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Lágrimas, emoção, lembranças na despedida de Tsonga
24/05/2022 às 16h27

Paris (França) – Atuais e ex-treinadores, a esposa Noura, o pai Didier, a mãe Evelyne, a irmã Sara e o irmão Enzo, todos foram chamados ao centro da Quadra Philippe Chatrier nesta terça-feira para as homenagens ao francês Jo-Wilfried Tsonga no encerramento de sua carreira, com um desempenho digno na derrota diante do norueguês Casper Ruud, de virada, com parciais de 6/7 (6-8), 7/6 (7-4), 6/2 e 7/6 (7-0). Antes, logo após o término da partida, o francês de 37 anos se emocionou com os aplausos da torcida, de pé, na quadra central.

Até mesmo Ruud estava emocionado e ao ser entrevistado por Fabrice Santoro: “Obrigado, Fabrice, mas não quero falar do jogo. Quero falar de Jo, é difícil para mim falar. Você foi uma grande inspiração para mim e para muitos outros e para jovens tenistas ao redor do mundo, então, obrigado por todas as memórias.” Entre as lembranças, Ruud falou da vitória de Tsonga sobre Rafael Nadal, no Aberto da Austrália de 2008. “Você é uma ótima pessoa, dentro e fora da quadra, um ótimo exemplo de como um tenista deve ser, você sempre deu um bom show na quadra, então, foi uma honra assisti-lo.”

Em seguida, o norueguês retirou-se da quadra, deixando-a livre para as homenagens organizadas por Amélie Mauresmo, diretora do torneio, e a Federação Francesa. O mestre de cerimônias lembrou que em sua carreira Tsonga obteve vitórias sobre os grandes, entre eles Roger Federer, Rafael Nadal e Novak Djokovic. Seu primeiro treinador foi então chamado para entrar na quadra, seguido por todos os outros que trabalharam com Tsonga ao longo dos anos. Impossível para o emotivo Tsonga segurar as lágrimas diante de tantos abraços e palavras de carinho. Na sequência foi a vez de seus pais e irmãos e da esposa Noura com os filhos Sugar e Leelow.



Na continuidade da cerimônia, foi a vez dos vídeos, começando por um do próprio Tsonga mostrando a realização de sonhos durante a carreira, com 18 títulos, entre eles dois Masters 1000, em Paris-Bercy e Toronto, e o título da Copa Davis em 2017. “Eu me dou conta de que tudo o que sonhei, eu realizei. Foi maravilhoso viver esta aventura.” Quando o vídeo terminou, ele recebeu um cafuné da mãe, mas as homenagens só estavam começando. É a vez de seus colegas compatriotas entrarem na quadra, entre eles Gilles Simon, Benoit Paire, Richard Gasquet e Gael Monfils.

Através de mensagens gravadas, Tsonga recebeu cumprimentos de Andy Murray, Djokovic, Nadal e Federer. Todos destacaram sua personalidade carismática e a falta que ele fará, mas, como disse Rafa, “estamos ficando velhos e a hora de se aposentar chega para todos.” Falando em francês, Federer afirmou: “Parabéns por uma carreira enorme, tive o prazer de jogar contra você, até mesmo de perder contra você. Tivemos algumas grandes batalhas todos esses anos, vamos sentir sua falta no circuito.”

Coube a Monfils entregar o troféu especial a Tsonga, tal como aconteceu com Guga. Na hora de discursar, Tsonga tirou uns papeis do bolso. “Hoje é um grande dia para mim. Quero dizer adeus a meus colegas que me acompanharam desde cedo. Agradecer a todos que me permitiram ser eu mesmo, agradeço à minha família e à Federação Francesa onde encontrei boas pessoas. Sou feliz de fazer parte de uma geração maravilhosa de jogadores franceses.” Encerrando, Tsonga diz que agora sua família será sua prioridade. “Merci, Roland, merci tênis, eu amo vocês.”

O jogador nascido em Le Mans costuma dizer que recebeu a força de seu pai e a bondade de sua mãe. Tsonga representou, nas quadras, a alegria de viver, com aquela sua comemoração características após uma grande jogada, depois de uma grande vitória, braços erguidos, como se fosse um lutador de boxe, rodopiando na quadra fazendo festa. Sua alegria era contagiante e isso o fez querido dos torcedores e de todos os que o conheceram de perto.

Foram 18 anos de carreira, na qual chegou ao quinto lugar no ranking mundial, desde que despontou no cenário mundial em 2004, aos 19 anos. Como juvenil, chegou a ser vice-líder do ranking e ganhou o US Open da categoria em 2003. Estreou no circuito da ATP no Aberto da China de 2004, em Pequim, surpreendendo ao derrotar o espanhol Carlos Moyá em dois sets. “Eu sempre disse que um dos meus objetivos era inspirar crianças, inspirar outras pessoas. Espero ter feito isso durante minha carreira”, disse Tsonga ao ATPTour.com. “Eu me inspirei em outros esportistas e sei como você se sente. Eu sei como você se sente quando é fã de alguém ou admira alguém. É uma sensação agradável. Para mim foi muito importante ser diferente. Eu nasci um pouco diferente. Sempre fui um pouco diferente dos outros na França”, disse Tsonga. “Para mim, tentar fazer as coisas de maneira diferente foi algo positivo para mim. Eu sempre tento seguir esse caminho.”

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