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WTA decide suspender todos os torneios na China
01/12/2021 às 16h26

Torneios estão suspensos por conta da falta de transparência sobre o caso de Peng

Foto: Arquivo

Miami (EUA) - A WTA anunciou nesta quarta-feira que não irá realizar competições na China enquanto não houver transparência nas investigações do caso de Shuai Peng. A entidade não teve a oportunidade manter contato com a tenista desde que denunciou um caso de assédio sexual contra Zhang Gaoli, ex-integrante do alto escalão do governo chinês, no dia 2 de novembro. Desde então, Peng tem feito raras aparições públicas, a maioria delas divulgadas apenas pela imprensa estatal chinesa. Ela também participou de videoconferência com Thomas Bach, presidente do COI, mas a WTA suspeita que a jogadora não possa se comunicar livremente.

“Quando, em 2 de novembro de 2021, Shuai Peng postou uma alegação de agressão sexual contra um alto funcionário do governo chinês, a WTA reconheceu que a mensagem de Peng precisava ser ouvida e levada a sério", disse Steve Simon, CEO da WTA, por meio de um comunicado oficial.

"Daquele momento em diante, Shuai Peng demonstrou a importância de falar abertamente, especialmente quando se trata de agressão sexual, e especialmente quando pessoas poderosas estão envolvidas. Como Peng disse em seu post: 'Mesmo que seja como um ovo batendo em uma pedra, ou se eu for como uma mariposa atraída pela chama, contarei a verdade'. Ela conhecia os perigos que enfrentaria, mas veio a público de qualquer maneira. Eu admiro sua força e coragem", acrescentou o dirigente.

Simon lembra que as denúncias apresentadas pela tenista foram rapidamente excluídas das redes sociais e que a jogadora chegou a ficar desaparecida por duas semanas. "Desde então, a mensagem de Peng foi removida da Internet e a discussão deste grave problema foi censurada na China. As autoridades chinesas tiveram a oportunidade de cessar essa censura e de provar de forma verificável que Peng é livre e capaz de falar sem interferência ou intimidação e investigar a alegação de agressão sexual de maneira completa, justa e transparente".

"Infelizmente, a liderança na China não abordou essa questão tão séria de maneira confiável. Embora agora saibamos onde Peng está, tenho sérias dúvidas de que ela esteja livre, segura e não sujeita a censura, coerção e intimidação. A WTA foi clara sobre o que é necessário aqui, e repetimos nosso apelo por uma investigação completa e transparente - sem censura - da acusação de agressão sexual de Shuai Peng", afirmou o CEO da entidade, que em várias oportunidades havia comentado sobre a possibilidade de romper os acordos comerciais com a China.

"Nada disso é aceitável nem pode se tornar aceitável. Se pessoas poderosas puderem suprimir as vozes das mulheres e varrer as acusações para debaixo do tapete, então a base sobre a qual a WTA foi fundada - igualdade para as mulheres - sofreria um retrocesso imenso. Não vou e não posso deixar que isso aconteça com a WTA e suas jogadoras".

"Como resultado, e com o total apoio da Diretoria da WTA, estou anunciando a suspensão imediata de todos os torneios da WTA na China, incluindo Hong Kong. Em sã consciência, não vejo como posso pedir às nossas atletas para competirem lá, enquanto Shuai Peng não tem permissão para se comunicar livremente e aparentemente foi pressionada a contradizer sua denúncia de agressão sexual. Dada a situação atual, também estou muito preocupado com os riscos que todas as nossas jogadoras e equipe poderiam enfrentar se realizássemos eventos na China em 2022".

"Fiquei satisfeito com o enorme apoio internacional que a WTA recebeu por sua posição sobre este assunto. Para proteger ainda mais Peng e muitas outras mulheres em todo o mundo, é mais urgente do que nunca que as pessoas se manifestem. A WTA fará todo o possível para proteger suas jogadoras. Ao fazermos isso, espero que os líderes em todo o mundo continuem a falar abertamente para que a justiça possa ser feita por Peng, e todas as mulheres, não importando as consequências financeiras".

Pandemia já tirou torneios do país nos últimos anos
A China já não recebe torneios do circuito da WTA desde janeiro de 2020, quando a cidade de Shenzhen recebeu um WTA 250, meses antes de ser declarada a pandemia da Covid-19. Desde então, o país tem feito uma série de restrições para a entrada de estrangeiros, o que impediu a realização de eventos internacionais nas últimas temporadas. Um levantamento do New York Times no ano passado revelou que o circuito já havia perdido US$ 30 milhões em premiação com o cancelamento de torneios na China. 

Mas em 2019, última temporada antes da pandemia, a China era um polo estratégico para o circuito da WTA, com dez torneios de diferentes níveis, incluindo o WTA Finals, também realizado em Shenzhen. O evento entre as oito melhores jogadoras daquela temporada distribuiu uma premiação recorde de US$ 14 milhões. Campeã do torneio, a número 1 do mundo Ashleigh Barty recebeu US$ 4,42 milhões, prêmio que até hoje é o maior da história do tênis profissional entre homens e mulheres.

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