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Zwetsch reconhece ano abaixo do esperado de Wild
08/12/2021 às 08h00

Após primeiro título de ATP em 2019, jovem paranaense não conseguiu repetir grandes atuações

Foto: Luiz Candido/CBT
Felipe Priante

A temporada do paranaense Thiago Wild foi bastante conturbada, dentro de quadra contou com mais baixos do que altos, com destaque para uma pubalgia que o tirou de uma possível estreia olímpica. Fora das quadras a situação foi ainda mais complicada, com o atual número 2 do Brasil e 131 do mundo sendo acusado de violência e lesão corporal pela ex-namorada, a biomédica e influenciadora digital Tayane Lima.

Técnico do paranaense de 21 anos, João Zwetsch reconhece que os resultados em 2021 não foram bons e que as questões extra-quadra também mexeram com a cabeça do pupilo. Contudo, ele acredita que o pior já passou e mostra otimismo com o futuro. Em entrevista exclusiva a TenisBrasil, o treinador analisou a temporada de Wild e aposta em uma volta por cima no próximo ano.

“Acho que agora ele está melhor. Teve um momento em que ficou chateado e perturbado, sem saber o que fazer. São coisas realmente complicadas, ainda mais para um garoto da sua idade. Elas estão no âmbito da justiça e é lá que vai se decidir. O pior ficou para trás e ele está com um espírito melhor para competir e seguir em frente”, afirmou Zwetsch.

Ele também lamentou que a pausa pela pandemia veio no pior momento possível e que isso atrapalhou um pouco o desenvolvimento de Wild. “Era um importante jogar naquele momento, pois tinha pela frente toda a temporada de saibro na Europa, já estava quase dentro do top 100 e sem pontos a defender, mas faz parte, nossa vida é saber se adaptar e lutar. Tenho certeza que daqui a pouco podemos encontrar um bom momento novamente”, comentou o técnico.

Veja a entrevista completa de Zwetsch:

 
 
 
 
 
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Como você avalia a temporada do Thiago, que teve altos e baixos e resultados não tão bons?

Foi um ano abaixo do que a gente esperava, com altos e baixos, mas mais baixos do que altos com certeza por razões variadas. Acho que estamos buscando e batalhando para encontrar algo melhor. No meio do ano a situação já estava melhorando, mas então veio uma pubalgia, que o fez parar de jogar por quase três meses, foram umas nove semanas sem treinar e ele acabou nem indo para as Olimpíadas por isso. Foi realmente complicado, ainda mais logo depois de fazer um bom torneio em Hamburgo. É uma coisa que faz parte, mas o importante é que ele segue firme lutando para se desenvolver. Esse ano teve que enfrentar vários problemas também, que serviram de aprendizado para poder amadurecer. Uma vez que isso aconteça, não tenho dúvida que logo mais encontraremos o caminho de novo.

A pausa pela pandemia veio em um momento muito ruim para ele e na volta os resultados foram bem ruins. Fica um pouco a frustração de não aproveitar aquele embalo?

Naquele momento em que a pandemia começou a ficar mais séria e tudo teve que parar, ele estava naquele momento mágico, vindo de um resultado expressivo que foi vencer um ATP. Era um momento bom em que estava mais sereno, mas uma semana depois tudo vai embora, pelos próximos seis meses não se fala mais de tênis e tudo muda, ninguém sabe o que podia acontecer. Da forma como tudo aconteceu ele acabou se perdendo um pouco e depois na volta ficou tudo mais complicado. Ele até fez um bom primeiro torneio, um 125 mil na França, em Aix en Provence, que estava bem duro com dez caras entre os 100 do mundo e ele fez a final contra o (Oscar) Otte, mas depois dali custou mais a engrenar, se perdeu um pouco. Achou que iria seguir no mesmo ritmo que estava antes e sabemos que as coisas não são assim. Era um momento importante jogar naquele período de pausa pela pandemia, pois vinha toda a temporada de saibro na Europa e ele já estava quase dentro do top 100 e sem pontos a defender. Provavelmente teria jogado os três Grand Slam que iriam acontecer, entrando direto na chave principal, também alguns outros ATPs, qualis de Masters 1000. Foi muita coisa que acabou tirada de frente dele bruscamente, mas faz parte, nossa vida é saber se adaptar e lutar pelas coisas que queremos. É isso que estamos fazendo agora, é o mais importante para mim. Tenho certeza que daqui a pouco podemos encontrar um bom momento novamente. Tenho certeza que podemos fazer um ano que vem bom.

