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Bia apoia prêmios iguais e mais torneios no Brasil
03/03/2022 às 08h10

Bia faz boa campanha no WTA de Monterrey e já está nas quartas de final

Foto: Abierto GNP Seguros
Mário Sérgio Cruz

Monterrey (México) - Além de comemorar a vaga nas quartas de final do WTA 250 de Monterrey e a melhora de seu nível de tênis em comparação com a partida de estreia, Beatriz Haddad Maia também falou sobre temas importantes sobre a realidade do tênis feminino atual. Brasileira mais bem colocada no ranking de simples do circuito, ocupando atualmente o 69º lugar, Bia defende que a América do Sul, e especialmente o Brasil, possam receber mais torneios ao longo da temporada. Além disso, a paulistana de 25 anos também defende a igualdade nas premiações entre homens e mulheres nos grandes eventos do circuito.

"Acho fundamental ter mais torneios aqui. Lembro de uma das vezes que eu perguntei: 'Poderiam fazer o Rio Open feminino de novo?' e brincavam: 'Poxa, mas a gente não tem brasileira no top 100'. Mas esse papinho não é a causa", disse a TenisBrasil, durante o torneio de Monterrey. "Eu sei o quanto é difícil, eu sei o quanto é caro, e que não é fácil fazer tênis na América do Sul. A gente não tem os mesmos recursos e não tem a mesmas estruturas. Mas se a gente consegue fazer para homem, a gente consegue fazer para mulher. Isso para mim é muito claro".

"A nossa parte, como tenistas, treinadores e todas as pessoas envolvidas no tênis feminino, a gente está fazendo. Algumas outras coisas não estão no nosso controle. Eu vou seguir trabalhando para expor o tênis brasileiro feminino lá fora e, quem sabe, a gente ter mais oportunidades de realizar torneios. Mas acho que a gente merece. A gente está num momento que a América do Sul merece, especialmente o Brasil", explica a finalista de duplas do último Australian Open.

 
 
 
 
 
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Bia destaca que o intercâmbio possibilitado por mais torneios no Brasil e na América do Sul seria um fator determinante para o desenvolvimento e evolução das jovens jogadoras. "Acredito que isso seja fundamental para a formação das meninas, para elas terem contato com as melhores jogadoras. Também seria bom para os treinadores poderem ver o trabalho uns dos outros. A gente sempre fala disso. Essa é a dificuldade e deficiência na formação, mas é muito difícil quando se tem tudo longe. Tudo é em dólar ou em euro. Tudo é muito caro. É difícil ter acesso".

"Eu que sou brasileira, passei na temporada passada só 15 dias no Brasil", comenta a tenista, que disputou 101 jogos na temporada passada. "Então, como eu vou ficar no Brasil se eu não consigo ter torneios perto? Para a gente que joga o circuito já é difícil. Imagina para quem sonha em chegar onde a gente está, mas ainda nem tem contato e acesso a isso. Acho que é fundamental a gente pensar nessas hipóteses, sim".

Disparidade nas premiações e o exemplo de Murray
A tenista de 25 anos comentou sobre a matéria veiculada por TenisBrasil no último domingo sobre a disparidade nas premiações do torneios de Dubai, nos Emirados Árabes. Apesar de os dois torneios serem de nível 500 nos circuitos da ATP e da WTA, o prêmio do campeão Andrey Rublev foi cinco vezes maior que o da vencedora Jelena Ostapenko. Além disso, os semifinalistas da chave masculina receberam mais que a campeã da chave feminina.

"É claro que não estou em um patamar onde eu tenha maior voz no tênis feminino, mas acredito que quanto mais eu ganho jogos e tenho um pouco mais de exposição, a gente acaba sendo uma referência, não só para as pessoas ao nosso redor, mas também para o nosso país e às vezes até para o mundo. Então acho importante, sim, a gente se posicionar", destacou Bia.

"Realmente a gente ainda vive um mundo machista, isso é algo muito claro. Tem países que são um pouco mais e tem países que são um pouco menos. E dentro do país a gente tem pessoas que pensam de formas muito diferentes", afirmou. "Eu sempre respeito a forma de cada um pensar, mas a partir do momento em que a gente tem um torneio onde os semifinalistas da chave masculina ganham mais que a campeã do feminino, a gente tem que parar e pensar: 'Por quê isso acontece?' e não, simplesmente, aceitar e falar 'Não, isso é normal. Sempre aconteceu. Homem vende mais que mulher'. Sempre tem esse papo que eu escuto de que isso é 'mimimi', como as pessoas falam. Mas é, sim, um assunto importante e que deve ser colocado na mesa".

 
 
 
 
 
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Bia agradeceu ao apoio que o britânico Andy Murray deu à causa das jogadoras da WTA, considerando a desigualdade no valor das premiações um retrocesso. "Um jogador que é um exemplo é o Murray. É um cara que se preocupa com outras causas e pratica atitudes no dia que possam ajudar as pessoas, pensando num mundo melhor, mais sustentável, e se preocupando com as pessoas de alguma forma. Não adianta a gente ser número 1 ou número 10 do mundo se a gente não faz a diferença. E isso, para mim, é algo que me move. Acho que as mulheres estão conquistando o espaço delas e vamos cada vez mais conquistar esses direitos".

A tenista também tem o interesse de acompanhar e se posicionar sobre temas de importância social. "A realidade do mundo não é só a quadra de tênis e essas cidades e hotéis maravilhosos que a gente tem o privilégio de viver. Eu sou uma pessoa que não só penso na causa feminina, mas também penso que também temos muitos negros que são punidos injustamente, nas mulheres que estão sendo violentadas e nas pessoas que passando fome e a gente ignora. Ninguém fala sobre isso".

Duas vitórias no torneio de Monterrey e vaga nas quartas
A vitória por duplo 6/2 sobre a chinesa Xinyu Wang trouxe muita confiança para Bia, que sentiu a melhora em seu nível de tênis em relação à difícil estreia em três sets contra a húngara Panna Udvardy no início da semana.

"Foi um jogo muito sólido. Eu fui agressiva e consegui jogar um tênis de alto nível, diferente do que havia acontecido na primeira rodada. Saquei e devolvi muito bem, mas o ponto principal foi a minha condução mental. Eu estava com a mente muito equilibrada. Esse é o meu nível de tênis. É nesse nível que estou treinando", explica a tenista, que volta a atuar na sexta-feira, contra a tcheca Marie Bouzkova ou a croata Petra Martic.

A número 1 do Brasil também brincou sobre o elemento pouco comum no cenário do torneio mexicano. Quando disputou sua estreia fora da quadra central do complexo, Bia tinha como plano de fundo um parque aquático instalado no clube. Mas ela diz que as baixas temperaturas ao longo da semana a deixaram bem longe das piscinas.

"É verdade! Tem um escorregador lá mesmo! Só que aqui está muito frio. Os dois primeiros dias estava congelando, acho que fez seis ou sete graus. Hoje que abriu um pouco mais o sol e deu uma esquentada durante o dia, mas acho que nenhum sócio do clube chegou perto da piscina. Mas acho divertido, acho legal para quem gosta".

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