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WTA exige investigação sobre desaparecimento de Peng
14/11/2021 às 21h28

Peng está desaparecida desde que denunciou político chinês de assédio sexual

Foto: Arquivo

* Atualizado às 21h20, com declarações do CEO da WTA à imprensa

Pequim (China) - A WTA emitiu neste domingo um comunicado exigindo a investigações sobre o desaparecimento da jogadora Shuai Peng. A chinesa de 35 anos não foi mais vista depois de acusar o ex-vice-premiê Zhang Gaoli de assédio sexual. Peng havia feito uma publicação relatando o caso de abuso em seu perfil no Weibo, rede social chinesa semelhante ao Twitter, mas o conteúdo foi excluído em menos de 30 minutos e seu perfil bloqueado pela plataforma.

"Os eventos recentes na China relativos à jogadora Shuai Peng são de grande preocupação. Como uma organização dedicada às mulheres, continuamos comprometidos com os princípios em que nos baseamos, a igualdade, a oportunidade e o respeito", disse Steve Simon, CEO da WTA, por meio de nota oficial.

"Shuai Peng e todas as mulheres merecem ser ouvidas e não censuradas. Sua acusação sobre a conduta de um ex-líder chinês envolvendo assédio sexual deve ser tratada com a maior seriedade", acrescentou o dirigente. "Em todas as sociedades, o comportamento que ela alega que ocorreu precisa ser investigado, e não tolerado ou ignorado. Parabenizamos Peng por sua notável coragem e força para seguir em frente. Mulheres em todo o mundo estão encontrando suas vozes para que as injustiças possam ser corrigidas".

"Esperamos que esta questão seja tratada de forma adequada, o que significa que as alegações devem ser investigadas de forma completa, justa, transparente e sem censura. Nossa absoluta e inquietante prioridade é a saúde e a segurança de nossas jogadoras. E esperamos que a justiça possa ser feita", complementou Simon.

Peng chegou a ser top 15 em simples em 2011 e número 1 de duplas em 2014. A jogadora de 35 anos aparece atualmente no 281º lugar do ranking de simples e na 181ª posição nas duplas, mas não disputa nenhuma competição do circuito desde fevereiro do ano passado em Doha, antes da pandemia.

Dirigente diz que a tenista está em local seguro e cogita romper acordos com a China
Também neste domingo, Simon deu entrevista ao New York Times comentando o caso. Ele diz que ainda não conversou com a jogadora, mas recebeu garantias de que ela está em local seguro. Afirmou também que a entidade estaria disposta a abrir mão dos contratos comerciais que tem com a China. Segundo a publicação, o país investiu mais de um bilhão de dólares no tênis nos últimos anos, mas nenhum dos onze torneios que estavam marcados para esta temporada foram realizados, em função da pandemia.

"Recebemos a confirmação de várias fontes, incluindo a Associação Chinesa de Tênis, de que ela está segura e sem qualquer ameaça física. Meu entendimento é que ela está em Pequim, mas não posso confirmar isso porque não falei diretamente com ela", disse o dirigente, contando que ninguém da WTA ou mesmo outras jogadoras ainda falaram com Peng.

"Se nós não virmos os resultados adequados, estaríamos preparados para dar esse passo de não operar nossos negócios na China. Acho que todos entendem perfeitamente o que está em jogo aqui, desde as jogadoras até os dirigentes. Estamos totalmente unidos na questão de que a única abordagem aceitável é fazer o que é certo".

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