimento à sua luta pelo esporte feminino, pelos direitos da comunidade LGBTQ nos esportes.

“Tenho mais orgulho do que fiz fora das quadras do que como atleta, embora minha carreira no tênis não tenha sido tão ruim”, disse rindo. “Acho que ser a número 1 do mundo e vencer torneios de Grand Slam, incluindo Roland Garros, é uma grande conquista. Mas tenho mais orgulho de ter lutado pela igualdade de gênero. O tênis seria minha plataforma e, se eu pudesse me tornar a melhor jogadora do mundo, seria melhor ter minha voz ouvida. Eu sabia que, como mulher, seria muito mais difícil, mas seria ainda mais difícil para minhas colegas de cor. Tive a oportunidade de fazer do mundo um lugar um pouco melhor. Foi uma revelação. Desde então, tem guiado minha vida e nunca mudei de rumo.”

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