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Tomic lamenta passado e diz que tinha medo do pai
14/01/2022 às 02h27

Melbourne (Austrália) - Talento prodígio que entrou em cena aos 18 anos quando chegou às quartas de final de Wimbledon, o australiano Bernard Tomic é visto como um dos grandes talentos desperdiçados da Austrália, mas acredita que ainda tenha tempo de reverter essa situação. Já com seus 29 anos e ocupando atualmente a modesta 257ª colocação no ranking, ele espera dar a volta por cima.

Retirado da escola aos 13 anos por seu pai John para se concentrar em sua carreira no tênis, um ano depois Tomic assinou o maior contrato de patrocínio para qualquer atleta nessa idade na história da Nike e ganhou os títulos juniores do Australian Open e US Open. Em entrevista ao Current Affair, ele relembrou as dificuldades e tropeços que teve em sua vida e carreira.

“Crescer foi apenas tênis, tênis, tênis. Essa é a única coisa que eu sabia. Respirava tênis, dormia tênis e trabalhava muito. As pessoas não veem o trabalho que tive, o sangue, suor e lágrimas. Estava na quadra de 8 a 10 horas por dia quando era jovem, quando tinha 10 anos”, contou Tomic, que não teve moleza por parte do pai e treinador John Tomic, de quem tinha medo.

O tenista disse que seu pai já bateu bolas nele raquetes e outras coisas. “Ele é um cara louco. Isso fazia parte de sua disciplina. Mas sei que é um bom homem e tem um bom coração'', disse o ex-top 20, que viu o pai encarar várias acusações sérias ao longo dos anos, incluindo uma cabeçada em um ex-parceiro de rebatidas de seu filho, que levou à sua suspensão como treinador em 2013.

“Ele ainda me apoia, me motiva, é uma das principais razões pelas quais eu joguei tênis. Tenho que dar crédito ao cara, isso é certo. Ele foi super bem, nós fomos super bem. Obviamente há muita coisa que eu mudaria lá como pai, como filho. Eu não gostaria de criar meus filhos do jeito que fui criado. Quero dizer, você vive e aprende. Aprendi muito com meu pai”, falou Bernard.

“Suas expectativas para mim como jogador sempre foram muito altas, de ser o número 1 e ganhar de 10 a 20 Grand Slams. Sempre houve muita pressão do meu pai sobre mim e não é fácil, as pessoas não veem esse mundo exterior de pressão constante, pressão, pressão. Depois, há os fãs e o público em geral, então tudo isso quando foi jogado em cima de mim, não foi fácil de lidar”, complementou o australiano.

Tomic admitiu ter feito muitas outras coisas das quais se arrepende e que mudaria se pudesse voltar no tempo. Ele disse que está atualmente no “fundo do poço”, mas prometeu se recuperar e fazer bonito antes de se aposentar. Seu grande objetivo é conquistar o título de Wimbledon.

“Provavelmente sou um dos 10 melhores jogadores do mundo na grama, por isso quero vencer lá antes de me aposentar. E com certeza vou conseguir”, disse o confiante australiano, que espera ter ainda quatro ou cinco anos de carreira, nos quais quer provar a si mesmo o que pode fazer. Ele garantiu que não ficaria feliz com o que conquistou até agora se tivesse que se aposentar neste momento.

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