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Soares: 'Não tem comparação jogar com brasileira'
26/05/2022 às 16h23

Depois de pegar cabeças 1, Bia e Soares encaram outra dupla muito dura: Mirza e Dodig

Foto: Aliny Calejon
Matheus Fonseca, de Paris
Especial para TenisBrasil

Atuando juntos pela primeira vez, a paulista Beatriz Haddad Maia e o mineiro Bruno Soares estrearam com uma suada e importante vitória na chave de duplas mistas de Roland Garros nesta quinta-feira, batendo os cabeças de chave número 1, a chinesa Shuai Zhang e o francês Nicolas Mahut, em três sets. 

Após o triunfo, a dupla concedeu entrevista exclusiva para TenisBrasil em Paris e Bruno destacou a emoção de jogar ao lado de uma tenista brasileira em um Grand Slam. 

“É muito melhor, não tem nem comparação. Eu tive a honra de jogar com a Luisa Stefani no Australian Open, em 2021, e agora com a Bia. Disputar um torneio como esse com alguém do meu país é uma situação muito especial que vai além do resultado, é algo que a gente vai levar para o resto da vida”, disse o mineiro que já conquistou três Slam na prova, mas sempre com parceiras estrangeiras. 

Para Bia, a experiência no saibro parisiense será guardada com muito carinho. “Para mim é uma honra poder dividir a quadra com o Bruno e é algo que eu nunca vou esquecer, pois foi o meu primeiro jogo de dupla mista em um Grand Slam, com quadra cheia em Roland Garros”, frisou. 

Análise do jogo 
Depois de saírem na frente e sofrerem o empate, a parceria brasileira precisou disputar um match-tiebreak para sacramentar a vitória, chegando a perder três match-points antes de fechar o jogo. Para os dois, a chave para o resultado positivo foi o rápido entrosamento dentro de quadra. 

“Primeira rodada de Grand Slam é sempre um jogo duro e pegamos de cara uma dupla bastante experiente. Acredito que tivemos uma atuação muito sólida e durante o jogo pudemos ir nos conhecendo um pouco mais e aumentando nosso nível”, disse Bia, que admitiu a tensão causada pela estreia. “Estava um pouco mais nervosa no começo do primeiro e do segundo sets, mas o Bruno me deixou muito à vontade e isso ajudou a me soltar, devolver melhor e elevar meu tênis, que eu sabia que uma hora ia aparecer”.

A vitória contra os principais favoritos da competição também foi muito comemorada por Bruno, que por sua vez comentou o nível de dificuldade de um Slam. “Primeiro jogo contra os cabeças 1 é muito complicado, mas acho que isso não quer dizer muita coisa. A chave de mistas é sempre muito dura e reúne os melhores, então o fato de ser cabeça de chave ou não é um mero detalhe”, explica.

Sobre a partida, o experiente atleta de 40 anos também ressaltou a sinergia com a parceira brasileira como fundamental para o resultado. “Acho que para nós foi questão de tempo para entrosar, entender um pouquinho como o outro joga, o posicionamento na rede, saque favorito. Conseguimos fazer isso rápido e depois jogamos muito bem, firmes”, avaliou. 

Apesar de ambos destacarem o entrosamento em quadra, vale lembrar que eles não tiveram tempo de treinar juntos antes da estreia e sequer já haviam jogado lado a lado. 

“Nós íamos treinar semana passada, mas tive um percalço na perna e cancelamos. Em um dia normal poderíamos aquecer e bater bola pela manhã, mas a Bia teve jogo de dupla feminina hoje e não foi possível. Antes da partida, obviamente, conversamos um pouquinho, mas na realidade não tem muito o que falar, pois já nos conhecemos e sabemos como o outro joga. O que é preciso fazer são pequenos ajustes dentro de quadra como dupla mesmo”, revelou Soares.

Velha conhecida na próxima rodada 
Na segunda fase da competição, a dupla brasileira enfrentará a parceria formada pelo croata Ivan Dodig e a indiana Sania Mirza, com quem Bruno foi campeão das mistas no US Open de 2014 e guarda boas lembranças.

“Mirza é minha antiga parceira, tive bons momentos com ela, mas agora tenho que jogar contra. É uma dupla muito experiente, já joguei contra eles algumas vezes. Ambos conquistaram títulos de Grand Slam, e é uma parceria de altíssimo nível que sabe o que precisa fazer para ir longe num torneio como esse. Temos de colocar pressão, jogar bem os pontos decisivos e ter tranquilidade. Acho que o principal é fazer o que fizemos hoje, com dedicação, alegria e energia positiva para correr atrás da vitória”, disse o mineiro. 

Bia se sente mais confortável nas duplas 
Finalista do Australian Open nesta temporada com a cazaque Anna Danilina e vindo de título no WTA 125 de Paris com a francesa Kristina Mladenovic, a canhota paulista afirmou se sentir cada vez melhor disputando torneios de duplas e explicou a escolha por jogar mais essa prova em 2022. 

“É uma coisa que eu nunca tinha feito tanto. Sempre cuidei muito do meu corpo e no ano passado tive muitas partidas de simples, disputando qualificatórios de torneios muito pequenos e viajando muito, então abdiquei da dupla um pouco. Mas é um jogo divertido e eu fico muito solta, até mais do que nas simples. Cada vez que eu tiver oportunidade de disputar torneios grandes e tiver um parceiro ou uma parceira legais para compartilhar eu vou tentar jogar dupla, porque é algo que eu gosto bastante”, finalizou. 

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