Qual a importância dessa sequência de challengers no Brasil para tentar somar pontos no ranking?

Estava até falando com ele sobre isso, que é uma oportunidade boa. Embora todos os torneios sejam duros, estamos no Brasil, as viagens são curtas e estamos na nossa terra. Temos que aproveitar o máximo possível para somar o máximo de pontos que der, até porque no começo do ano ele já tem pontos a defender. Entre Rio Open e Santiago são 300 pontos, mas são os únicos que tem, o que não é pouco. Vamos tentar fazer uma gordurinha neste final de ano para amenizar quando chegar o começo do próximo ano. Defender pontos é sempre uma coisa que afeta, mas estamos focados em se sentir bem que o resto vai acontecer.

 
 
 
 
 
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Olhando de fora ficou a impressão de que o Thiago deu uma estagnada desde a volta. Como você observou esse retorno e no que estão trabalhando para que ele possa voltar a evoluir?

O que aconteceu é que antes de começar essa pandemia o Thiago estava equilibrando melhor seu jogo. Ele é um jogador agressivo, que toma a iniciativa e tem como suas melhores armas os tiros na busca pela definição dos pontos, mas ao mesmo tempo é muito inconstante e irregular, erra muito. Isso é o que estávamos tentando equilibrar, para encontrar uma consistência maior e errar menos. Isso ficou um pouco para trás com a pausa, estagnou um pouco e só agora está entendendo melhor. Estamos treinando muito esse padrão de jogo, a maneira de atuar. Ele tem um ímpeto muito grande, que ir muito para as bolas, mas para chegar no alto nível nós precisamos alcançar uma consistência e segurança maiores. Os golpes precisam render pontos, não podem ser apenas para compensar os erros excessivos. Esse é o maior desafio do Thiago, controlar esse ímpeto e trabalhar a parte física para sustentar esse jogo mais consistente e só arriscar nas horas certas. Ele parou um pouco nesse aspecto, perdeu muito jogo que não deveria ter perdido pelo excesso de erros e por isso estamos buscando superar essa fase.

Como técnico, você se cobra um pouco mais por tudo isso?

Muito, o dia inteiro. Sempre fui assim, me cobro muito pelas coisas que sei que precisam ser feitas. Mas ao mesmo tempo sei que é preciso ter paciência, as coisas não acontecem de uma hora para outra, é preciso criar um processo positivo e construtivo para que possam acontecer e quando essa hora chegar estarmos prontos para aproveitar. Essa é a maior conquista que o jogador pode ter, encontrar a segurança e a clareza do que pode fazer, das armas que tem para lançar mão. Os jogos são duros neste nível que ele está jogando e acabam definidos em alguns poucos pontos, Já demos alguns passos em relação a isso, mas ainda falta.

Em relação aos problemas extra-quadra, o que dá para fazer neste atual momento do Thiago?

Acho que agora ele está melhor. Teve um momento em que ele ficou chateado e perturbado, sem saber o que fazer. São coisas realmente complicadas, ainda mais para um garoto da idade dele. Realmente foram momentos difíceis, que também coincidiram com a pubalgia, foi muita coisa junta. O que fizemos foi ficar ao lado dele, dando apoio e força, tentar manter uma rotina de trabalho com o que era possível fazer naquele momento. Agora essa questão já está mais tranquila na cabeça dele, entende melhor. Sabe que não tem nada a temer, mas são situações que para um jovem de 21 anos são difíceis de lidar. Isso passou um pouco, claro que tem sempre algo que fica, mas o pior ficou para trás e ele está com um espírito melhor para competir e seguir em frente. As coisas estão no âmbito da justiça e é lá que vai se decidir.

Como estão as metas para este fim de ano e para 2022?

Esta temporada vai ser bem atípica, porque vamos jogar praticamente até o natal. O challenger do Rio de Janeiro é o último torneio e aí já temos que viajar para o quali da Austrália, não vai ter pré-temporada. O objetivo é um pouco o que eu falei antes, vamos tentar somar o maior número de pontos possível nestes últimos torneios e sobretudo voltar a se sentir bem jogando, num estado de espírito legal e leve. É isso que está começando a acontecer de novo. Vamos tentar alcançar o melhor ranking possível, já que depois de Miami ele não tem mais nada a defender durante cinco ou seis meses e quem sabe não conseguimos então buscar o top 100 que é a principal meta.

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