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Em alta, beach tennis exige cuidados contra lesões
23/11/2021 às 17h44

Exercício com bola de tênis.

Foto: Divulgação
Ricardo Takahashi *

O beach tennis é praticado em mais de 50 países e cerca de 1,2 milhão de pessoas, com sua maior popularidade ocorrendo na Itália, Brasil e Espanha. Nascido em areias italianas no início dos anos 1970, a mistura do tênis tradicional, vôlei de praia e badminton deu certo e a modalidade só fez crescer. Chegou ao Brasil em 2008. Primeiro no estado do Rio de Janeiro para se espalhar por todo o território nacional e atualmente soma 400 mil praticantes.

O beach tennis é uma versão light da modalidade tradicional, está se profissionalizando cada vez mais e conta com atletas de alto nível. Só para relembrar, uma das pioneiras da modalidade no Brasil foi a bicampeã pan-americana Joana Cortez, atual número 9 no ranking mundial da modalidade. O Brasil tem também, entre as top 10 no feminino, Rafaella Miiller (2ª do mundo) e Manuela Vita (8ª). Já no masculino aparecem André Baran (7º) e Vinícius Font (9º).

Fato é que, seja para recreação ou competição, é preciso ficar atento ao risco de lesões. A impressão que temos é de que o crescimento desenfreado da modalidade (com possibilidade de uso de equipamento inadequado, má orientação e falta de preparo prévio) poderá gerar o efeito inverso, ou seja, provocar o desinteresse pela modalidade por causa de queixas de dores ou desconfortos ou até mesmo uma lesão mais séria.

Parece, mas não é
É um engano acharmos que o beach tennis é parecido com o tênis, pois a raquete é diferente (mais pesada), a bola é mais leve, a rede é mais alta e a quadra é menor e de areia. Talvez a maior semelhança seja na contagem dos pontos. Dificilmente um amador no tênis voleia e executa smashs e essa é a base da modalidade. E por isso a importância de se preparar adequadamente para a prática.

Mas o que tem agradado muito os praticantes é o fato de poder jogar em duplas e de não haver a necessidade de experiência com a modalidade, tornando o beach tennis um esporte democrático.

Estudo das lesões
Ainda são poucos os estudos que avaliaram a incidência ou prevalência das lesões no beach tennis, mas um trabalho conduzido por Marco Berardi e colaboradores em 2019, na The Physician and Sportsmedicine, encontrou alguns dados interessantes.

De um total de 206 atletas (elite e recreacional), ocorreram 178 lesões em 92 jogadores (44,7%), o que representou uma incidência de 1,81 lesão por 1.000 horas de jogo.

Houve 77 lesões agudas (23,8% dos jogadores, incidência de 0,78% lesão /1.000 horas) e 101 lesões crônicas (36,6% dos jogadores, incidência de 1.03 lesão/1.000 horas).

Em relação ao local da lesão, o ombro foi a área lesionada com maior frequência. A principal contusão em membros superiores foi a tendinopatia crônica, enquanto a maioria das agudas ocorreu em membros inferiores.

A incidência de tendinopatia lateral no cotovelo (tennis elbow) foi de 0,36 por 1.000 horas de jogo, ou uma prevalência de 4,2%. A incidência de lesões em jogadores de elite foi menor do que em jogadores amadores (1,71 vs 2,04 lesões/1.000 horas de jogo). Os jogadores recreativos tiveram mais lesões crônicas.

As causas podem ser variadas, desde erro no movimento para execução dos golpes até sobrecarga de atividade (aumento no volume e intensidade de treino/jogo). Como sempre, o ideal é tomar cuidados para evitar lesões que não somente poderão limitar os movimentos, como incapacitar a prática do esporte por períodos que podem ser longos, dependendo da necessidade do tratamento.

Boas práticas
Por isso, boas práticas são necessárias para minimizar o risco de lesões no beach tennis. Em primeiro lugar, fazer um bom aquecimento antes de treino/ jogo. Para os membros inferiores, correr em volta da quadra, fazer movimentação lateral e diagonal e saltos simples, simulando saque e smash. Para os membros superiores, utilizar uma faixa elástica, halter ou a própria raquete para o aquecimento. Uma dica simples é simular os movimentos do seu braço dominante – usando esses acessórios e combinar com os movimentos de pernas.

Depois do treino/jogo, fazer alongamentos nos membros superiores e inferiores, por pelo menos 30 segundos, pois menos do que isso não fará diferença na recuperação e/ou prevenção.

Após o treino/jogo, pode-se utilizar outras estratégias para auxiliar na recuperação muscular. Uma delas é a Liberação Muscular, usando um rolo (foam roller) ou uma bola de tênis para ajudar na automassagem. Isso não precisa ser doloroso e a sensação logo após ou no dia seguinte é muito boa. Outra técnica possível é a Ledterapia, com mantas fáceis e muito práticas de usar. A Massagem Esportiva também pode ser feita para ajudar na recuperação pós treino/ jogo. Tente pelo menos uma vez.

Essas dicas são simples, práticas e eficazes. Mas sempre é fundamental reforçar a importância de contar com um profissional capacitado no acompanhamento dos treinos (profissional da educação física, fisioterapeuta, entre outros). Caso ocorra algum problema físico, envolvendo lesão, o fisioterapeuta pode ser o profissional de primeiro contato, a fim de avaliar e conduzir na recuperação.

Há a opção de se filmar todos os fundamentos no treino para se tentar identificar algum erro mais grosseiro, situação difícil de conseguir fazer a olho nu. Depois, deve-se trabalhar no processo de ajuste para que não sofra com as sobrecargas e possa ter problemas maiores no futuro.

O esporte deve ser saúde e lazer para atletas amadores. Aproveita ao máximo o beach tennis.

Ricardo Takahashi é diretor do Centro Taka Fisioterapia Especializada, em São Paulo, que trabalha com programas de avaliação, treinamento e prevenção específico para esportes com raquete.

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