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Bia celebra vitória histórica e quer ser inspiração
23/01/2022 às 05h50
Diego Diegues
Especial para TenisBrasil

Melbourne (Austrália) - Após escrever seu nome na história, como primeira tenista brasileira a atingir as quartas de final do Australian Open na Era Aberta, a paulista Beatriz Haddad Maia era só sorrisos, quando concedeu uma entrevista exclusiva a TenisBrasil. A brasileira falou sobre a importância dessa marca para o tênis feminino, e de onde buscou forças para virar um jogo na qual perdia por 4/1 no terceiro set.

Antes de Bia, Luísa Stefani havia chegado às oitavas de final em Melbourne nos dois últimos anos, ao lado da norte-americana Hayley Carter. Outra atleta nacional jogar as oitavas no torneio foi Claudia Monteiro em 1982 e 1983. Sua amiga fora das quadras, Bia lembrou da importância para o tênis nacional e feminino, quando Stefani e Laura Pigossi conquistaram a medalha de bronze nos Jogos Olímpicos de Tóquio.

Bia espera que o tênis feminino possa continuar crescendo, e que assim como Stefani e Pigossi, ela possa servir de inspiração para a futura geração. “Espero trazer mais visibilidade ao esporte. Elas (Stefani e Pigossi) me ensinaram muito, me fizeram acreditar que tudo é possível. Espero seguir os passos delas e servir de inspiração para tenistas mulheres”, disse a brasileira.

Sobre o jogo contra espanhola Aliona Bolsova e a norueguesa Ulrikke Eikeri, a brasileira fez uma dura análise, dizendo que não foi uma das melhores partidas, ao lado de sua parceira Anna Danilina, mas que em contrapartida está muito feliz com a entrega e dedicação de ambas ao longo dos três sets. Marcados por altos e baixos, Bia admitiu que a cazaque entrou um pouco mais nervosa do que ela, por isso em alguns momentos da partida, chamou mais a responsabilidade para si.

“Apesar de um jogo duro, tenisticamente falando não foi uma das nossas melhores partidas. Acho que jogamos abaixo com relação a outros jogos. Meu saque não entrou como deveria, mas estou feliz com nossa entrega e dedicação. Soubemos controlar o nosso nervosismo, crescer ao longo do jogo e terminar de uma maneira agressiva, com um tiebreak muito bem jogado”, analisou Bia.

Bia teve um grande destaque no terceiro set. Vale lembrar, que a parceria formada pela brasileira perdia o set decisivo por 4/1, com duas quebras atrás. Vibrando todos os pontos e muito firme na rede, a paulista e a cazaque conseguiram uma vitória no tiebreak, abusando das bolas paralelas. “Quando estávamos abaixo no placar, disse a ela (Danilina) que não tínhamos tempo para lamentar, mas sim continuar lutando, caso contrário o jogo estaria perdido”, ponderou.

As próximas adversárias da paulista e da cazaque serão a sueca Rebecca Peterson e a russa Anastasia Potapova, que nas oitavas derrotaram a polonesa Magda Linette e a norte-americana Bernarda Pera com 6/3 e 7/6 (8-6). A brasileira disse que alguns ajustes precisam ser feitos para o próximo jogo, mas que a mentalidade, vontade de vencer e a rotina devem continuar a mesma.

Assim como a brasileira e a cazaque, as próximas adversárias têm o jogo de simples como ponto forte. “Elas jogam de maneira bem agressiva, batem forte na bola. Sabemos que temos que jogar melhor do que hoje, por isso vamos ajustar os detalhes, manter a rotina e principalmente a cabeça boa para o próximo jogo”, disse Bia que ainda brincou sobre a tenista russa “Qualquer jogadora com ‘Ova’ no nome sabemos que joga bem”

Por fim, Bia afirmou que cada vitória traz mais confiança para a dupla. Vale lembrar que já são sete jogos de invencibilidade, contando o título em Sydney mais as três partidas em Melbourne. “Quando formei a parceira com ela (Danilina), eu sabia que poderia ser perigosa. Acho que cada jogo que ganhamos nos conectamos mais e nos traz mais confiança para o jogo seguinte”, encerrou.

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