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Semifinalista, Trevisan ficou quatro anos longe do tênis
31/05/2022 às 16h49

A italiana de 28 anos faz a melhor campanha de sua carreira em Grand Slam

Foto: Nicolas Gouhier/FFT

Paris (França) - Primeira jogadora a se classificar para a semifinal de Roland Garros, a experiente italiana Martina Trevisan chegou a ficar quatro anos longe do esporte e recomeçou a carreira disputando os menores torneios do tênis profissional. Aos 28 anos, ela celebra seu melhor resultado em um Grand Slam. Além disso, a atual 59ª do ranking vem da conquista de seu primeiro WTA 250, em Rabat, e está invicta há dez jogos.

Natural de Florença, Trevisan foi uma juvenil de bom nível entre 2008 e 2009. Mas quando tinha 16 anos, em 2010, parou de jogar tênis. Naquela época, seu pai, Claudio, havia sido diagnosticado com uma doença degenerativa. A tenista se afastou do esporte, enquanto lutava contra distúrbios emocionais e alimentares, chegando a desenvolver um quadro de anorexia, mas conseguiu se recuperar e voltar ao tênis em 2014. Ela só entraria no top 100 em 2020, quando fez outra boa campanha em Roland Garros, chegando às quartas de final.

"Eu odiava meu corpo e impunha a mim mesma dietas muito duras para perder peso", escreveu Trevisan, em relato ao site The Owl Post. "Fui reeducada para comer e fazer as pazes com minhas feridas. Passei a valorizar meu corpo de novo, perdoar aqueles que cometeram erros e tentei encontrar meu tempo para fazer as coisas. Quase sem perceber, me vi de novo com uma raquete nas mãos".

Trevisan contou na entrevista coletiva que voltar a ter um grande resultado em Paris era uma de suas metas no início da temporada. "No início deste ano, eu estava sonhando este momento, porque na minha cabeça, eu me via novamente este momento. Pensei comigo mesmo: 'Sim, Martina, você pode fazer de novo'. Eu gostaria de reviver essa emoção. E aqui estou, então fico muito feliz".

"É um momento incrível para mim. Hoje foi um jogo muito difícil, mas consegui vencer estou muito feliz", comenta após a vitória sobre a canadense Leylah Fernandez nas quartas por 6/2, 6/7 (3-7) e 6/3. A italiana chegou a ter um match-point no segundo set. "Foram muitas emoções e foi muito difícil fechar a partida. Eu aceitei a situação e olhei para frente. Olhei ao meu redor, eu estava na quadra mais importante do mundo. Eu até senti muita tensão, mas eu estava feliz de qualquer maneira. Sabia que era normal me sentir assim porque estava jogando para alcançar a minha primeira semifinal".

Em sua melhor fase na carreira, Trevisan destaca a consistência no circuito para conseguir a série de dez vitórias. Ela desafia a jovem norte-americana de 18 anos Coco Gauff na semifinal. "Acho que estou muito consistente agora. Não estou cometendo muitos erros não forçados. E acho que esta é a chave. Quando eu preciso agredir mais, eu consigo. E quando eu preciso ficar no jogo e me concentrar, também. Acho que essa é a chave". Ela também afirma que o nome é uma homenagem à lenda do tênis Martina Navratilova: "Minha mãe me deu esse nome, e com certeza é por causa da Navratilova. Mas não sinto pressão pelo nome. Eu também gosto".

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