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Barty enche de orgulho a comunidade aborígene
29/01/2022 às 13h21

Da esquerda para a direita, Freeman, Barty e Goolagong.

Foto: Site do torneio

Melbourne (Austrália) - Ashleigh Barty, que neste sábado encerrou jejum de 44 anos do país, tornando-se a primeira australiana a ganhar o título feminino desde 1978, com Christine O’Neil, está enchendo ainda mais de orgulho a comunidade aborígene, da qual faz parte. A foto de Barty ao lado de Evonne Goolagong e de Cathy Freeman ilustra esse orgulho.

Cathy Freeman, especialista nos 400 metros rasos, foi a primeira atleta aborígene a representar a Austrália nos Jogos Olímpicos e a vencer o Mundial de Atletismo. Freeman completará 49 anos no próximo dia 16 de fevereiro. Goolagong, hoje com 70 anos, brilhou nas décadas de 70 e 80, liderou o ranking mundial do tênis, e conquistou 14 títulos de Grand Slam, sete em simples, seis em dupla feminina e um na dupla mista.

Na final deste sábado, Barty derrotou a americana Danielle Collins por 6/3 e 7/6 (7-2), levando a Rod Laver Arena ao êxtase. A australiana venceu seus últimos 22 sets, não tendo perdido nenhum no Melbourne Park.

Ao selar sua vitória com uma direita, Barty, normalmente contida em suas comemorações, explodiu em gritos, colocando para fora toda a sua emoção, e deu um abraço carinhoso na beira da quadra na parceira de duplas Casey Dellacqua.



Christine O'Neil, a última australiana, homem ou mulher, a vencer um Aberto da Austrália, assistiu à conquista de Barty no estádio. E a ídolo de Barty, Evonne Goolagong Cawley, foi quem fez a entrega da Daphne Akhurst Memorial Cup. "Este é um sonho tornado realidade para mim e estou muito orgulhosa de ser australiana", disse Barty. Ela agradeceu a toda sua equipe, consciente da longa jornada juntos. "Começamos a segunda parte de nossa carreira, fizemos tudo juntos, ninguém mudou, foi incrível", disse Barty, que voltou ao tênis em 2016 após uma ausência de aproximadamente dois anos. "Amo vocês até a morte, vocês são os melhores no negócio e não posso agradecer o suficiente por todo o tempo e amor que vocês colocaram em mim."

Ao conquistar o Aberto da Austrália, Barty se junta a um grupo seleto de jogadores ainda ativos no tênis que conquistaram títulos de Grand Slam em todas as superfícies – saibro, grama e quadra dura -: Serena Williams, Roger Federer, Rafael Nadal e Novak Djokovic.

"Sinto-me muito humilde por estar num grupo tão seleto. Para ser honesta, não sinto que pertenço a esses campeões do nosso esporte", disse a jogadora de 25 anos.

"É incrível poder ter essa experiência e essa oportunidade em três superfícies diferentes e ser realmente consistente em todos os aspectos. Em última análise, esse foi um dos maiores desafios que Jim (Joyce, seu treinador na infância) estabeleceu para mim quando eu era jovem: ser uma jogadora completa e realmente consistente em todas as superfícies. Então, ter um título de Grand Slam em cada superfície é incrível. Eu provavelmente nunca pensei que isso aconteceria comigo."

Antes de Barty falar com a mídia após sua conquista, seu treinador, Craig Tyzzer, revelou sua surpresa que as vitórias em Roland Garros e Wimbledon precederam o sucesso na quadra dura. "Na verdade, sempre achei que ela é uma melhor jogadora em quadra dura. Quero dizer, ela adora a grama... Sempre pensei que sua primeira vitória seria, em um Grand Slam, em uma quadra dura", disse.

"É incrível que ela tenha conseguido fazer isso. Acho que todos temos que sentar e olhar para o que ela conseguiu fazer em diferentes superfícies e sua capacidade de jogar o nível de tênis que ela joga. Quero dizer, às vezes eu fico maravilhado com isso."

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